O início de 2026 trouxe uma nova vaga de aumentos de preços, mas os serviços de streaming de vídeo estão a registar subidas particularmente acentuadas levantando dúvidas sobre a sustentabilidade de aumentos regulares quando os orçamentos familiares estão cada vez mais apertados.
De acordo com dados recentes do Bureau of Labor Statistics nos EUA, a categoria “assinatura e aluguer de vídeo e videojogos”, que inclui serviços de streaming, aumentou 19,5% entre novembro e dezembro de 2025.
Para efeito de comparação, a inflação mensal geral foi de apenas 0,3%. As subscrições de música (como Spotify) subiram apenas 1,1%, o mesmo valor registado por cabo, satélite ou TV em direto, segundo o The Hollywood Reporter.
No Reino Unido e na Europa, aumentos semelhantes têm sido registados, embora a partir de preços mais baixos. Especialistas apontam como causas o aumento dos custos de produção, bem como o preço da aquisição de eventos desportivos ao vivo e grandes espetáculos.
Quanto custa agora o streaming?
Apple TV+ aumentou a assinatura em £1 (€1,15) em agosto, para £9,99 (€11,50), quase o dobro do valor de 2019.
A Netflix mantém aumentos anuais e diferentes planos, com e sem anúncios; o plano mais caro no Reino Unido custa £18,99 (€22), e nos EUA $24,99 (€23,50).
Entre 2015 e 2025, a receita global da Netflix cresceu 537%.
O consumidor médio norte-americano gasta cerca de $90 (€85) por mês em subscrições. No Reino Unido, o valor médio anual por casa para serviços de streaming de filmes e TV é de £175 (€202), segundo dados do Barclays.
Um estudo da WARC revela que, globalmente, cerca de um terço das subscrições é cancelado anualmente, embora os utilizadores continuem a consumir mais de 927 milhões de horas de conteúdo por dia. A análise mostra ainda que clientes satisfeitos com o conteúdo são menos propensos a cancelar e tendem a ter uma perceção mais positiva da publicidade, considerando-a de melhor qualidade, aceitável em volume e até mais apelativa.
O cenário indica que a sustentabilidade do modelo de streaming dependerá cada vez mais da qualidade e da satisfação do conteúdo, num contexto em que os aumentos de preço já não podem ignorar a pressão sobre os orçamentos familiares.














