Os hotéis de luxo mais prestigiados e caros do mundo estão a bater preços históricos, num fenómeno que desafia uma desaceleração geral no segmento do luxo e revela resiliência por parte dos viajantes mais ricos.
Em concreto, a receita por quarto disponível (RevPAR) — considerada um indicador-chave de crescimento no setor — em hotéis de ultraluxo aumentou 10,6% no último ano, superando em mais de três vezes a taxa de crescimento anual do setor hoteleiro em geral, segundo dados da empresa de análise CoStar, divulgados pelo Financial Times (FT).
O preço médio da estadia diária num quarto de ultraluxo atingiu mesmo o valor recorde de 1.245 dólares, num aumento de mais de 8% em relação ao ano anterior. Mas apesar deste aumento, as taxas de ocupação subiram 2,3%, pelo que o encarecimento das estadias não afugentou os viajantes com maiores possibilidades económicas.
Esta resiliência, segundo aponta o FT, deve-se ao facto de os agentes hoteleiros terem dado prioridade a clientes com maior poder de compra e que estão dispostos a pagar um preço maior por benefícios para a saúde e estilo de vida oferecidos pelas comodidades mais luxuosas oferecidas pelos hóteis, como terapia hiperbárica com oxigênio e banhos de som.
“Os hotéis jamais conseguiriam praticar esses preços antes da pandemia mas passámos por um período recente em que a inflação parece ser mais aceitável, e esses consumidores — que são extremamente resilientes, pelo menos por enquanto — parecem dispostos a pagar o que for preciso”, refere Paul Charles, diretor executivo da consultoria de viagens PC Agency, citado pelo FT.
Já a receita por quarto disponível em categorias de preço ligeiramente inferiores — como hotéis de luxo e de alto padrão — aumentou entre 2,1% e 5,8% no ano passado.
No entanto, o panorama no setor hoteleiro de luxo contrasta com o do restante setor de hospedagem assim como com o restante mercado de bens de luxo, onde a queda na procura está a levar a descontos generalizados em produtos como calçado e bolsas. A consultoria Bain estima mesmo que as vendas de bens de luxo pessoais, como roupas e joias, tenham caído cerca de 2%, para 358 mil milhões em 2025.














