Por Teresa Burnay, Business Unit and Media Director da Unilever FIMA
Quando me disseram “tema livre”, cheguei a recear pela integridade da revista… Uma oportunidade para emitir opiniões sem ter de falar de assuntos já sobejamente batidos, apesar da maior credibilidade que me dariam, decerto.
À la Miguel Esteves Cardoso, pensei no conceito do “concordismo”, lançando um contributo etimológico, como ele fez com o “culambismo”, referindo-se a essa modalidade desportiva tão em voga que consiste em cada jogador prostrar-se de forma a lamber o traseiro de outro jogador mais poderoso. Apercebi-me de imediato que seria um tiro no pé, uma vez que a palavra já existe para explicar a harmonização entre a ciência e a religião.
Resolvi então cingir-me à minha condição de gestora e economista, chamando as coisas pelos nomes. Queria mesmo era partilhar algo que observo na nossa sociedade, evoluindo em crescendo, e nada contribuindo para melhorias de produtividade.
Falo do nosso cultural consensualismo que, se em muitas ocasiões evita conflitos e contribui para um melhor ambiente, levado ao extremo e disfarçado de alinhamento, é um dos maiores factores geradores de demora na tomada de decisões, falta de inovação e castração na coragem para arriscar.
“Concordo… e acrescento…” é o tipo de frase mais ouvido em fóruns profissionais, onde todos queremos ter uma palavra, sincronizada com o interveniente anterior, levando a intermináveis reuniões em que pouco valor é acrescentado, e à marcação de mais algumas para se debater o que ali não conseguimos discutir.
Também eu sou portuguesa e me incluo nesta cultura empática, com imensas coisas de que me orgulho que, bem aplicadas, trazem muitas vantagens. Aprendi cedo que Strategic Influencing era uma das competências mais úteis numa organização – expor as nossas ideias individualmente a todos os stakeholders desde a fase mais preliminar do projecto antes de as apresentar em público, de forma a já ter concordância antes da reunião, garantindo assim o tal consenso. É bastante eficaz, mas não invalida que ainda assim cada um queira emitir o seu “Concordo… e acrescento…”, deitando por terra a poupança de tempo que se tinha conseguido.
Discordar é saudável! Desde que feito com os motivos certos, de forma racional e com respeito, discorda-se de uma opinião, proposta ou ideia, não da pessoa. Contrapor o outro mostra interesse e consideração pelo que acabou de apresentar, é uma prova de autenticidade e, acima de tudo, contribui para o crescimento pessoal e do grupo.
Se todos tomássemos consciência disto e aprendêssemos a ter mais espírito crítico, mas também a aceitar o desacordo como uma dádiva que contribui para a celeridade e eficiência, a economia portuguesa teria um significativo step-up de produtividade.
Artigo publicado na revista Marketeer n.º 348 de Julho de 2025














