O uso das redes sociais está a aumentar a vulnerabilidade de adolescentes a problemas de saúde mental, incluindo transtornos de ansiedade e depressão, pensamentos suicidas e autoagressão, revela um relatório da Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e Ocupacional (Anses) citado pelo the conversation. O efeito é particularmente preocupante entre raparigas, que parecem mais sensíveis aos impactos negativos destas plataformas.
O estudo, conduzido ao longo de cinco anos e baseado em mais de mil artigos científicos, analisa como as estratégias digitais das redes sociais exploram as fragilidades emocionais próprias da adolescência. Entre estas estratégias estão os chamados “dark patterns, interfaces e algoritmos que prendem a atenção dos utilizadores e promovem conteúdos cada vez mais personalizados e extremos”.
Segundo os investigadores, “a adolescência é uma fase de grande vulnerabilidade”. O cérebro “ainda está em desenvolvimento, tornando os jovens mais sensíveis a pressões sociais e recompensas imediatas. Esta fase coincide com a exposição contínua a conteúdos que podem alimentar ciclos de ansiedade, depressão ou comportamentos de risco”.
“Se um adolescente pesquisa algo relacionado com autoagressão, os algoritmos podem oferecer repetidamente este tipo de conteúdo, criando uma espiral negativa”, explica Olivia Roth-Delgado, responsável pelo projeto na Anses. “As redes sociais não apenas captam a atenção, como também capitalizam sobre ela, recolhendo dados e vendendo espaço publicitário.”
O relatório destaca ainda que a influência das redes sociais não se limita à saúde mental. Cyberbullying, estereótipos de género, consumo de álcool e drogas e perturbações do sono são fenómenos potenciados pela presença digital intensa e pelo design das plataformas.
O estudo mostra que as raparigas são mais afetadas do que os rapazes, sofrendo mais com pressão social, cyberbullying e comparações com padrões de beleza irreais. As comunidades LGBTQIA+ também representam um grupo de risco elevado, com maior exposição a comportamentos de assédio e discriminação online.
O tempo de utilização das redes sociais é apenas um dos fatores em causa. Importa também como os adolescentes interagem com estas plataformas, seja a publicar conteúdos, a ler comentários ou a seguir tendências, já que a exposição emocional contínua contribui para a deterioração da saúde mental.
Entre as principais recomendações, a Anses sugere:
Que os utilizadores menores de 18 anos acedam apenas a redes sociais adaptadas e configuradas para proteção de menores.
A implementação de soluções técnicas que tornem as plataformas mais seguras, sem recorrer à proibição total.
A promoção de fóruns de discussão entre jovens, pais e educadores, permitindo que adolescentes participem na definição de regras de uso e prevenção de riscos.
Que futuras pesquisas foquem novas tecnologias, como TikTok ou chatbots de IA, para avaliar potenciais impactos na saúde mental.













