Museu de Serralves apresenta “Afinidades Eletivas” da Coleção Miró em nova exposição

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13/02/2026
10:22
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Vinte e quatro obras da Coleção Miró vão estar em exibição na exposição “Afinidades eletivas”, no Museu de Serralves, no Porto, em diálogo com 53 trabalhos de artistas contemporâneos da Coleção de Serralves.

“Afinidades eletivas” é a sexta exposição que o Museu de Serralves faz a partir da Coleção Miró, em depósito na Fundação de Serralves. A exposição toma como ponto de partida a obra das décadas de 1960 e 1970 do artista espanhol, com incursões pontuais a obras anteriores.

O curador da mostra, Robert Lubar Messeri, explicou, durante a visita de imprensa hoje realizada, que “pôs em diálogo” 24 pinturas, desenhos, colagens, esculturas e obras têxteis de Miró, com 53 trabalhos de artistas contemporâneos provenientes de países como Alemanha, Bélgica, China, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Itália, Suíça, Portugal.

Helena Almeida, Júlio Pomar e Nikias Skapinakis contam-se entre os artistas portugueses escolhidos, enquanto do lado internacional se sucedem nomes como os de Antoni Tàpies, Dieter Roth e Robert Morris.

Um dos destaques da exposição é, por exemplo, uma tapeçaria de Miró, em que estão presos baldes a escorrer tinta, na sala dedicada à secção “Processo”, espaço que partilha com o escultor norte-americano Robert Morris (1931–2018), com as suas peças industriais de feltro num movimento provocado pelo próprio peso deste material.

A mostra está dividida em nove capítulos que percorrem as grandes transformações da arte moderna e contemporânea a partir da obra de Miró e de outros artistas que questionam os limites dos meios tradicionais.

Além do capítulo “Processo”, há também “Paisagem, memória e matéria”, “Pintura en abîme”, “Antimonumentos”, “Linguagem”, “O Expressionismo revisitado”, “O desenho como prática”, “Colagem e vida moderna” e “Lugar/Não lugar”.

“Processo” põe a ênfase sobre a materialidade e a ação do tempo, enquanto no capítulo “Paisagem, memória e matéria” é abordado o território como lugar de conflito, memória e inscrição histórica.

O capítulo “Pintura en abîme” reflete sobre a crise e reinvenção da pintura nas décadas de 1960 e 1970, e “Antimonumentos” desconstrói a escultura monumental, privilegiando a montagem, o objeto encontrado e a metáfora.

Em “Linguagem”, as obras exploram a “relação entre palavra e imagem, transformando signos em matéria visual e conceptual”, segundo a apresentação da mostra.

Ao longo da exposição, que se estende por dois pisos e várias salas da Casa de Serralves, as obras de Miró dialogam com as de artistas portugueses como Ana Hatherly, Ângelo de Sousa, António Júlio Duarte, António Sena, Helena Almeida, Julião Sarmento, Júlio Pomar, Luísa Cunha, Nikias Skapinakis, Rui Aguiar, Pedro Calapez.

Do lado internacional contam-se nomes como os de Antoni Tàpies, Dieter Roth, Jannis Kounellis, Robert Morris, Thomas Schütte, assim como o artista de origem suíça Michael Biberstein (1948-2013), que se fixou em Portugal, onde viveu e trabalhou durante mais de três décadas.

“O diálogo estabelecido, as relações, as associações que foram criadas são entre artistas de diferentes gerações. Temos artistas históricos como Robert Morris, mas depois temos artistas mais recentes, como por exemplo o fotógrafo António Júlio Duarte. São universos muito diferentes que confluem aqui e que criam um série de relações que depois o visitante poderá interpretar e explorar”, explicou à Lusa a coordenadora da exposição e curadora do Museu de Serralves, Isabel Braga.

A nova exposição é uma espécie de diálogo conseguido de “forma intuitiva, sem qualquer objetivo de demonstrar qualquer tipo de influência de artistas”, assumiu Isabel Braga.

O visitante também vai encontrar Miró “de mãos dadas” com artistas como A.R. Penck, Agostinho Santos, Anselm Kiefer, Armando Alves, Asger Jorn, Barry Le Va, Blinky Palermo, Giovanni Anselmo, Graça Pereira Coutinho, Jörg Immendorf, Josep Guinovart, Julie Mehretu, Marcel Broodthaers, Pedro Sousa Vieira, Rui Aguiar, Susana Solano e Wang Bing.

A Coleção Miró reúne 85 obras e é propriedade do Estado Português, tendo sido cedida em 2018 ao município do Porto por 25 anos, ficando em depósito na Fundação de Serralves.

CCM // MAG

Lusa




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