Marcas alimentares revêm ingredientes para responder à procura por produtos mais saudáveis

NotíciasSustentabilidade
Marketeer
25/07/2025
11:34
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Nos Estados Unidos, o sector alimentar vive um momento de transformação. A falência recente da Del Monte Foods, uma histórica marca de alimentos enlatados, simboliza uma viragem no comportamento dos consumidores, cada vez mais exigentes com a composição dos produtos que consomem.

Apesar da procura por alimentos mais saudáveis não ser nova, a agenda política do movimento Make America Healthy Again (MAHA), associado à administração Trump, reacendeu o debate em torno de ingredientes artificiais, óleos refinados e corantes sintéticos. Este movimento tem influenciado tanto políticas públicas como decisões de marketing de marcas de grande consumo.

Nas redes sociais, influenciadores promovem estilos de vida mais naturais, com receitas caseiras e produtos frescos, contribuindo para uma imagem idealizada da alimentação. A resposta da indústria passa por alterações de fórmula e mudanças na comunicação – seja através de novas embalagens, seja pelo destaque de atributos considerados mais saudáveis.

Os consumidores querem ver alimentos que pareçam frescos, mesmo que estejam enlatados.

Gigantes como General Mills, Kraft Heinz, Conagra ou PepsiCo anunciaram planos para remover corantes artificiais e substituir óleos industriais por alternativas como azeite ou óleo de abacate. Em breve, marcas como Lay’s e Tostitos passarão a apresentar novas versões mais “naturais” dos seus produtos, segundo anunciou a PepsiCo.

A tendência é também visível no marketing. A cadeia Chipotle, por exemplo, lançou uma campanha educativa que desafia crianças a soletrar ingredientes artificiais utilizados pelos concorrentes, contrastando com os seus próprios ingredientes naturais, como “milho doce” ou “cebola roxa”.

Mas nem tudo são facilidades. Em 2015, a General Mills retirou os corantes artificiais do seu cereal Trix, apenas para os repor dois anos depois, após queixas de consumidores que sentiram falta das cores vibrantes. Dados recentes, no entanto, mostram que 52% dos americanos apoiam a sua remoção.

A pressão chega também aos reguladores. A FDA (Food and Drug Administration) propôs um novo sistema de rotulagem frontal, que classificaria alimentos como “altos”, “médios” ou “baixos” em gordura saturada, açúcares adicionados e sódio. A proposta divide a indústria, com a Consumer Brands Association a defender a manutenção do sistema voluntário atualmente em uso.

A questão do preço continua a ser um dos maiores obstáculos à adoção massiva de produtos com “rótulo limpo”.




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