Zurich: Um olhar sobre o futuro sustentável do sector segurador

CadernosNotícias
Marketeer
16/01/2026
09:30
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A evolução do papel das seguradoras e o reforço das práticas ESG estão a moldar novas respostas à gestão de riscos e expectativas em rápida mudança.

A sustentabilidade tornou-se um eixo estratégico incontornável para as empresas, principalmente num contexto de riscos climáticos crescentes, transformação regulatória acelerada e novas expectativas por parte de clientes, colaboradores e comunidades. No sector segurador, esta mudança assume relevância: além de proteger pessoas e negócios, as seguradoras têm hoje um papel central na antecipação de riscos, na promoção da resiliência económica e na capacitação das organizações para modelos mais responsáveis e preparados para o futuro.

É neste cenário de exigência, inovação e crescente responsabilidade colectiva que a Zurich tem vindo a reforçar a sua actuação, integrando critérios ambientais, sociais e de governação na estratégia, nos produtos e na relação com todos os públicos. Em entrevista à Marketeer, Liliana Silva, head of Sustainability na Zurich Portugal, aprofunda as prioridades, os desafios e a evolução deste compromisso.

De que forma a sustentabilidade e a responsabilidade social estão integradas na estratégia global da Zurich e como se traduzem na operação em Portugal?

Na Zurich, a sustentabilidade e a responsabilidade social fazem parte do nosso propósito e estão integradas em toda a nossa estratégia de negócio. Acreditamos que, ao incorporar a sustentabilidade em tudo o que fazemos, criamos valor não só para o negócio, mas também para a sociedade e para o planeta.

Em Portugal, traduzimos este compromisso em acções concretas que visam apoiar os nossos clientes e parceiros na gestão de riscos e na preparação para os desafios do futuro. Investimos no desenvolvimento de produtos e serviços que promovem a resiliência financeira e contribuímos para uma economia mais sustentável. Valorizamos também o bem-estar dos nossos colaboradores e incentivamos práticas responsáveis em toda a nossa cadeia de valor.

Estamos empenhados em reduzir o nosso impacto ambiental e em apoiar a transição para a neutralidade carbónica, fortalecendo a resiliência das comunidades perante riscos e fenómenos climáticos cada vez mais severos. Sabemos que estes eventos agravam desigualdades e afectam de forma desproporcionada os grupos mais vulneráveis, pelo que queremos contribuir para a protecção de vidas e negócios.

Através da Missão Azul, o nosso clube de voluntariado, apoiamos iniciativas alinhadas com quatro Objectivos de Desenvolvimento Sustentável: erradicação da fome, saúde e educação de qualidade e redução das desigualdades. A diversidade, inclusão e o bem-estar social são também parte integrante da nossa cultura. Por isso, associámo-nos ao programa “Vencer Emprego” – pois acreditamos no impacto positivo que a real inclusão pode ter e queremos promover oportunidades para jovens autistas e apoiar as suas famílias.

Como evoluiu a abordagem da empresa a estes temas nos últimos anos e quais são hoje as grandes prioridades?

A nossa abordagem à sustentabilidade, assente nos pilares Cliente, Pessoas e Planeta, orienta a nossa actuação e evoluiu para uma integração estratégica e transversal da sustentabilidade em todas as áreas do negócio. Actualmente, as nossas grandes prioridades reflectem este compromisso. No pilar Planeta, actuamos para mitigar e adaptar-nos às alterações climáticas, acelerar a transição para o Net-Zero e reforçar a resiliência perante riscos climáticos, incorporando também riscos e oportunidades associados à natureza. No pilar Cliente, apoiamos a transformação dos clientes rumo a modelos mais sustentáveis, desenvolvendo soluções inovadoras e promovendo relações baseadas na gestão ética e responsável dos dados, alavancando a experiência digital como facilitador da relação com os nossos clientes.

No pilar Pessoas, preparamos os nossos colaboradores para o futuro, investimos no desenvolvimento de competências, na diversidade, inclusão e bem-estar dos colaboradores, criando condições para que possam prosperar.

