Investir é trendy… Mas é preciso aprender!

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05/01/2026
10:30
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Nos últimos anos, temos assistido a uma alteração silenciosa, e por isso tão bem “cotada”, no acesso ao investimento. Esta transformação representa uma oportunidade histórica para aproximar os portugueses dos mercados financeiros.

Texto: Sérgio Carvalho, Chief Marketing Officer da Fidelidade

«À mesa não se fala de dinheiro!” Talvez seja apenas geracional, mas estou certo de que muitos terão um dia escutado esta frase. A verdade é que os portugueses não apreciam muito falar de dinheiro. Ninguém gosta de dizer ao certo quanto ganha, quanto tem no banco e muito menos de falar do seu nível de poupança. Estou errado? Não me parece. Acho que mesmo entre pessoas da mesma família falar de dinheiro continua a ser um assunto, não diria tabu, mas pouco discutido.

Aceita-se, claro, com facilidade que, perante rendimentos escassos ou pouca liquidez face a um problema maior de saúde, com a família ou no momento dos mais novos darem o primeiro passo na compra de uma casa, o orçamento se discuta em família ou entre amigos, mas não vamos muito além disto. É uma questão cultural que passou dos avós para os nossos pais e que talvez os nossos filhos – e bem – já estejam a mudar.

Mas esta mudança não acontece por acaso. Se há gerações atrás, poupar era apenas para quem tinha rendimentos muito elevados ou coisa dos mais velhos que queriam deixar o futuro dos filhos assegurado ou ter sempre um pé-de- -meia para alguma eventualidade, quem viveu a juventude nos anos 80 e 90, em Portugal, foi desconstruindo este tão importante hábito de poupar. Foram anos de crescimento e progresso económico em Portugal, com a entrada na Comunidade Económica Europeia e gerações que se deslumbraram, mais com o consumo do que com o futuro, com reflexo, progressivo, mas abrupto, no decréscimo da taxa de poupança dos portugueses, a partir de meados da década de 80.

O sistema económico e financeiro facilitou e incentivou esta mudança de comportamento para alavancar o crescimento económico. Crédito para quase tudo, contas-ordenado e inúmeras outras facilidades que tornaram o acesso ao dinheiro fácil, mas pouco ou nada percebido. E esta é a grande e perigosa questão, a qual, nos dias de hoje, me parece ainda mais merecedora de atenção e imperativa actuação. Porque poupar não voltou a ser sexy. Aos poucos estamos a relembrar a sua importância, mas ainda de uma forma bastante tímida. A questão é que investir tornou-se “trendy”. Mas nem sempre de forma sustentável.

APRENDER É PRECISO PARA EVITAR RISCOS DESNECESSÁRIOS

Nos últimos anos, temos assistido a uma alteração silenciosa, e por isso tão bem “cotada”, no acesso ao investimento. Plataformas digitais, aplicações móveis e produtos financeiros inovadores democratizaram o mercado, permitindo que qualquer pessoa, com apenas alguns cliques, invista em acções, ETF, criptomoedas… desconhecendo na generalidade o que está a fazer, porém deslumbrada pela facilidade e possibilidade de retorno fascinante.

Esta transformação tecnológica representa, na verdade, uma oportunidade histórica para aproximar os portugueses dos mercados financeiros. No entanto, colide com um obstáculo persistente: o baixo índice de poupança em Portugal e, acima de tudo, com a frágil literacia financeira que caracteriza grande parte da população.

A facilidade de acesso, embora positiva, tem um lado menos visível. Investir nunca foi tão simples, mas também raramente foi tão complexo. A multiplicação de produtos e a comunicação agressiva de algumas plataformas criam uma ilusão de domínio fácil sobre conceitos que, na realidade, exigem ponderação, conhecimento e prudência. Num país onde muitas famílias continuam economicamente vulneráveis, a entrada no mundo do investimento, sem bases sólidas, pode transformar oportunidade em risco sério e não facilmente recuperável. Isto é sobretudo mais grave, quando os jovens parecem sentir um enorme fascínio pelo investimento fácil.

Portugal mantém historicamente uma das taxas de poupança mais baixas da União Europeia. Durante décadas, mesmo para quem poupava, o verbo significava “ter dinheiro no banco”, e investir era sinónimo de risco desnecessário ou reservado a especialistas. As novas tecnologias vieram desafiar este paradigma, mas não substituem o pensamento crítico, nem providenciam a necessária e contínua educação.

