IKEA: «O e-Commerce conseguiu assegurar a sustentabilidade do negócio»

A IKEA reabriu esta semana todas as lojas (Alfragide, Loures, Loulé, Matosinhos e Braga) e estúdios de planificação (Cascais, Seixal e Sintra) em Portugal, após o encerramento temporário causado pelo surto de coronavírus e o consequente confinamento geral decretado pelo Governo a 15 de Janeiro.

Em conversa com a Marketeer, Helena Gouveia, directora de Marketing da IKEA Portugal, confessa que estes 13 meses têm sido tempos de grande mudança. «Primeiro houve que perceber o que estava a acontecer na sociedade para depois, rapidamente, nos adaptarmos. Houve que perceber como ao nível de pessoas conseguíamos manter o máximo possível da operação a funcionar garantindo a segurança dos colaboradores e dos clientes», conta a responsável. Houve um reajustar de processos e de funções para de forma mais ágil conseguirem ter as pessoas certas nas funções certas. No momento em que fecharam as lojas, todas as equipas ficaram focadas a dar apoio ao e-Commerce (e ao click&collect) que era na altura uma peça ainda residual naquela que era a operação em Portugal. No entanto, «rapidamente evoluiu para um canal super relevante e que se mantém em períodos de desconfinamento», assegura Helena Gouveia.

Com a pandemia a casa transformou-se no centro de tudo. «Mesmo as pessoas que consideravam a casa como uma área funcional para viver, sentiram uma explosão de necessidades. A procura foi muito significativa neste período», assume. Com o motor de pesquisa do site, a IKEA foi conseguindo perceber, em cada momento, as tendências daquilo que as pessoas estavam a procurar. E se, de início, a procura foi na área de sofás, depois, a categoria que mais cresceu foi a de escritórios. «Era uma categoria residual no negócio. Cada vez mais as pessoas estavam a abandonar a ideia de ter um escritório em casa que existira há mais de uma década. Mas, de repente, a necessidade de ter um espaço ergonómico, confortável, que permitisse ter reuniões sem caos atrás… surgiu.» Outra área que também cresceu foi a de organização em casa, nomeadamente dos bens alimentares confeccionados já que as pessoas sentiram necessidade de cozinhar mais refeições e fazê-lo em maiores quantidades.

A crescer está também a dimensão de espaços exteriores e de levar a natureza para dentro de casa. Será interessante ver «como é que do ponto de vista de Marketing vamos oferecer uma resposta a esta procura», comenta.

Portugal foi identificado como o mercado dentro do grupo que no último fecho de ano (em Agosto de 2020) mais tinha crescido no online. «Crescemos três vezes mais do que no ano anterior», conta Helena Gouveia. E acrescenta que, em Portugal, o e-Commerce teve um crescimento muito mais evidente comparativamente com outros mercados. «Não ultrapassa, obviamente, a operação de loja. No total a IKEA teve uma redução de vendas de 8%, mas numa situação de contexto em que estiveram lojas fechadas durante um grande período de tempo, o e-Commerce conseguiu assegurar a sustentabilidade do negócio.»

Acompanhe aqui a conversa.

Texto de Maria João Lima

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