A Marketeer inicia este mês uma série de pequenos-almoços com responsáveis de marketing de empresas farmacêuticas. O objectivo é a abordagem de temas transversais ao sector, desde o próprio marketing às questões logísticas.
O sector farmacêutico é um dos que mais dinheiro movimenta em todo o mundo. Só em Portugal foram vendidos mais de 1,8 mil milhões de euros em medicamentos no ano passado, segundo dados da consultora IMS Health. Mas é também um dos mais incompreendidos e que mais dúvidas suscita na população em geral, não só devido às restrições à sua comunicação, como ao facto de as empresas se terem “fechado” sobre si próprias ao longo do tempo. Há, porém, da parte dos seus profissionais de comunicação e marketing, uma vontade de dar a conhecer de forma mais profunda e transparente o sector ao mercado, numa altura em que o paradigma é completamente diferente em relação ao que acontecia há uns anos e em que a comunicação tem que ser cada vez mais bidireccional.
Sob este mote, a Marketeer dá início nesta edição a um conjunto de pequenos-almoços debate, que irão reunir profissionais de algumas das mais relevantes empresas farmacêuticas portuguesas ou com operação no mercado português. Mergulhar na macroeconomia das farmacêuticas, distinguindo os players que directa ou indirectamente a compõem e quais as relações entre si, analisar a forma como as farmacêuticas são percepcionadas pelo público em geral, quais as estratégias de comunicação (cada vez mais intensivas, quer ao nível de acções de activação, quer nos canais above the line) e segmentação, bem como dar a conhecer a cadeia de valor por detrás do sector e qual o seu contributo para a Investigação e Desenvolvimento, são alguns dos temas que serão tratados, com uma periodicidade trimestral.
No primeiro pequeno-almoço debate da Marketeer, que decorreu no Hotel Dom Pedro Palace, em Lisboa, os responsáveis partilharam algumas preocupações acerca da forma como o sector é percepcionado pelo mercado. «Há uma imagem muito deturpada por parte do público. Queremos ajudar a esclarecer o marketing da indústria»; «Não podemos comunicar os nossos produtos sem ser os OTC [em português, medicamentos de venda livre], como se fossem águas ou refrigerantes. Também não se valoriza a cadeia de valor porque o cliente não percebe como é que alguém pode lucrar com a sua doença»; «O sector é cinzento porque vivemos num mundo completamente fechado. A nossa reputação é excelente dentro dos profissionais de saúde, mas esses não são os únicos destinatários da nossa comunicação», foram algumas das opiniões partilhadas.
Neste primeiro pequeno-almoço, estiveram presentes os seguintes directores de Marketing: Filipe Novais (Astellas); Luís Aguiar (Medinfar); Manuel Correia (Bial); Rui Rijo Ferreira (Jaba Recordati) e Sónia Schalk (MSD).
Artigo publicado na edição n.º 212 de Março de 2014.














