Há asiático e há… o Yakuza Lisboa

Houve alturas, vários momentos, em que me esqueci que estava em Lisboa. Por tudo. Pela decoração, o serviço, a comida, o ambiente. A culpa foi do Yakuza Lisboa e garanto-lhe que se por lá passar corre o risco de sentir o mesmo! Por isso, prepare-se. Ou não!

Não é de agora que Olivier vem a trabalhar e a melhorar o seu Yakuza, a marca que começou pequena no Tivoli Avenida mas que ganhou dimensão e se prepara para se instalar, em breve, em pleno coração de Paris.

Quando há uns anos se mudou para o Príncipe Real, o Yakuza já deu um salto de leão. Mas, agora, o registo é outro. Em tudo. Olivier sabe que o sucesso dos seus espaços se faz num mix que cultiva desde há muito: boa comida, boa arquitectura e design, e gente “gira” num misto de jet set português e estrangeiro. Ora neste novo Yakuza Lisboa não falta nada. Tanto pode encontrar um actor como os maiores empresários. A arquitectura de interiores é de aplauso contínuo e feita de pormenores, entre o balcão com exposição de peixes e mariscos, o vitral pendurado no tecto ou o samurai que recebe. Tudo com assinatura de arquitecta Camila Degli Esposti, do atelier Deckora Design.

Sim, é lindo, instagramável, apetece estar e ficar. Com recato e recantos numa atmosfera que, lá está, nos transporta para o Oriente, e onde as vozes de quem chega quase não se sentem.

Ah, a comida? Aqui sou suspeita, mas entre o que transita da carta antiga e as novas propostas asiáticas, difícil é escolher e não sair dali feliz. Foram várias as sugestões que nos passaram e não recusámos. Aliás, o conselho é não recusar nada e aceitar o que o chef lhe proponha. Até porque a carta é extensa…

Mas entre o tártaro de toro e os vários niguiris ou os Gunkan como o Ebi Yellowtale e camarão doce do Alasca, que nos põem logo a salivar, difícil é apontar o melhor. Vá ao que puder. Mas se puder, claro, não perca por nada a pata de caranguejo grelhada com molho miso, ervas, tomate e vinagre japonês, ou a salada de lavagante. Ah, o lombo de merluza com miso, salada e pickles ganhou aplauso consensual à mesa. E para quem é fã de carne há a cereja no topo de bolo – que nem é o meu caso, mas pronto: o preguinho Yakuza de lombo de novilho em pão brioche, cogumelos, caviar, trufa e flor de sal. Não se assuste que a porção é mínima, em jeito de niguiri, e diz quem experimentou que é explosão de sabor.

Claro que se mantêm os tacos sakana ou os spider rolls, a que se juntam propostas a sair da grelha japonesa robata, como as asinhas de frango com flor de lima e sal ou a beringela com miso e cebolete.

À sobremesa, pode pedir um mix e deixar-se ir.

Entre os vários espaços interiores – bar, balcão de sushi, cabines e nave central – o Yakuza Lisboa senta 80 pessoas. Presente no Porto, onde abriu no final de 2020, no Sheraton Cascais Resort, e no Algarve, em Albufeira (apenas no Verão), o Yakuza Lisboa ´é o maior investimento de sempre nestes 25 anos de carreira de Olivier, como o próprio partilha.

E nós acrescentamos, “ainda bem”!

Texto de M.ª João Vieira Pinto

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