A 24.ª edição do projeto Novos Talentos FNAC chega em 2026 com um tema que coloca a criatividade humana no centro do debate: a arte na era da inteligência artificial. Sob o lema “A revolução está AÍ. Vais deixar de criar por ti?”, a FNAC desafia os jovens criadores a refletirem sobre o seu papel enquanto artistas num mundo onde a tecnologia avança a passos largos.
Por Sandra M. Pinto
Nesta entrevista, Inês Condeço, Diretora de Marketing e Comunicação da FNAC DARTY Portugal, explica como o concurso continua a apoiar o desenvolvimento de novos talentos em diversas áreas artísticas, da música à escrita, do cinema à ilustração e aos videojogos, e de que forma a inovação, a formação, a exposição e a publicação se transformam em oportunidades reais para quem participa.
A 24.ª edição dos ‘Novos Talentos FNAC’ aborda o papel da criatividade humana na era da inteligência artificial. Como surgiu o tema deste ano e que mensagem pretende transmitir aos jovens criadores?
Vivemos uma era em que os algoritmos já aprenderam a compor, escrever, desenhar, gerar filmes e muito, muito mais. Sendo a criatividade uma das características que distingue a espécie humana, levanta-se uma questão filosófica central: qual é afinal o nosso papel no mundo da arte? E é por isso que o lema desta edição é “A revolução está AÍ. Vais deixar de criar por ti?”, na linha do manifesto FNAC que lançamos em agosto de 2025. Sabemos que a inteligência artificial está para ficar, mas queremos provocar e desafiar o lugar do ser humano, do artista, lembrando os jovens criadores que a verdadeira arte está na imaginação, na procura do novo, na aceitação do defeito e do erro, e na incessante busca de despertar emoções, e que, no final das contas, a criação é um ato profundamente humano.
A FNAC fala em “revolução humana” e na importância da imaginação, do erro e da emoção. Na prática, de que forma esta visão influencia a forma como o concurso é organizado e avaliado?
Esta visão influencia a organização e avaliação do concurso ao estabelecer uma diretriz clara sobre o uso da inteligência artificial. A FNAC defende a criação artística como expressão humana única e insubstituível. Assim, apenas serão admitidos trabalhos em que a IA tenha sido usada como instrumento auxiliar, e não como substituto do processo criativo humano. Trabalhos 100% gerados por IA não são aceites, garantindo que a autoria, a intenção e o pensamento humano continuam a ser os pilares da criação e da avaliação. Sobretudo valorizaremos criações verdadeiramente inovadoras.
Com mais de 75 mil euros em prémios e diversos parceiros, como a FNAC garante que estas oportunidades realmente apoiam o desenvolvimento dos novos talentos nas várias áreas artísticas?
Com o apoio da REPSOL, o principal parceiro da plataforma Novos Talentos FNAC e do FNAC Live, a FNAC garante o apoio ao desenvolvimento dos novos talentos através de prémios monetários significativos, com um total de mais de 75 mil euros. Cada vencedor recebe o Prémio Monetário Repsol de 5.000€, e as menções honrosas são distinguidas com 2.500€. Além disso, a colaboração com diversos parceiros como HP, HyperX, OMEN, Fujifilm, Faber-Castell, Universidade Lusófona, World Academy, Kobo, Narrativa e Lisboa Games Week oferece distinções e prémios adicionais, que pretendem dar ferramentas a estes novos talentos para que apostem na evolução das suas carreiras.
As menções honrosas recebem ainda oportunidades de formação, exposição e publicação, que são cruciais para o crescimento e visibilidade dos artistas, nomeadamente com o lançamento de um disco NTF e um livro NTF, a cada edição do projeto, com a divulgação de trabalhos de alguns dos participantes dessa mesma edição. Os fóruns FNAC também apoiam na divulgação dos artistas para que estes possam chegar ao público através de eventos e exposições ao longo do ano.
O júri desta edição foi renovado e diversificado. Qual foi o critério para escolher os novos membros e de que forma acredita que a diversidade do painel contribui para uma avaliação mais equilibrada?
O critério para a escolha dos novos membros do júri foi reunir nomes consagrados e novas vozes de diferentes gerações e universos criativos. Esta diversidade do painel, que inclui artistas como Selma Uamusse, Samuel Úria, Diana Tinoco, Marisa Cardoso, João Tordo e Rita da Nova, juntamente com nomes de referência de anos anteriores, contribui para uma avaliação mais abrangente e rica, ao integrar múltiplas perspetivas e sensibilidades de diferentes áreas e experiências artísticas.
Além dos prémios monetários, existem oportunidades de formação, exposição e publicação. Pode dar exemplos concretos de como estas experiências podem impulsionar a carreira dos vencedores?
As menções honrosas, para além do prémio monetário, recebem oportunidades de formação, exposição e publicação. No que toca à formação, pode incluir workshops ou cursos com instituições parceiras como a Universidade Lusófona ou a World Academy, permitindo aos talentos aprimorar as suas competências. As oportunidades de participação em Exposições traduzem-se em mostras dos seus trabalhos em espaços FNAC ou em eventos parceiros, como o Lisboa Games Week, aumentando a sua visibilidade junto do público e de profissionais do setor. Já em termos de publicação, os Novos Talentos FNAC oferecem a oportunidade de ter os seus trabalhos (por exemplo, na escrita ou ilustração) editados ou divulgados por parceiros como a Narrativa ou Escrever-Escrever, abrindo portas para o mercado editorial, além dos já mencionados discos e livros dos Novos Talentos FNAC lançados a cada edição.
A inteligência artificial é cada vez mais presente na criação artística. Até que ponto a FNAC vê a tecnologia como aliada e até que ponto acredita que deve ser um limite para não substituir a criatividade humana?
