A televisão tradicional enfrenta um enorme desafio com o crescimento do consumo digital, impulsionado por plataformas como o YouTube, que está a redefinir o conceito de programação audiovisual, sendo hoje os podcasts em formato vídeo um dos principais motores dessa mudança.
Segundo a análise publicada pela Merca2.0, o YouTube deixou de ser apenas uma plataforma de vídeos curtos ou conteúdos avulsos para se afirmar como um verdadeiro hub de programação digital, onde formatos longos, séries recorrentes, transmissões em direto e, sobretudo, podcasts e videocasts conquistam audiências que antes pertenciam à televisão.
Os podcasts, que começaram como um formato essencialmente baseado em áudio, encontraram no YouTube um novo espaço de expansão, transformando-se em conteúdo audiovisual de longa duração. Programas de entrevistas, debates, humor ou análise cultural, gravados em estúdio e distribuídos em vídeo, tornaram-se alguns dos conteúdos mais vistos da plataforma, sendo que para muitos utilizadores, estes podcasts vieram substituir talk-shows ou programas de entrevistas da televisão tradicional.
Isto desde logo porque estes formatos permitem um consumo sem horários fixos, assistir a episódios longos sem cortes, uma maior proximidade entre os criadores e a audiência e liberdade criativa e editorial.
O sucesso dos podcasts no YouTube, que são muitas vezes vistos na própria televisão, revela que o público já não procura uma grelha televisiva, mas sim conteúdos recorrentes que criem hábito, com muitos criadores a publicarem episódios semanais ou mesmo diários, construindo uma lógica de programação que, embora digital, cumpre a mesma função da televisão.
E este modelo é particularmente eficaz junto das gerações mais jovens, que já encaram o YouTube como o seu principal “canal” de entretenimento e informação, o que abre caminho para as marcas poderem explorar oportunidades para lá dos spots publicitários tradicionais e que já estão a ser exploradas como o patrocínio aos podcasts e programas, patrocínios integrados no próprio discurso ou product placement contextual.














