Opinião de André Marques da Silva, CEO da GMS
Durante anos, o sucesso no marketing digital foi avaliado através de métricas imediatas e visíveis, os cliques, visualizações e gostos criaram uma sensação de controlo e eficácia, mas com o tempo, tornou-se evidente que estes indicadores raramente traduzem o verdadeiro impacto de uma marca, especialmente em setores onde a decisão de compra envolve investimento, expectativa e relação de longo prazo.
Ao longo de mais de uma década ligado ao retalho tecnológico de gama alta, aprendi que os números fáceis raramente contam a história inteira. A experiência no terreno ensinou-me que a relevância de uma marca não se mede pelo ruído que gera, mas pela confiança que constrói, que não é instantânea nem superficial. Ao longo dos anos aprendia que a mesma se constrói com consistência, coerência e capacidade de entrega ao longo do tempo. No setor tecnológico, esta distinção é particularmente crítica.
Ao contrário do que muitos ainda pensam, os consumidores não procuram apenas dispositivos, mas orientação, segurança e uma experiência que faça sentido num ecossistema cada vez mais complexo. As métricas centradas apenas em tráfego ou engagement falham na leitura do essencial: a perceção de valor, a literacia digital adquirida, a probabilidade de retorno e a recomendação genuína.
A experiência que acumulei na criação e expansão de operações de retalho tecnológico em Portugal confirmou esta realidade. A decisão de investir em pós-venda, formação e acompanhamento contínuo não nasceu de tendências de marketing, mas da observação direta do comportamento do cliente. Quando a relação é bem construída, o impacto manifesta-se de forma menos ruidosa, mas muito mais sólida.
É que medir impacto implica escutar. Implica aceitar que nem tudo o que é relevante cabe num dashboard e que a confiança se sente na recorrência, na fidelização e na forma como o cliente regressa e recomenda. Sente-se também na exigência crescente, sinal de que a marca passou a ser vista como referência.
Num contexto em que a tecnologia evolui mais depressa do que a capacidade média de a compreender, quem opera neste setor tem uma responsabilidade acrescida. A experiência mostrou-me que marcas que assumem um papel educativo, claro e transparente constroem relações mais duradouras e são essas relações, mais do que qualquer métrica de vaidade, que sustentam o crescimento a longo prazo.