O verdadeiro desafio não é disponibilizar soluções e ferramentas. É educar. Desde logo, desde muito cedo. Uma sociedade financeiramente informada é mais resiliente, menos vulnerável a endividamento excessivo e mais capaz de planear o futuro e garantir uma longevidade vivida com autonomia e qualidade. Para isso, é urgente reforçar a educação financeira nas escolas, nas empresas e nos meios de comunicação. Do Estado ao sector privado, todos têm um papel na construção deste ecossistema de conhecimento e a Fidelidade quer ter um papel determinante aqui.

Temos já, como grande novidade, o nosso Trusty Doggy Bank, um mealheiro para os mais pequeninos, para que a poupança comece bem cedo com a app MySavings e o Trusty por perto; temos uma parceria com a Escola das Finanças (Magma Studio), que já conta com mais de 21 mil pessoas formadas em literacia financeira; contamos com o “Programa de Literacia Finanças para Todos”, criado pela Nova SBE em parceria com a Fidelidade, e temos dado voz a esta temática através de parcerias com diversos especialistas e presença em diferentes meios de comunicação.

Contudo, se queremos ser parte activa na educação financeira, sabemos que é necessário sermos nós próprios especialistas e consultores nesta matéria e aqui os nossos canais de distribuição, neste caso os nossos mediadores, têm um papel determinante.

Temos vindo a capacitar a mediação, as redes especializadas e a nossa estrutura interna em matéria de educação financeira, mas temos de continuar a trabalhar em várias dimensões com o objectivo de providenciarmos um serviço de excelência.

POUPAR E INVESTIR AO LONGO DAS GERAÇÕES

A vida não é uma linha recta. Cada fase traz desafios, receios e aspirações distintas. E a poupança e o investimento raramente têm o mesmo significado para um jovem que inicia carreira e para alguém que se prepara para o final da vida activa.

Por isso, na Fidelidade sabemos que temos de olhar e pensar em soluções distintas para as várias gerações e é isso que estamos a fazer, com produtos financeiros para o momento da acumulação, adaptadas a diferentes perfis de risco, onde o Fidelidade Savings, materializado na App MySavings, é o expoente máximo, mas também para a desacumulação, com produtos especificamente pensados para pessoas com mais de 50 anos, como é o caso do PPR Complemento e também de algumas séries de investimento.

Investir em soluções transversais significa responder a cada geração e a cada momento da vida com inteligência, proximidade e sensibilidade, porque pensar em gerações não significa apenas ter em conta a idade. Temos de avaliar experiências, hábitos, modos de pensar. Criar uma oferta financeira que atenda a todas estas expectativas é um desafio, mas cada fase da vida merece uma solução pensada com atenção e presença constante, adaptada a cada idade e momento.

FINEASY, UM NOVO APOIO ÀS FAMÍLIAS PORTUGUESAS

Criada com o propósito de apoiar as famílias nas suas decisões de crédito e poupança, oferecendo soluções simples, transparentes e competitivas, que promovem uma gestão mais eficiente do orçamento familiar, a FinEasy representa um novo eixo de actuação da Fidelidade no aconselhamento e intermediação de crédito. A habitação é uma prioridade para as famílias e as novas gerações. Estar ao lado dos nossos clientes e dos consumidores nesse momento representa um eixo vital no acompanhamento da protecção financeira integral.

Para além disto, se a habitação é de facto um factor crucial, há muitos outros momentos onde vamos querer estar ao lado, para auxiliar os clientes e consumidores. Por exemplo, na análise da sua solvência financeira, muitas vezes comprometida por más opções ou excesso de recurso ao crédito. Queremos estar capacitados para ouvir, analisar, aconselhar soluções que possam aliviar encargos, aumentando a liquidez e canalizando eventualmente parte dessa para a poupança.

SÓLIDA E CREDÍVEL GESTÃO DE ACTIVOS

Para que tudo isto seja possível e possamos continuar, como até aqui, a assegurar um bom retorno da poupança e dos investimentos dos nossos clientes, a excelência na gestão do património financeiro é indispensável e queremos recursos altamente qualificados e especializados nesta área na Fidelidade, para sermos um actor/player relevante nesta matéria, capaz de gerir 6% da poupança dos portugueses nos próximos anos.

A intermediação e a gestão do património financeiro são novas peças que nos permitirão acompanhar de forma integral a sustentabilidade financeira dos nossos clientes ao longo do seu ciclo de vida, contribuindo para que uma maior longevidade possa ser celebrada com qualidade. Vivemos tempos de mudança. A vida ganhou mais páginas, mais capítulos. E quando a vida cresce, o cuidado tem de crescer. Por isso a Fidelidade está onde sempre esteve: ao lado das pessoas. Mas agora com uma ambição maior, porque se a vida é mais longa, deve ser vivida com qualidade e confiança e o futuro pensado e preparado em consciência e com serenidade.

Este artigo faz parte da edição de Dezembro (n.º 353) da Marketeer.




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