Que papel pode desempenhar o sector segurador na criação de um modelo económico mais resiliente e preparado para riscos futuros?

O sector segurador tem um papel decisivo na construção de um modelo económico mais resiliente, não apenas pela protecção financeira que oferece, mas pelo profundo conhecimento que detém em gestão de riscos. Este conhecimento permite aconselhar empresas, governos e comunidades sobre como antecipar e mitigar os impactos de fenómenos adversos, desde catástrofes naturais a ciberataques ou riscos pandémicos.

Na Zurich, acreditamos que a colaboração entre o Estado e o sector é essencial para reduzir as lacunas de protecção – a diferença entre as perdas económicas potenciais e as que estão efectivamente cobertas por seguros – e fortalecer a resiliência da nossa sociedade. Exemplos como o Fundo de Emergência criado após os incêndios de Pedrógão ou o Fundo Solidário durante a pandemia mostram o valor destas parcerias.

O sector contribui também através da partilha de dados, de soluções inovadoras, de iniciativas de literacia financeira e de mecanismos de protecção social complementar. Modelos internacionais demonstram que soluções público-privadas, como o co-seguro ou o “pooling”, permitem gerir riscos sistémicos de forma mais eficaz.

Enquanto investidores institucionais, as seguradoras têm ainda um papel relevante no desenvolvimento sustentável e no equilíbrio da sociedade. Ao actuar em todas as etapas da vida das pessoas – desde a protecção face a acidentes, incapacidade, reforma ou desemprego –, as seguradoras ajudam a criar uma sociedade mais resiliente e mais preparada para os desafios do futuro.

A transição climática tem vindo a intensificar riscos. Que desafios identificam neste contexto?

Num sector como o segurador, os riscos associados às alterações climáticas representam desafios relevantes, mas também um impulso para melhorarmos processos, aumentarmos a eficiência e reforçarmos a capacidade de resposta aos clientes. A transição climática exige investimentos significativos em tecnologia, adaptação e mitigação, criando pressão sobre os modelos de negócio e reforçando a necessidade de antecipar riscos.

Em Portugal, fenómenos como inundações, incêndios e ondas de calor têm provocado impactos económicos e sociais profundos, agravados pela baixa penetração de seguros em zonas rurais e agrícolas e pela diferença crescente entre prejuízos económicos e montantes efectivamente cobertos. Esta realidade obriga a uma análise de risco mais rigorosa e inovadora, equilibrando sustentabilidade do negócio e protecção de pessoas e bens.

Os desafios são visíveis em sectores estratégicos como a agricultura, onde a seca e o aumento das temperaturas afectam a produtividade, e o turismo, pressionado pelos efeitos climáticos. Acrescem ainda riscos para a saúde pública, desde mortalidade associada ao calor, ao agravamento de doenças respiratórias e à reemergência de doenças transmitidas por vectores, com especial impacto na população mais vulnerável.

Outro desafio importante é o risco sísmico: apenas uma em cada cinco habitações tem cobertura adequada. Torna-se, por isso, evidente a necessidade de um fundo de catástrofes em Portugal, capaz de actuar de forma rápida e eficiente perante eventos extremos. A sua criação exige a colaboração entre sociedade civil, Estado e sector segurador. A mobilização de todos os agentes é essencial para garantir recursos suficientes e mecanismos de actuação rápida, minimizando os impactos económicos e sociais de catástrofes e promovendo a recuperação sustentável.

Na Zurich estamos empenhados em contribuir para a criação e dinamização deste fundo, reforçando o compromisso com a resiliência da sociedade e da economia portuguesa.

Que soluções ou produtos estão a ser desenvolvidos para apoiar clientes – individuais e empresariais – na adaptação a riscos ambientais cada vez mais complexos?