A FNAC vê a inteligência artificial como uma aliada quando usada com consciência e ética, respeitando os direitos dos criadores. Acreditamos que a IA é uma ferramenta de democratização do conhecimento e, por isso, pode ampliar horizontes, acelerar processos criativos e inspirar novas formas de expressão. No entanto, a FNAC estabelece um limite claro: a tecnologia nunca deve substituir o pensamento crítico e a intuição artística, daí a decisão de não serem aceites trabalhos 100% gerados por IA, já que a sua utilização deve funcionar meramente como um instrumento auxiliar, e não como substituto do processo criativo humano.
O concurso abrange áreas tão distintas como música, escrita, cinema, fotografia, ilustração e videojogos. Que desafios existem ao avaliar projetos tão variados num mesmo concurso?
O principal desafio reside na diversidade inerente às diferentes áreas artísticas. No entanto, a FNAC garante uma avaliação rigorosa através da constituição de um corpo de jurados de renome, que são verdadeiros peritos e referências consagradas em cada uma das categorias. Esta especialização assegura que cada trabalho é avaliado por quem melhor compreende as nuances e especificidades da sua área. Adicionalmente, contamos com uma plataforma facilitadora que otimiza e padroniza o processo de avaliação, tornando-o mais eficiente e transparente para todas as categorias.
Como é que a FNAC tem acompanhado a evolução das preferências e tendências dos jovens criadores portugueses, e que mudanças se notam na participação ao longo dos anos?
A FNAC tem acompanhado de perto a evolução das preferências e tendências dos jovens criadores, demonstrando uma evolução cuidadosa e proativa. Esta atenção reflete-se, por exemplo, na integração de novas categorias, como ilustração e mais recentemente a de videojogos, amplificando o concurso para seis áreas distintas. Com este movimento, quisemos passar uma mensagem clara: todos somos criadores, independentemente da área onde nos especializámos. Notamos, por isso, uma participação crescente e cada vez mais qualificada ao longo dos anos, com as últimas edições a superarem recordes de inscrições, em quase 4.000 inscrições. Além disso, cada edição é construída em torno de um tema relevante e atual, o que gera maior identificação e envolvimento por parte dos participantes. Também a premiação tem sido significativamente elevada, quer em valor monetário, quer nas oportunidades adicionais de edição, performance e exposição, que são cruciais para o desenvolvimento e profissionalização dos talentos. Desta forma, a FNAC não só promove a cultura com uma visão estratégica, mas também assegura uma plataforma que realmente impulsiona os novos criadores.
A Repsol mantém-se como patrocinador principal e há várias parcerias estratégicas com universidades e marcas tecnológicas. Qual é o papel destas parcerias na dinamização do concurso e na experiência dos participantes?
As parcerias têm um papel essencial na força e no impacto dos Novos Talentos FNAC, e consequentemente, do FNAC Live, o Palco para a entrega de prémios e para o encontro de Novos e Consagrados Talentos, num momento de inclusão de todos os amantes da cultura e da música, independentemente do género ou estilo musical. A Repsol, patrocinador principal de ambos os momentos, e forte impulsionador da cultura em Portugal, oferece 60 mil euros em prémios e patrocina também o FNAC Live, com uma presença de marca focada na apresentação de soluções energéticas sustentáveis, elevando a experiência global dos participantes e contribuindo para um festival 100% verde. As marcas tecnológicas e criativas, como Fujifilm, Faber-Castell, HP, HyperX e OMEN, contribuem com prémios e recursos especializados adaptados a cada área artística, reforçando a profissionalização dos talentos emergentes. A Escrever-Escrever, Universidade Lusófona e a World Academy acrescentam valor formativo, oferecendo distinções e oportunidades de aprendizagem que enriquecem o percurso dos vencedores. Já os parceiros culturais e mediáticos — Narrativa, Lisboa Games Week, SAPO, Antena 3, Radar e Oxigénio — ampliam a visibilidade e criam acesso a palcos, exposições e cobertura mediática, transformando o concurso numa plataforma real de lançamento artístico.
Sabemos que a cultura e os artistas enfrentam sempre desafios, por isso, temos de agradecer a todos os parceiros que permitem que este Concurso e Festival continuem a acontecer de forma tão impactante e, não de somenos importância, gratuita para todos.
De forma mais geral, qual é a importância do ‘Novos Talentos FNAC’ para a estratégia cultural e de marketing da FNAC em Portugal, e como esta iniciativa reforça a ligação da marca à comunidade artística e criativa?
Para a estratégia cultural e de marketing, o projeto ‘Novos Talentos FNAC’ posiciona a marca como defensora da criatividade humana na era da inteligência artificial, celebrando a diversidade e o pensamento crítico. A iniciativa mantém o compromisso da FNAC de descobrir e promover novos artistas em diversas áreas, uma vez que acreditamos que, na FNAC, a criação é emoção, improviso, risco e identidade. Esta iniciativa reforça a ligação da marca à comunidade artística e criativa ao oferecer uma plataforma de reconhecimento, apoio financeiro, oportunidades de formação, exposição e publicação, e ao integrar um júri diversificado e conceituado, demonstrando um compromisso ativo com o desenvolvimento e visibilidade de novos criadores.
Este é um projeto fundamental para a promoção da cultura em Portugal, um dos eixos fundamentais que constitui o ADN da FNAC, e atinge o seu ponto alto num momento altamente relevante para o país: o FNAC Live, um festival que dá palco a grandes nomes da música portuguesa, mas também aos talentos emergentes, que concorrem aos Novos Talentos FNAC, num evento de entrada livre e onde se celebra o que de melhor se faz no nosso país na área da cultura e do entretenimento.














