O tempo não é apenas um dado objetivo. A forma como é comunicado pode alterar profundamente a maneira como os consumidores avaliam produtos, serviços e até promessas futuras. Uma investigação recente demonstra que enquadrar o tempo como duração ou como data gera efeitos distintos na perceção de valor, mesmo quando a informação transmitida é exatamente a mesma.
O estudo, citado pela warc, analisou situações em que o tempo é apresentado como um período acumulado e comparou com a apresentação através de um ano específico. O resultado mostra que a referência à duração faz o produto parecer mais antigo, mais raro e, por isso, mais valioso.
Os investigadores explicam este fenómeno através da chamada compressão logarítmica dos números. O cérebro humano não interpreta números de forma linear: à medida que os valores aumentam, as diferenças entre eles parecem menores.
Por esse motivo:
- A distância psicológica entre 1 e 6 parece maior do que entre 100 e 105
- Um desconto pequeno num produto barato parece relevante
- O mesmo desconto num produto caro parece irrelevante
Esta lógica estende-se à forma como percebemos o tempo. Quando falamos em durações, o tempo parece mais longo e distante. Quando falamos em datas, o tempo parece mais próximo e concreto.
A investigação demonstra que:
- “Há 10 anos” soa mais distante do que “desde 2015”
- “Comprado há 6 anos” faz um produto usado parecer mais antigo do que “comprado em 2019”
- “50% de retorno em 4 anos” parece menos atrativo do que “50% de retorno desde 2021”
- “Marca com 20 anos” transmite mais maturidade do que “marca fundada em 2005”
A perceção do tempo influencia decisões em áreas críticas como:
- investimentos e poupança
- crédito à habitação
- mercado de usados
- avaliação de credibilidade e herança das marcas
Sempre que o tempo está associado a valor, risco ou expectativa, a forma como é comunicado pode tornar uma opção mais atrativa ou menos desejável, independentemente dos dados reais.













