“A crescente presença das marcas é uma prova da dimensão e do prestígio do evento”, Vasco Sacramento, programador do Festival F

EntrevistaNotícias
Sandra M. Pinto
03/09/2025
09:56
EntrevistaNotícias
Sandra M. Pinto
03/09/2025
09:56


Partilhar

O Festival F, um dos eventos culturais mais emblemáticos de Faro, celebra este ano a sua 10.ª edição. Desde a sua criação, tem vindo a afirmar-se como um ponto de encontro fundamental para a música portuguesa, numa conjugação única entre património histórico e programação contemporânea.

Por Sandra M. Pinto

Para falar sobre este marco, conversámos com Vasco Sacramento, da Sons em Trânsito, promotor e programador do Festival F, que partilha a evolução, os desafios e as ambições desta iniciativa em parceria com o Município de Faro, o Teatro das Figuras e a Ambifaro.

O Festival F celebra este ano a sua 10.ª edição. Que balanço fazem desta década de existência?
O balanço tem de ser muito positivo. Aumentámos bastante o público, a amostra de música portuguesa que conseguimos trazer todos os anos e multiplicámos a área abrangida do centro histórico de Faro. Podemos dizer com toda a naturalidade que somos, neste momento, o principal evento da música nacional.

O que mudou, artisticamente, logisticamente e em termos de público, desde a primeira edição até hoje?
Começámos por ocupar apenas um terço da Vila Adentro com dois dias de festival. Neste momento, temos 4 dias de evento, já ocupamos a Vila Adentro inteira e já passámos para fora das muralhas. O festival quadruplicou o público e isso é, obviamente, o que mais nos satisfaz.

Que marcos ou momentos considera mais emblemáticos nestes 10 anos?
São inúmeros e seria injusto destacar uns em desprimor de outros, mas cada novo palco, cada marca que se associa a nós, cada prémio conquistado, são marcos importantes no nosso percurso. Artisticamente, felizmente temos tido sempre muitos e bons concertos.

Este ano o festival cresce para quatro dias. O que motivou esta decisão e que impacto esperam que tenha?
A coincidência das datas do festival com o dia da cidade foi a principal motivação para nos fazer dar este passo, para além de ser uma forma de assinalar a décima edição.

A edição de 2025 conta com 90 concertos exclusivamente dedicados à música portuguesa. Como foi feita a curadoria deste alinhamento?
Com cuidado, dedicação e muita devoção pela paixão que é a música portuguesa. O grande objetivo todos os anos é traçar uma radiografia da música nacional, dos consagrados aos novos talentos, passando por todos os estilos musicais.

Que critérios orientam a escolha dos artistas, sobretudo num momento em que a produção musical nacional é tão diversa?
Os únicos critérios são sempre a qualidade e a pertinência.

De que forma o Festival F procura equilibrar nomes consagrados com novos talentos da música portuguesa?
É uma necessidade imprescindível, tendo em conta a nossa missão e a diferente dimensão de cada palco.

Há alguma estreia ou momento musical particularmente simbólico nesta edição?
Há muitas estreias, muitos artistas que se estreiam este ano no festival, o que, à décima edição, demonstra mais uma vez a vitalidade da nossa música.

O Festival F nasceu com o objetivo de posicionar Faro como destino cultural no final do verão. Sente que esse objetivo foi cumprido?
Absolutamente. O sucesso e crescimento do evento assim o demonstram.

Como descrevem a relação entre o festival e a cidade, tanto a nível institucional como com os habitantes locais?
Eu costumo dizer que este festival, ao contrário da maioria dos outros, não se impõe ao território. Adapta-se a ele. O mais importante é o F servir e orgulhar as instituições locais e a comunidade farense.

Que impacto o Festival tem tido na economia local, especialmente na hotelaria, restauração e comércio?
Não serei a melhor pessoa para avaliar isso. Os agentes locais terão as suas experiências e avaliações, mas parece-me que o impacto é inequívoco, quer diretamente durante o festival, quer pela divulgação de Faro e daquele centro histórico para o resto do ano.

