Uma história de inovação e ambição

Cadernos
Marketeer
12/08/2025
09:00
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Com raízes em Torres Vedras e no sector alimentar, a AdegaMãe nasceu do sonho familiar de homenagear a matriarca que dá nome à adega e da paixão pela terra e pelo vinho. Desde 2010, a marca cresceu de forma consistente, sustentada por 45 hectares de vinha própria e presença em 36 mercados internacionais. A identidade dos seus vinhos é marcada pela frescura e mineralidade do terroir atlântico, aliada a uma aposta constante na inovação e sustentabilidade. Em entrevista à Marketeer, Bernardo Alves, director-geral, fala do portefólio e da estratégia da AdegaMãe.

A AdegaMãe nasceu da visão empresarial da família Alves. O que vos motivou a entrar no sector dos vinhos e como evoluiu o projecto desde 2011?

A AdegaMãe nasceu de um sonho antigo da família Alves, com raízes em Torres Vedras e no sector alimentar, especialmente no bacalhau, pela Riberalves. O vinho sempre fez parte do nosso quotidiano e o projecto surgiu para homenagear a matriarca da família – a “mãe” que dá nome à adega – e pela paixão pela terra e pelo vinho.

Idealizámos o projecto em 2007, começámos a construir a adega em 2009 e lançámos o primeiro vinho em 2010, com o enólogo Diogo Lopes. Ao longo destes 15 anos, crescemos de forma sustentada: temos 45 hectares de vinhas, produzimos 3,5 milhões de garrafas por ano, estamos em 36 mercados e registámos um crescimento médio anual de 20%.

O nosso objectivo é construir uma marca forte que una terroir, qualidade e modernidade, criando identidade e contando histórias em cada garrafa.

A região de Lisboa, marcada por forte influência atlântica, tem vindo a ganhar maior destaque. Que papel tem desempenhado este terroir na identidade dos vossos vinhos?

O nosso terroir atlântico é a base do nosso estilo. As condições em Torres Vedras – proximidade ao mar, ventos constantes e clima equilibrado – permitem maturações lentas, produzindo vinhos frescos, minerais e com boa acidez.

Isso resulta em vinhos elegantes, onde fruta, mineralidade e notas vegetais se equilibram. Exemplos como o Vital e o Viosinho mostram o futuro da região: brancos com identidade, aroma preciso e óptimo potencial gastronómico.

Apesar disso, Lisboa ainda enfrenta desafios de notoriedade. Queremos ajudar a valorizar o seu potencial e elevar a qualidade dos vinhos da região.

Actualmente, como está articulado o vosso portefólio de marcas, que vai desde o Pinta Negra aos vinhos de parcela e terroir? Já estão a considerar novos segmentos para este portefólio?

O nosso portefólio cobre diferentes momentos de consumo e perfis, sempre com foco na qualidade. O Pinta Negra, marca de entrada, é descomplicado, acessível e tem aberto portas no mercado internacional.

Investimos também nos vinhos de terroir e parcela, explorando castas como Castelão, Viosinho e Pinot Noir, para consumidores mais exigentes e detalhistas.

A marca Dory, num segmento intermédio, alia frescura e versatilidade gastronómica, sendo um dos nossos principais activos, distinguida como “Marca do Ano” em Portugal. Recentemente, também lançámos vinhos em lata para atrair um público jovem e urbano, acompanhando novas tendências sem perder a identidade.

A inovação tem sido uma aposta constante, com castas como Viosinho, Viognier ou Pinot Noir. Como escolhem estas experiências e com que objectivos?

A inovação faz parte do nosso ADN. Escolhemos castas como Viosinho, Castelão e Pinot Noir após cuidadosa avaliação da sua adaptação ao nosso terroir atlântico e aos mercados onde estamos presentes. Procuramos diferenciação, frescura e elegância. O Pinot Noir, por exemplo, revela aqui uma expressão atlântica única.

Estes vinhos diversificam o portefólio e desafiam o status quo, reforçando a nossa proposta para consumidores que valorizam novidade e qualidade.

Com cerca de 70% da produção destinada à exportação, quais são actualmente os mercados mais estratégicos para a marca?

A internacionalização é fundamental na nossa estratégia. A Colômbia é o principal mercado externo, destacando-se o Pinta Negra, e o Brasil está em forte crescimento, com vendas anuais acima de 1 milhão de euros.

Apostamos também no Canadá e EUA, onde há potencial para o vinho português, e queremos alcançar 15 milhões de euros em facturação nos próximos quatro anos, consolidando a Dory e explorando África do Sul e Chile.

