Macrobiótica e performance: como a saúde intestinal pode melhorar o treino

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13/05/2026
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Opinião de Raquel Faria, nutricionista Holmes Place Braga

A microbiota intestinal é o conjunto de microrganismos que habitam o trato gastrointestinal humano. Estes microrganismos coexistem de forma dinâmica com o organismo hospedeiro e desempenham funções essenciais na digestão, metabolismo, regulação do sistema imunitário e proteção contra agentes patogénicos.

Desta forma, esta microbiota é considerada um ecossistema que influencia tanto a saúde gastrointestinal como outros processos, incluindo metabolismo energético, a absorção nutricional, a inflamação, a imunidade e, até, condições como o sono ou regulação emocional (sendo conhecida a existência de um eixo intestino-cérebro na base da comunicação direta entre estes dois órgãos).

Em contexto de consulta de nutrição damos, cada vez mais, primazia à correção da saúde intestinal como ponto de partida para uma série de objetivos que poderiam parecer, inicialmente, independentes desta condição.

Uma microbiota intestinal funcional é aquela que apresenta diversidade de microrganismos equilibrada, estabilidade, capacidade de produzir metabolitos úteis e de praticar uma interação eficiente com o organismo e pode constituir um dos fatores moduladores do desempenho físico, por vários motivos:

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· Algumas bactérias intestinais fermentam fibras alimentares e produzem ácidos gordos de cadeia curta, compostos que, entre outros contributos ao organismo, podem melhorar a eficiência energética durante a prática de exercício físico prolongado – melhor capacidade aeróbia e resistência em atletas;

· O exercício físico intenso pode aumentar o stress oxidativo, a permeabilidade intestinal, a existência de microlesões musculares e de inflamação sistémica, enquanto que uma microbiota funcional equilibra este desarranjo contribuindo para preservar a barreira intestinal (diminuindo a passagem de toxinas inflamatórias para o sangue) e modulando o sistema imunitário; desta forma, permite uma recuperação mais eficiente entre sessões de treino, menor perceção de fadiga por parte do atleta e menos desconforto gastrointestinal;

· Atletas sujeitos a treino intenso de forma continuada, podem estar mais suscetíveis a infeções respiratórias e alterações imunitárias temporárias, sendo que uma microbiota intestinal saudável é capaz de diminuir incidência de infeções, melhorar a tolerância ao treino e, desta forma, aumentar a consistência de rendimento;

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· Sabendo que o rendimento desportivo não depende apenas de qualidades físicas, mas também de fatores neurológicos, cognitivos e emocionais, a comunicação intestino-cérebro também pode explicar parte desta interação, por influencia da saúde intestinal na resposta ao stress, perceção de fadiga, motivação, qualidade do sono e predisposição mental.

A microbiota intestinal surge, assim, como um dos fatores com mais implicação na otimização da saúde em geral e da performance desportiva em particular, com evidência em desenvolvimento sobre a sua implicação na recuperação e adaptação ao treino e metabolismo energético.




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