Quando o tema é vender, o ChatGPT desperta a curiosidade, mas é o Google que ainda fecha o negócio

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Marketeer
03/11/2025
16:55
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03/11/2025
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A inteligência artificial prometia transformar o comércio eletrónico, mas a realidade mostra um cenário mais complexo do que o esperado. O ChatGPT e outros modelos gerativos estão a impulsionar o tráfego para as lojas online, contudo esse aumento de visitantes ainda não se traduz em vendas significativas. O grande dilema do eCommerce atual não é atrair utilizadores, mas convertê-los em compradores.

Um estudo conjunto das universidades de Hamburgo e da Frankfurt School analisou o desempenho de 973 sites de comércio eletrónico ao longo de um ano e concluiu que o tráfego proveniente do ChatGPT e de outros sistemas baseados em IA representa apenas 0,2% das sessões totais, um valor cerca de 200 vezes inferior ao gerado pela pesquisa orgânica do Google. Embora os utilizadores que chegam através de modelos conversacionais passem mais tempo a explorar as lojas e demonstrem curiosidade pelas marcas, a probabilidade de concretizarem uma compra é significativamente mais baixa.

Os dados revelam ainda que os links de afiliados e as pesquisas tradicionais continuam a oferecer melhores resultados. Em média, os programas de afiliação registam taxas de conversão 86% superiores às visitas originadas pelo ChatGPT, enquanto a pesquisa orgânica do Google apresenta uma eficácia 13% maior do que a da IA conversacional. Assim, verifica-se uma aparente contradição: a ferramenta que promete personalização, contexto e diálogo é capaz de despertar interesse, mas ainda não gera confiança suficiente para concretizar a venda.

A explicação para este fenómeno começa na intenção do utilizador. Quem recorre ao ChatGPT raramente está decidido a comprar; está, antes, numa fase exploratória. Os consumidores utilizam a IA como ponto de partida para descobrir novos produtos ou marcas, mas recorrem a outros canais, como motores de busca ou plataformas de avaliação, para confirmar preços, opiniões e disponibilidade. Em suma, o ChatGPT desperta a curiosidade, mas é o Google que ainda fecha o negócio.

Segundo estimativas da eMarketer, o tráfego gerado pela inteligência artificial cresce a um ritmo de 12% por mês, embora o seu impacto direto nas vendas ainda represente apenas 0,3% do total do comércio eletrónico mundial. Contudo, prevê-se que em 2026, com a integração de sistemas de pagamento direto e recomendações personalizadas dentro das próprias plataformas de IA, essa percentagem possa triplicar.

 




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