Em 1998, a família Soares, João, Paulo, Rita, João e Maria Antónia, juntos, foram em busca de um sonho. Acabaram a comprar uma herdade por terras do Alentejo e a construir os pilares da Malhadinha Nova, hoje uma referência não apenas na hotelaria como nos vinhos ou no azeite, tendo fechado o ano passado com sete milhões de euros de facturação, repartidos de forma equilibrada entre as duas áreas de negócio.
Por M.ª João Vieira Pinto
Um trajecto que Rita Soares, a CEO e uma das “almas” da Malhadinha, não imaginaria fazer há uns anos. «Tudo começou quando a Malhadinha nos encontrou. Na verdade, procurávamos um espaço numa zona vitivinícola e o Alentejo surge por ser próximo do Algarve e por ter características óptimas para iniciarmos um projecto ligado à produção do vinho, que era uma área nova para nós», recorda no Podcast Marcas com Marca. É que se a família estava ligada desde há anos à distribuição de marcas de vinhos com a sua Garrafeira Soares, de produção nada sabia.
Mas, depois de terem chegado à conclusão que tinham reunido todas as condições para materializarem o sonho, iniciam a procura de uma localidade e, essa, é encontrada na Malhadinha. Com um senão, é que tinha uma dimensão muito superior à que tinham imaginado para fazer «um vinho de garagem», colheitas pequenas, para começar. Todos apaixonados pelo território, só houve que reorganizar pensamentos, ou não se estivesse a falar de uma herdade que tinha então 120 hectares, mas que hoje já se estende por 750. «A Malhadinha estava abandonada há mais de 30 anos, tinha muitas casas em ruínas – em particular o Monte da Peceguina –, as terras estavam sem cultivo, não havia água nem electricidade, mas decidimos arregaçar as mangas e iniciar um projecto de vida. Fomos procurar técnicos, um enólogo – o Luís Duarte que se mantem até hoje -, e percebemos que havia condições para fazer coisas no futuro», conta ainda Rita Soares.
Os primeiros passos foram então dados com o vinho que se quis diferenciador, sabendo que se tudo corresse como perspectivado, a ideia seria seguir mais tarde para o turismo. A adega é construída em 2003 enquanto o hotel abre em soft opening em 2007. Hoje, a Malhadinha afirma-se como um projeto familiar integrado, focado em vinhos de qualidade – produzidos a partir de 80 hectares de vinha orgânica -, turismo rural de luxo e sustentabilidade, e assente em valores que cruzam a arte de saber receber com proximidade e cultura.
«Desde o início que sentimos como que um espírito de missão», diz, acrescentando: «Sempre achamos que podíamos vir a dar exemplos, nomeadamente para outros players, fazendo bem feito, com a qualidade máxima, em respeito pela tradição!»
Tudo isto porque o que se acredita por ali, desde a primeira pedra, é que a única forma de projectar o futuro é com alicerces fortes. «A forma de estar da família é a de passar por esta vida deixando algo. Gostava que esse legado se sentisse por muitos anos e isso só acontece se as coisas forem bem feitas», partilha Rita Soares.
Acompanhe toda a conversa em Marcas com Marca, o podcast da Marketeer em marketeer.sapo.pt, Youtube e Spotify














