Volta: conheça a marca e as máquinas que vão pagar 10 cêntimos por cada embalagem

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Rafael Ascensão
04/03/2026
18:30
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Rafael Ascensão
04/03/2026
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A SDR Portugal revelou esta quarta-feira a marca e identidade oficial do novo Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), que entra em vigor no dia 10 de abril de 2026. A “Volta”, marca agora revelada, será o rosto visível de um modelo que pretende transformar e revolucionar a recolha e reciclagem de embalagens de plástico, metal e alumínio em Portugal.

O sistema abrangerá embalagens de bebidas de plástico, metal e alumínio até três litros, funcionando através de um mecanismo simples: o consumidor paga um depósito de 10 cêntimos no momento da compra e recupera esse valor quando devolve a embalagem num ponto autorizado. O objetivo passa por aumentar as taxas de recolha seletiva e aproximar Portugal das metas europeias, que apontam para 90% de recolha destas embalagens até 2029.



“O sistema de depósito e reembolso é um sistema complexo que vem mudar comportamentos, mudar as mentalidades dos consumidores. Nós tivemos durante anos a esmagar garrafas e latas de bebidas e vamos, a partir do dia 10 de abril, pedir às pessoas para passar a guardar essas embalagens intactas para as devolver numa das mais de 2.500 máquinas que vão estar espalhadas pelo país, para receber de volta os 10 cêntimos que pagaram quando as compraram”, começou por enquadrar Lia Oliveira, diretora de marketing e comunicação da SDR Portugal, à Marketeer.

A criação da marca foi, portanto, essencial para suportar esta transição comportamental. “Estamos a falar de um sistema complexo que vem mudar mentalidades. Ter uma marca faz todo o sentido, porque vai ser a cara, a voz e a ilustração deste grande projeto de economia circular, que assim consegue criar uma relação emocional com base neste propósito que tem de mobilizar as pessoas para deixarem um planeta melhor”.

Segundo explicou a responsável à margem da sessão de apresentação da nova marca, o nome “Volta” nasce precisamente desse conceito de circularidade, sendo que o próprio logótipo integra uma seta no “O”, o que reforça visualmente a ideia de ciclo fechado. A aposta passa, assim, por ir além da dimensão institucional do “palavrão SDR” e criar uma ligação emocional com os cidadãos. “A Volta é a marca do consumidor, é aquela que vai criar essa relação”, acrescenta.

Mas se a comunicação é um dos pilares do projeto, a operação não é menos exigente, pois o sistema envolve uma infraestrutura nacional, com máquinas de grande dimensão instaladas sobretudo em supermercados, recolha e transporte para centros de contagem e triagem e um sistema informático robusto.

“A partir do momento em que as embalagens passam a valer dinheiro, há muita permeabilidade à fraude. O sistema informático tem de ser à prova de bala para garantir que cada voucher é único, intransmissível e destruído depois de resgatado”, detalha a diretora de marketing e comunicação.

O desafio é, por isso, tripartido: logística, tecnologia e mudança de comportamentos. “A parte da comunicação é igualmente grande, tendo em conta os outros dois”, aponta.

Estratégia de comunicação e sensibilização

Isto até porque, estando-se a falar de uma “mudança de comportamentos de 10,7 milhões de habitantes no país e 29 milhões de turistas”, a comunicação tem de ser “muito massiva, muito consistente, muito clara e com muita frequência, muito repetitiva”, realça Lia Oliveira. E é neste âmbito que a apresentação da marca é acompanhado por uma estratégia de comunicação e campanha de lançamento.

Esta estratégia que acompanha o lançamento desta marca – que arranca desde já, com o lançamento do site e das redes sociais da Volta (Facebook e Instagram) – desenvolve-se em três etapas.

A primeira fase, antes de 10 de abril, centra-se em explicar o que vai mudar, quando e como. Com o arranque do sistema, inicia-se uma segunda fase focada na experimentação e em incentivar os cidadãos a utilizarem as máquinas – onde se lê “toma lá, dá cá” – pela primeira vez e a terem uma experiência positiva.

