Num mercado marcado pela velocidade da informação e pela influência das redes sociais, manter a relevância tornou-se um dos maiores desafios para as marcas. Um novo relatório da QuestBrand, empresa do grupo The Harris Poll, revela que o equilíbrio entre credibilidade e presença cultural é cada vez mais difícil e decisivo para o sucesso.
De acordo com o estudo, divulgado a 6 de fevereiro de 2026, optar por estratégias conservadoras pode ajudar a preservar a confiança dos consumidores, mas raramente desperta atenção ou gera envolvimento. Em sentido inverso, uma forte aposta nas redes sociais pode impulsionar a notoriedade, mas também expor rapidamente as marcas a críticas, sobretudo junto dos públicos mais jovens, mais sensíveis às tendências digitais.
Ainda assim, nem todas as marcas reagem da mesma forma à polémica. Algumas conseguem resistir melhor à pressão mediática, mesmo quando adoptam abordagens semelhantes às dos concorrentes. A diferença, explica o relatório, está na relação de confiança construída ao longo do tempo com os consumidores.
O relatório “A Brand Leader’s Playbook” analisa dados recolhidos diariamente junto de consumidores representativos da população norte-americana. O indicador central, denominado Brand Momentum, mede a perceção da evolução de uma marca face à concorrência. Resultados acima dos 20% indicam que os consumidores veem a marca como estando em crescimento.
Entre os casos destacados estão a Shein e a Temu, duas plataformas de comércio electrónico com estratégias semelhantes, mas percursos distintos. A Shein, com um índice de 23%, tem beneficiado da viralidade em plataformas como o TikTok e da rápida adaptação a microtendências, conseguindo manter o interesse do público apesar das críticas relacionadas com questões laborais e regulatórias. Já a Temu, que atingiu um momentum de 27%, enfrentou maiores dificuldades após problemas ligados à confiança dos consumidores, tarifas e enquadramento legal, não conseguindo recuperar o impacto inicial.
O estudo chama ainda a atenção para os riscos enfrentados por marcas que crescem rapidamente sem uma base sólida. A Peloton é apontada como exemplo: após um crescimento explosivo durante a pandemia, a marca perdeu força quando o mercado mudou e a confiança não foi suficiente para sustentar o entusiasmo inicial.
Em contrapartida, marcas com um legado consolidado conseguem reinventar-se. A Carhartt, historicamente ligada ao vestuário profissional, expandiu o seu alcance junto de públicos mais jovens e do universo streetwear, apoiando-se na sua reputação de durabilidade e qualidade. Com um Brand Momentum de 26%, mantém-se relevante sem perder a sua identidade.














