Ao permitir que os contribuintes direcionem parte do imposto já liquidado para instituições sem qualquer custo adicional, a consignação de uma percentagem do IRS continua a afirmar-se como um dos mecanismos mais relevantes de apoio ao setor social em Portugal, principalmente desde que o Governo duplicou o limite consignável de 0,5% para 1%. São portanto milhares as organizações que lutam por disputar a atenção dos cidadãos durante a campanha fiscal, a diferenciação faz-se cada vez mais pela forma como se comunica impacto, confiança e proximidade.
O desafio passa assim por “comunicar com clareza, autenticidade e consistência”. “A mobilização [dos contribuintes] resulta de uma estratégia integrada, combinando presença digital, meios tradicionais e parceiros que amplificam a mensagem. O mais determinante não é o canal isoladamente, mas a coerência e a presença no momento da decisão”, diz Daniela Oliveira, coordenadora de marca e comunicação da Aldeias de Crianças SOS Portugal, associação que lançou a sua campanha de consignação de IRS deste ano assente na ideia central de que pequenos gestos podem gerar transformações profundas.
Sob o mote “O futuro começa agora”, a organização procura mobilizar os contribuintes para um ato simples – a consignação de 1% do IRS – sublinhando que esta decisão individual pode traduzir-se em apoio concreto a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.
Segundo Daniela Oliveira, a campanha parte da realidade preocupante de que mais de 58 mil crianças e jovens se encontravam em situação de perigo em Portugal em 2024. Mas perante este cenário, a mensagem procura afastar-se de abordagens excessivamente dramáticas, apostando antes numa comunicação centrada na esperança e na evidência do impacto. “É precisamente por estarmos a falar de temas sensíveis que a comunicação exige equilíbrio e responsabilidade. Evitamos a dramatização excessiva e optamos por uma abordagem centrada na esperança, nas soluções e na evidência do impacto concreto do nosso trabalho”, explica à Marketeer.
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E a estratégia criativa procura, portanto, refletir essa opção. Desenvolvida em parceria com a Cooprativa, a campanha apresenta uma linguagem visual “mais afirmativa e luminosa”, representando diferentes fases da intervenção da organização na vida das crianças, sendo que a ideia passa por reforçar que o trabalho da Aldeias de Crianças SOS não é pontual, mas contínuo, estruturado e “centrado na criação de contextos seguros e estáveis”.
Os números ajudam a sustentar a narrativa de impacto, com a organização a apontar que, só em 2025, acompanhou mais de 530 crianças e jovens e mais de 280 famílias, além de ter proporcionado cerca de 2400 horas de consultas especializadas de saúde mental.
Os objetivos da campanha passam por continuar a sensibilizar o maior número possível de contribuintes, reforçar a notoriedade da campanha e consolidar a confiança que os portugueses têm na missão da associação, sendo que, do ponto de vista estratégico, a consignação de IRS assume um papel relevante, ainda que integrado numa lógica de diversificação de receitas.
“A consignação de IRS é uma das várias fontes de financiamento que sustentam a nossa intervenção mas assume particular relevância por permitir uma participação cívica direta, sem qualquer custo adicional, um gesto que traduz, na prática, que cuidar é uma responsabilidade partilhada. É um gesto simples, mas que simboliza uma responsabilidade coletiva no cuidado das gerações atuais e futuras”, sublinha Daniela Oliveira, concluindo que apesar ser observável uma “maior consciência” dos contribuintes relativamente à consignação, “continua a ser fundamental reforçar a literacia fiscal e cívica”.