Estamos a desenvolver soluções que vão além da indemnização tradicional. Por um lado, trabalhamos activamente na criação de produtos de seguro que protegem contra fenómenos naturais, como incêndios, inundações ou tempestades. O Zurich Lar Flex foi recentemente reformulado, passando a incluir cobertura ampliada para eventos climáticos extremos, bem como despesas de demolição, remoção de escombros e reconstrução. Também o seguro automóvel integra protecção contra fenómenos naturais e disponibiliza serviços digitais que aceleram a gestão de sinistros, apoiados por equipas reforçadas para resposta rápida.

A flexibilidade das nossas soluções permite que os clientes se protejam contra riscos climáticos de forma ágil, sem terem de adquirir os produtos mais completos, mas sim adaptá-los de acordo com as suas necessidades.

Por outro lado, investimos em serviços de prevenção e mitigação, trabalhando com especialistas em engenharia de risco para oferecer aconselhamento personalizado, identificar vulnerabilidades e apoiar a adopção de medidas preventivas. Para as empresas, disponibilizamos ferramentas e consultoria que ajudam a avaliar riscos ambientais específicos de cada sector, promovendo práticas mais sustentáveis e resilientes.

Quais as metas da Zurich para a redução da sua pegada carbónica e que medidas estão em curso para as alcançar?

Na Zurich, assumimos o compromisso de sermos uma empresa com emissões líquidas nulas em todo o nosso negócio, investimentos e operações até 2050. Entre as principais medidas que estamos a implementar, destacam-se a redução em 70% das emissões associadas a viagens aéreas e a transição para documentação totalmente digital com os nossos clientes. Temos também o compromisso de renovar, na íntegra, a nossa frota para veículos eléctricos ou híbridos até ao final de 2025. A nossa ambição é atingir a neutralidade carbónica nas nossas operações até 2030 e 75% dos fornecedores com os quais colaboramos terem metas de Net-Zero. Ao nível dos investimentos, pretendemos até 2050 sermos neutros em carbono em todos os nossos portefólios de investimento e aumentar os investimentos de impacto para 5% dos activos próprios até ao final do ano de 2025.

Como estão a trabalhar a sustentabilidade também na cadeia de valor, incluindo parceiros e fornecedores?

Na Zurich, integramos a sustentabilidade na cadeia de valor através de metas claras e de um acompanhamento próximo dos principais fornecedores e parceiros, incentivando a evolução das suas práticas ambientais, sociais e de governação. Procuramos posicionar-nos como parceiro de conhecimento, envolvendo-os em programas de capacitação e assegurando um processo de onboarding alinhado com os nossos compromissos de transição climática e com requisitos ESG.

Investimos igualmente em formação e sensibilização, apoiando a adopção de soluções mais eficientes e inovadoras, desde a redução de emissões até à gestão responsável de recursos. Construímos relações de longo prazo baseadas na confiança e na partilha de objectivos, garantindo que a sustentabilidade é um compromisso conjunto de todo o ecossistema e não apenas uma prioridade interna.

De que forma estão a ser trabalhadas a inclusão, a formação e o bem-estar das equipas dentro da organização?

As nossas pessoas estão no centro da organização e são o nosso principal factor de diferenciação. Queremos garantir um futuro do trabalho assente no desenvolvimento pessoal, na aprendizagem contínua e no bem-estar, promovendo o sucesso individual e colectivo.

Cultivamos uma cultura de diversidade e inclusão, valorizando diferentes perspectivas e experiências, porque acreditamos que equipas diversas tomam melhores decisões e impulsionam a inovação. Um ambiente inclusivo reforça o propósito, melhora a retenção de talento e aumenta a produtividade.

Apostamos também na formação contínua e no desenvolvimento de competências, com programas dedicados à capacitação e à liderança. Incentivamos a mobilidade interna, nacional e internacional, como forma de potenciar o crescimento pessoal e profissional.

O bem-estar é igualmente central. Definimos uma Jornada de Saúde Mental e Bem-Estar e investimos em iniciativas que promovem a saúde física, mental, financeira e social, criando condições para que todos se sintam valorizados, apoiados e capazes de prosperar.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Sustentabilidade e Responsabilidade Social”, publicado na edição de Dezembro (n.º 353) da Marketeer.




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