O Spotify está no centro de uma controvérsia global após o CEO Daniel Ek ter anunciado um investimento de 600 milhões de euros na Helsing, uma startup alemã especializada em drones de combate e software militar com inteligência artificial. A revelação feita a 17 de junho gerou uma onda de críticas de artistas, ativistas e utilizadores, que acusam Ek de canalizar lucros do streaming de música para a indústria da guerra.
A indignação viralizou nas redes sociais, acompanhada por apelos ao cancelamento de subscrições, especialmente no Reddit.
Apesar do boicote feito pelos artistas e uma editora discográfica neerlandes, a Kalahari Oyster Cult, esta não é a primeira vez que Ek enfrenta críticas por apostar na Helsing. Em 2021, um investimento de 100 milhões de euros na mesma empresa já tinha motivado uma reação negativa semelhante por parte da comunidade artística.
Além da ligação com a indústria militar, muitos voltaram a apontar o modelo de negócios do Spotify, em particular as baixas taxas de royalties pagas aos músicos.
O sindicato United Musicians and Allied Workers também se pronunciou: “As pessoas que comandam nossa indústria musical são as mesmas que estão a ‘aumentar a aposta’ na tecnologia militar de IA. Para construir uma indústria musical justa e equitativa, também precisamos desmantelar o imperialismo em todas as suas formas”, escreveu a organização no X, referindo-se a Ek como “um belicista que paga salários de miséria aos artistas”.
Enquanto a pressão cresce, muitos ouvintes anunciam que estão a migrar para outras plataformas ou a apoiar diretamente os artistas, numa tentativa de romper com o modelo do Spotify. Até ao momento, nem Daniel Ek nem a empresa responderam aos pedidos de comentário.














