A entropia digital que nos trouxe a IA

OpiniãoNotícias
Marketeer
16/07/2025
20:02
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Opinião de Magda Santos, SEO specialist e criadora de conteúdo otimizado @ MS Digital Concept

Durante anos, as marcas foram incentivadas a criar conteúdo como se isso, por si só, fosse uma estratégia. Publicar regularmente, marcar presença, produzir em escala, aparecer. Com a chegada da inteligência artificial (IA), esse processo foi apenas acelerado e automatizado. O que antes exigia tempo e equipa, hoje faz-se em minutos. E o resultado é uma web com mais palavras, mas com menos ideias.

Nunca foi tão fácil produzir. Todavia, também nunca foi tão fácil perder o controlo editorial.

A IA não causou esta entropia, apenas expôs e ampliou aquilo que já se vinha a acumular. Excesso de conteúdos sem direção, redundância temática, fragmentação semântica, competição interna entre páginas e a ausência de um pensamento estratégico por trás da publicação em massa.

O que vemos hoje é um ecossistema de informação cada vez mais saturado, onde muitas marcas publicam por inércia e não por intenção. E o que está a custar visibilidade a muitas empresas não é a falta de conteúdo, mas sim a falta de sentido no conteúdo que já têm.

Criar dezenas ou centenas de artigos num curto espaço de tempo tornou-se bastante simples. No entanto, se esses conteúdos não estão organizados em torno de temas estruturados, se não estão alinhados com intenções de pesquisa reais, e se não se reforçam mutuamente, tornam-se apenas mais uma parte do ruído. É o paradoxo da abundância: quanto mais se cria, mais difícil é ser encontrado.

A entropia digital manifesta-se na perda de foco editorial, na canibalização interna entre páginas que concorrem entre si e na publicação de textos que repetem o mesmo ângulo com pequenas variações de palavras-chave. Para o utilizador, a experiência torna-se indiferenciada, para o motor de pesquisa, torna-se confusa, e para a marca, torna-se ineficaz.

No entanto, este cenário não é inevitável. Escalar conteúdo com qualidade é possível. Exige planeamento, sim, mas também visão editorial e sentido estratégico. Cada novo conteúdo pode e deve ter um papel claro, o de complementar um tema central, responder a uma dúvida específica, reforçar uma entidade ou consolidar um percurso.

A diferença está na intenção. Para isso, é necessário criar conteúdos com base em mapas temáticos, identificar relações e organizar ideias antes de publicar. A inteligência artificial não tem de ser o motor do caos. Na verdade, pode ser uma aliada da clareza, desde que bem utilizada, para acelerar processos com supervisão humana e critério curatorial. E, acima de tudo, é preciso criar com a consciência de que cada conteúdo existe dentro de um sistema que exige lógica, estrutura e propósito.

O Google, e cada vez mais os modelos de linguagem como o Gemini ou o ChatGPT, não valorizam apenas volume. Valorizam coerência, analisam contexto e recompensam quem constrói autoridade real em torno de tópicos específicos, com consistência e clareza.

Por isso, o futuro do conteúdo não está em travar a escala. Está, sim, em dar-lhe direção. E a IA, usada com inteligência e estratégia, pode ser uma aliada preciosa na construção de ecossistemas informativos mais úteis, mais organizados e mais alinhados com o que as pessoas realmente querem encontrar.

Criar 100 artigos continua a ser possível, mas agora, mais do que nunca, é possível que esses 100 artigos sirvam um propósito claro, que contem uma história, que reforcem um posicionamento e que contribuam para algo maior do que eles próprios.

É essa a oportunidade escondida neste momento de entropia: a de recentrar a estratégia em torno da intenção, da qualidade e da inteligência editorial. Porque só assim a abundância se transforma em valor.




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