Como é trabalhar com um património histórico tão rico como cenário (Vila Adentro, Sé, muralhas, etc.)?
É um privilégio e uma honra. Como disse anteriormente, temos de nos adaptar às circunstâncias e idiossincrasias daquele espaço e isso é maravilhoso.

O que define a experiência Festival F para além da música?
É muito diversificada. Há muita coisa para fazer e ver para além dos concertos: exposições, tertúlias, poesia, contos, gastronomia, artesanato, etc

Que tipo de público o Festival F atrai atualmente, e como tem evoluído ao longo das edições?
O F também é um F de Família. Sempre assim foi e queremos que continue a ser. É um festival literalmente dos 8 aos 80.

Como é que o Festival se posiciona no circuito nacional de festivais culturais e de música?
Posiciona-se como o último grande festival de verão e como o grande evento anual dedicado à música nacional de todos os estilos e dimensões.

De que forma o F se diferencia de outros festivais com maior dimensão ou projeção internacional?
Diferencia-se pela programação única que tem, pelo ambiente absolutamente transversal que possui e pela conjugação que aquele recinto permite de ter ao mesmo tempo um tremendo património histórico, natural (pela presença da Ria Formosa) e industrial (pelos diversos edifícios industriais no recinto, com destaque para a antiga fábrica da cerveja).

Este ano, várias marcas voltam a marcar presença com ativações relevantes. Que papel têm as marcas no ecossistema do Festival F?
Decisivo. É muito importante para a saúde financeira do evento a presença de diversas marcas connosco, são também mais uma prova da dimensão e prestígio do F. É ainda um ótimo sinal para a música portuguesa, que se mostra, mais uma vez, como um veículo privilegiado entre as marcas e os seus consumidores.

Como escolhem os parceiros e patrocinadores? Existe um alinhamento de valores com o festival?
Tentamos sempre ser criteriosos e trazer marcas e parceiros com os quais possamos estabelecer acordos que sejam bons para todas as partes: as marcas consigam comunicar com eficácia, que sejam interessantes para o público presente e que estejam alinhadas com a filosofia e conceito do evento.

De que forma as ativações de marca enriquecem (ou não) a experiência do público?
Muitas vezes têm um papel que não é negligenciável na criação de memórias para o público. Os festivais têm sempre um cariz efémero, mas há ativações, brindes, experiências que podem perdurar anos no coração ou nas casas dos espectadores.

É cada vez mais comum vermos marcas a quererem associar-se à cultura. Como garantem que essa presença é autêntica e não apenas comercial?
Tudo depende do bom senso e sensibilidade do promotor e da marca. Ficamos todos a ganhar se não for apenas uma presença comercial.

Como imaginam o Festival F nos próximos 10 anos?
Se há coisa que estes primeiros dez anos nos ensinaram é que este festival e este recinto têm sempre a capacidade de nos surpreenderem. Porém, tenho a certeza que o festival encontrará sempre forma de crescer e de aumentar o seu interesse e alcance.

Existem planos para internacionalizar a marca F ou exportar o conceito para outros territórios?
O Festival F só faz sentido acontecer ali, mas seria ótimo que outras cidades percebessem, com o exemplo do F, como ofertas culturais qualificadas e estruturadas podem aumentar o potencial económico e cultural dos territórios.

A sustentabilidade é uma preocupação crescente nos grandes eventos. Que medidas têm sido tomadas neste campo?
Fazemos todos os anos uma avaliação dos aspetos em que podemos aumentar a sustentabilidade do evento e tentamos colocar em prática os melhoramentos necessários no ano seguinte. A ideia é sempre diminuir o impacto do F, servindo melhor a cidade, o público, os parceiros, etc.

Qual é a maior ambição para esta edição de 2025?
Que seja um F de Felicidade e de Futuro.




Notícias Relacionadas

Ver Mais