Exportar para 36 países exige adaptação e consistência. Para dar resposta a estes desafios, investimos na comunicação, formação e presença em feiras internacionais para manter a marca forte globalmente.

O enoturismo é hoje uma componente importante da vossa actividade. Que impacto tem tido no reconhecimento da marca e nas vendas?

O enoturismo é um dos nossos maiores trunfos, oferecendo uma experiência sensorial completa através de visitas, provas, eventos e o restaurante Sal na Adega.

Este cuidado valeu-nos o título de Melhor Restaurante de Enoturismo de Portugal, ajudando a fidelizar clientes e aumentar a venda directa. Também reforça a presença no segmento premium, atraindo turistas em busca de autenticidade.

Em termos de sustentabilidade, que práticas já estão implementadas e que metas estão a ser traçadas para dar resposta a desafios de médio prazo?

Na AdegaMãe, a sustentabilidade é um compromisso de longo prazo. Usamos vinha de sequeiro, sem rega artificial, aplicamos protecção integrada, promovemos a biodiversidade e investimos na eficiência energética e redução da pegada carbónica. Reinvestimos cerca de 1 milhão de euros por ano para garantir crescimento sustentável, vendo a sustentabilidade como exigência actual e vantagem futura.

Como trabalham a comunicação da marca AdegaMãe, tanto nos mercados nacionais como internacionais?

Temos comunicação omnicanal, com presença activa no Instagram, Facebook e LinkedIn. Investimos cerca de 400 mil euros por ano em promoção, feiras e storytelling.

Adaptamos o discurso a cada mercado, mantendo a coerência da marca e destacando a origem, o terroir atlântico e o carácter dos nossos vinhos, com uma linguagem visual cuidada e abordagem emocional e técnica.

Como equilibram a distribuição entre grandes superfícies, canal Horeca e venda directa?

Adoptamos uma estratégia multicanal. O canal Horeca é fundamental para valorizar os vinhos de terroir e monocasta. As grandes superfícies garantem a projecção da marca, sobretudo com o Pinta Negra e o Dory. A venda directa – na loja física, online e no enoturismo – cresce em importância pela margem e pela ligação directa ao consumidor.

Com uma adega moderna e enologia liderada por Diogo Lopes, como descrevem o estilo AdegaMãe?

O estilo AdegaMãe é atlântico, preciso e autêntico. Produzimos vinhos frescos, com fruta expressiva, estrutura elegante e mineralidade marcante. Desde a primeira vindima, o enólogo Diogo Lopes tem dado consistência ao projecto.

Valorizamos a tipicidade da região de Lisboa, com brancos vibrantes e tintos elegantes, de taninos suaves e acidez equilibrada. A aposta em castas como Vital, Arinto, Castelão e Pinot Noir reflecte a busca por autenticidade, sempre com um olhar contemporâneo e internacional.

A arquitectura do espaço tem sido amplamente reconhecida. Sentem que essa imagem contemporânea também se reflecte na vossa abordagem ao vinho?

Sim, totalmente. A arquitectura da AdegaMãe expressa a nossa filosofia: moderna, funcional e ligada ao território. O edifício integra-se na paisagem de Torres Vedras, unindo tradição e modernidade.

Essa visão está presente nos vinhos, onde combinamos técnicas enológicas actuais com práticas sustentáveis e uma leitura moderna dos perfis de consumo. Queremos que tudo – da garrafa ao rótulo, da adega ao vinho – transmita uma identidade clara e distinta.

Quais são as vossas prioridades estratégicas para os próximos anos, tanto no mercado interno como nos mercados externos?

As prioridades passam por reforçar a notoriedade da Adega- Mãe na região de Lisboa, crescer no canal Horeca e venda directa, apoiados no enoturismo.

No exterior, consolidar Colômbia e Brasil e expandir nos EUA, Canadá, África do Sul e Chile.

Vamos continuar a inovar no portefólio, mantendo a qualidade, e apostar em sustentabilidade, digitalização e enoturismo para afirmar a marca no vinho português contemporâneo.

A chegada do Verão traz novidades ao vosso portefólio? O que destacam nestas novas colheitas?

Lançámos seis novas colheitas de Verão, reflectindo a frescura do nosso terroir atlântico: cinco brancos e um tinto leve. Destacam-se o Vital fermentado em ovo de cimento, o Viosinho de solo calcário, os varietais Arinto e Viosinho, o versátil Dory Branco 2024 e um elegante Castelão.

Pensados para harmonizar com pratos da estação, oferecem experiências marcantes, do piquenique ao jantar ao pôr do sol, reforçando o nosso compromisso com frescura, autenticidade e prazer à mesa.

Este artigo faz parte da edição de Julho (n.º 348) da Marketeer.




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