Sustentabilidade, inclusão e responsabilidade social cruzam-se hoje numa estratégia que procura gerar impacto real nas comunidades e no território.
Ao longo das últimas duas décadas, os centros comerciais deixaram de ser apenas espaços de consumo para assumirem um papel cada vez mais relevante na dinâmica económica, social e cultural das regiões onde se inserem. Hoje, mais do que atrair visitantes, são chamados a gerar impacto positivo, a promover a inclusão e a assumir compromissos concretos com o futuro.
Com mais de 20 anos de presença no território, os dois centros da VIA Outlets em Portugal – o Freeport Lisboa Fashion Outlet e o Vila do Conde Porto Fashion Outlet – têm-se afirmado como motores de desenvolvimento regional, influenciando comunidades, criando emprego e estabelecendo uma ligação contínua com autarquias, instituições e parceiros locais. Essa actuação traduz-se hoje numa estratégia estruturada (Beyond Sustainable), que reúne preocupações ambientais, responsabilidade social, inclusão, diversidade e envolvimento activo da comunidade.
UMA SUSTENTABILIDADE QUE SE MEDE NA PRÁTICA
A estratégia Beyond Sustainable assenta em quatro grandes pilares – edifícios sustentáveis, consumidores conscientes, comunidades resilientes e stakeholders envolvidos – e materializa-se num conjunto de iniciativas mensuráveis. Ao nível da mobilidade, foram criados 85 pontos de carregamento para veículos eléctricos, em parceria com a Atlante, promovendo uma transição mais limpa no acesso aos centros. A eficiência energética é outra das áreas em destaque: os dois espaços contabilizam, no total, mais de 2200 painéis fotovoltaicos instalados, sendo que cerca de 70% da iluminação dos parques de estacionamento já funciona com energia de origem solar ou eólica.
A gestão da água é feita através de sistemas inteligentes de reaproveitamento de águas pluviais, regulação de caudais e detecção de fugas, num contexto em que a escassez hídrica se tornou uma preocupação estrutural. A esta base operacional juntam-se acções de formação e sensibilização junto das equipas e dos lojistas, através de iniciativas como o Sustainability Challenge, que procura transformar hábitos, processos e decisões no dia-a-dia.
Também no campo da moda circular surgem projectos que privilegiam o reaproveitamento e o consumo responsável, como iniciativas de recolha de roupa em parceria com a Zero Desperdício ou projectos que desafiam os consumidores a dar uma segunda vida às peças, como acontece na Big Closet x Re.love – loja de venda de artigos premium e de luxo em segunda mão.
INCLUSÃO, ACESSIBILIDADE E PROPÓSITO SOCIAL
A sustentabilidade assume aqui uma dimensão claramente social. A acessibilidade é um dos eixos de actuação mais consistentes, com os dois centros a serem reconhecidos pelo trabalho desenvolvido nesta área. Pisos tácteis, sinalética adaptada e serviços de Shopping Assistance são exemplos de intervenções que valeram distinções atribuídas pela Associação Salvador, assim como a certificação por parte da empresa Access4you, no quadro de uma estratégia que coloca a mobilidade e a autonomia no centro da experiência.
No plano do combate à pobreza e exclusão social, destaca-se, em particular, o envolvimento com a Refood Alcochete, através da cedência de espaços e do envolvimento activo das equipas do centro na resposta às necessidades da comunidade local.
A promoção da igualdade e da diversidade tem também expressão na programação cultural e artística. A criação da bolsa Women in Art Fellowship (WAF), em parceria com a Portugal Manual e a SOTA – State of the Art, com Joana Vasconcelos como madrinha, resultou já na escolha da primeira vencedora e na realização da exposição “Women in Art: 10 Mulheres. Uma Voz”, patente ao público até Fevereiro de 2026 no centro de Vila do Conde. Um projecto que conjuga financiamento, mentoria e visibilidade para artistas emergentes fora dos circuitos institucionais.
Outras iniciativas de visibilidade e diversidade passam por campanhas como Be Proud, Be You, ou por projectos desenvolvidos com a VilacomVida, que procuram integrar a diferença como valor central e dar palco a novas narrativas dentro do espaço comercial.
DOIS TERRITÓRIOS, UMA VISÃO PARTILHADA
Apesar de partilharem a mesma visão estratégica, cada um dos centros desenvolve a sua identidade de forma autónoma, em função do território onde se insere. No norte, o Vila do Conde Porto Fashion Outlet tornou-se uma referência internacional ao ser distinguido, em 2025, como o centro comercial mais sustentável do mundo na certificação BREEAM In-Use, com resultados superiores a 97%, quer ao nível do desempenho do activo, quer da gestão do edifício. A recente expansão manteve esse nível de exigência, integrando painéis solares, iluminação LED, reaproveitamento de águas pluviais e soluções arquitectónicas de baixo impacto ambiental.
A nova entrada dedicada ao Metro do Porto reforça também o compromisso com a mobilidade sustentável. A ligação à identidade local ganha expressão no conceito Beautiful Local, que presta homenagem às raízes arquitectónicas da região e se materializa, entre outros elementos, nas esculturas monumentais de Cristina Rodrigues em tributo aos pescadores e ao mar.
Mais a sul, o Freeport Lisboa Fashion Outlet aposta na regeneração do ecossistema envolvente através de um projecto paisagístico assente em plantas autóctones, criando zonas de descanso naturais que favorecem a biodiversidade e atraem polinizadores. Uma estufa para recuperação de espécies vegetais e a criação de uma horta comunitária, com objectivos pedagógicos e de envolvimento social, reforçam essa aposta no contacto com a natureza e na produção local. A remodelação da entrada principal e do canal central, por sua vez, responde a critérios de conforto, acessibilidade e sofisticação.
OS CENTROS COMO PLATAFORMAS DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL
Com milhares de postos de trabalho directos e indirectos gerados ao longo dos anos, um impacto significativo no turismo nacional e internacional e uma relação estreita com os territórios onde se inserem, os dois centros da VIA Outlets consolidam-se hoje como plataformas de desenvolvimento económico e social.
Num contexto em que consumidores, marcas e investidores valorizam cada vez mais o propósito e a coerência entre discurso e prática, estes projectos ilustram uma transformação mais profunda do sector do retalho. A sustentabilidade já não é apenas um atributo ambiental: é um modelo de gestão, uma atitude perante a comunidade e uma forma de pensar o futuro de forma integrada. Entre norte e sul, a mesma lógica orienta uma ambição comum – criar espaços de consumo que também sejam de cidadania, inclusão e compromisso com o longo prazo.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Sustentabilidade e Responsabilidade Social”, publicado na edição de Dezembro (n.º 353) da Marketeer.














