A Ramirez é a mais antiga empresa de conservas de peixe do Mundo ainda em laboração. Fundada em 1853 por Sebastian Ramirez, manteve-se activa através de cinco gerações, com uma estratégia focada na inovação, na modernização da produção e na expansão internacional. A estratégia actual diz combinar tradição com tecnologia de ponta, mantendo o foco na sustentabilidade, na qualidade e no desenvolvimento de novos produtos, como é o caso de saladas de atum prontas a comer…
Por M.ª João Vieira Pinto
Com 29 marcas registadas, 14 das quais activas, sendo quatro comercializadas em Portugal e as restantes em cerca de 50 países, é líder na Bélgica desde 1906, com o actual CEO, Manuel Ramirez a garantir que todo o portefólio é gerido «quase como um filho», com cuidado.
Juntamente com o filho mais velho – sexta geração já na Ramirez – esteve à conversa no Podcast Marcas com Marca onde lembrou, entre outros pontos, que o atum do Algarve foi o que esteve na génese da empresa, até porque até aos anos 70 sempre houve muito atum. A operação já esteve espalhada por cinco fábricas mas, hoje, está tudo concentrado numa única fábrica no Norte e o atum já não vem do Algarve. «Decidimos aproveitar, em 2013, quando construímos a nova fábrica em Lavra, Matosinhos, e fechar as restantes em Leça da Palmeira, Vila Real de Santo Antonio e Peniche», explica.
No total, a Ramirez produz 120 mil latas por dia com atum que chega de todo o Mundo, numa média de 2500 toneladas por ano. Ao atum segue-se a sardinha como a segunda referência mais vendida pela empresa, sendo que a actual unidade consegue produzir 50% mais do que todas as fábricas anteriores, além de ter capacidade para quase duplicar produção.
Desde há uns anos que, também por ali, se tem investido na diversificação do portelofio. «Encontrámos novos caminhos, trouxemos algumas sugestões de fora, procuramos outras variedades que se conseguiram desenvolver, apesar de durante o Covid termos feito um back to basics para o atum e as sardinhas», partilha Manuel Ramirez, enquanto António confirma que todos os anos são lançadas coisas novas. «Cada vez mais sentimos a necessidade de desenvolver novos produtos porque as marcas de distribuição ganham quota no produto mais básico. Cada vez mais começámos a inovar e lançar novos produtos, para conquistar outros consumidores. Alguns correm menos bem, outros melhor, pela sua diferenciação.» Entre 3 a 5% do valor de facturação é canalizado para investigação.
Com algum crescimento no mercado nacional, é o de exportação que tem registado melhor desempenho: «Lembro-me, em miúdo, do meu pai dizer que tínhamos 70% de mercado de exportação e 30% de mercado nacional. Entretanto, o mercado português cresceu, nem sempre estamos como gostaríamos, até porque entretanto apareceram as marcas de distribuição, mas estaremos agora nos 45% de exportação e 55% em Portugal.»
Em 50 mercados, a Ramirez especializou-se desde há 40 anos em “mercados difíceis” como o Canadá, África do Sul, EUA ou Japão, depois de ter conseguido ultrapassar todos os parâmetros com enorme controlo de qualidade, o que tem «ajudado a abrir portas», refere.
«Temos historia, temos um conjunto de gerações que se preparou para este projecto. Crescemos e evoluímos com a História de Portugal, sempre na família, o nome foi-se perpetuando, mas, sobretudo, houve a preparação das diferentes gerações», partilha o CEO, sublinhando: «A Ramirez é uma escola muito grande, com muitas frentes, muito desafiante.»
Num olhar futuro, a vontade é «continuar a dar excelência, manter excepcional qualidade, dando um grande contributo em levar Portugal no caminho da excelência!»
Mais histórias da Ramirez no Podcast Marcas com Marca em marketeer.sapo.pt, Youtube e Spotify.