Entre 10 de abril e 9 de agosto coexistirão embalagens com e sem símbolo Volta, pelo que será a partir de 10 de agosto – data a partir da qual apenas circularão embalagens abrangidas pelo sistema – que se inicia a terceira fase da estratégia de comunicação que passa por uma “comunicação total de mudar comportamentos, de criar novas rotinas e fazer parte do dia-a-dia dos portugueses”.

“Estamos a falar de uma mudança de comportamentos de 10,7 milhões de habitantes e 29 milhões de turistas. A comunicação tem de ser muito massiva, consistente, clara e repetitiva”, afirma Lia Oliveira, sobre um plano que envolve presença em televisão, rádio, eventos, presença em escolas e nas praias.

Para garantir a afirmação da marca Volta junto dos portugueses, a SDR conta também com uma “grande vantagem” que é dispor de 2.500 máquinas espalhadas por supermercados. “Temos logo ali um cartão de visita que ajuda muito, porque as pessoas vão ao supermercado e deparam-se com as máquinas e com a marca. Depois é uma questão de amplificar e de estar junto da vida das pessoas. Vai ser uma campanha de comunicação muito grande, exatamente para garantir que num curto espaço de tempo – até ao final do ano – a grande maioria das pessoas reconhece a marca”, explica a responsável.

O desenvolvimento da identidade da marca e da campanha de lançamento que a acompanham ficou a cargo da Dentsu Creative Portugal, que também gere o marketing de influência e as redes sociais da Volta. A assessoria de imprensa e a comunicação com key opinion leaders é da responsabilidade da All Comunicação, enquanto a Wavemaker gere a estratégia e compra de espaço em media.

Sem revelar o montante investido na estratégia de comunicação, a responsável assegura que o orçamento é “adequado ao objetivo” e que esse mesmo objetivo é claro: atingir uma taxa de recolha de 90% até 2029. Em causa estão cerca de 2,1 mil milhões de embalagens de plástico e metal, até três litros, colocadas anualmente no mercado português. “O nosso grande número é a taxa de recolha”, resume.

A confiança no sucesso da marca e do projeto assenta também na experiência internacional, tendo em conta que 18 países europeus já têm atualmente sistemas de depósito e reembolso em funcionamento, alguns há mais de 40 anos. “E na média, recolhem 90% das embalagens. Esse é o maior garante que temos de que o cidadão adere a este tipo de sistema”, refere.

“E em Portugal vamos implementar um sistema muito semelhante, em que as pessoas pagam o valor de depósito, devolvem a embalagem e recebem o valor de volta. O cidadão reage bem a esta responsabilização em prol do ambiente. É verdade que nós temos um desafio adicional, somos o primeiro país do sul da Europa, com todas as questões que isso envolve – quer culturais, quer a nível de turismo que temos -, mas estamos absolutamente confiantes de que vai haver uma mudança de comportamento e de paradigma”, conclui.

Como funciona

Com a aquisição de uma bebida em embalagens de plástico, metal ou alumínio abrangidas pela Volta, os consumidores pagam assim um valor adicional de 10 cêntimos que funciona como uma caução.

Para receber o dinheiro de volta, os consumidores precisam apenas de entregar as embalagens vazias num Ponto de Recolha em condições de serem aceites, podendo escolher como querem o reembolso, em formato voucher convertível em dinheiro, voucher de desconto em loja, cartão de fidelização, doação ou soluções digitais futuras.

Para ser aceite no sistema das máquinas, cada embalagem tem de ter o símbolo Volta, estar intacta, não pode estar espalmada, não ter líquido, ter tampa e um código de barras legíveis.

Este processo de devolução envolve a colocação das embalagens na boca das máquinas espalhadas nos cerca de 2.500 Pontos de Recolha volta (recolha automática) em super e hipermercados e nos 48 Quiosques volta, presentes em 36 municípios, assim como em cafés, restaurantes, bares e similares onde tenham sido adquiridas as embalagens.

Sublinhe-se que os consumidores não são obrigados a gastar o valor na loja onde foi feita a devolução, podendo sempre pedir o valor em dinheiro.




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