Gestão de projeto: o lado invisível do marketing que funciona

OpiniãoNotícias
Marketeer
09/02/2026
20:02
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Opinião de Cláudia Turpin, Project Manager | milk&black

No mundo do marketing, fala-se muito de ideias, criatividade, inovação e tendências. Por outro lado, pouco (ou nada) se fala de gestão de projeto.

Menos sexy e quase sempre invisível, este trabalho de bastidores é, curiosamente, um dos passos mais determinantes para levar qualquer briefing a bom porto. Gerir um projeto não é apenas organizar tarefas: é ligar pessoas, timings, expectativas e realidade. É garantir alinhamento interno e externo e assegurar que todos caminham na mesma direção.

Este papel torna-se ainda mais crítico nas agências de comunicação e marketing digital, que hoje operam de forma cada vez mais integrada para responder a uma lógica de comunicação 360º. Da comunicação estratégica e crescimento de marca ao marketing de influência, passando pelo digital e pela produção de conteúdo, tudo acontece em simultâneo, com estruturas multidisciplinares, prazos apertados e objetivos distintos.

Na minha experiência a trabalhar com vários departamentos e uma equipa com cerca de quarenta profissionais, é neste contexto que o gestor de projeto assume uma visão macro sobre o trabalho desenvolvido, criando pontes entre áreas, pessoas e processos.

Cabe-lhe definir o âmbito do trabalho, planear capacidades e timings realistas, coordenar a execução diária, assegurar a comunicação entre todas as partes envolvidas e monitorizar o desempenho ao longo do percurso. Mais do que reagir a problemas, deve antecipá-los e fazer os ajustes necessários antes que se transformem em bloqueios.

Outra particularidade da gestão de projeto é que, muitas vezes, só é notada quando falha. Ou seja, quando não existe, ou não é bem definida, o impacto sente-se rapidamente: atrasos constantes, retrabalho, decisões tomadas em cima da hora e uma sensação generalizada de desorganização, mesmo quando todo o talento está lá.

Este cenário ocorre quando é visto como uma função de apoio, e não como um eixo central da operação. Enquanto tudo corre bem, passa despercebida. Quando surgem problemas, expõe fragilidades que não têm origem na criatividade ou na estratégia, mas na falta de estrutura para as sustentar.

É também neste ponto que a gestão de projeto assume um papel fundamental na relação com o cliente. Ao funcionar como principal ponto de contacto desde o início, permite retirar esse encargo de outras funções como, por exemplo, os accounts, para que se foquem no que realmente garante o sucesso do trabalho: pensamento estratégico, acompanhamento de marca e visão de longo prazo.

Apesar desta mediação contínua, este é um trabalho que pode parecer solitário. Não porque seja feito em isolamento, mas porque concentra uma responsabilidade constante sobre a articulação da comunicação. A gestão de projeto não executa tudo, mas garante que a informação circula, que as decisões são claras e que nada se perde entre equipas, clientes e objetivos.

No final, o marketing que funciona raramente parece caótico. Parece simples, fluido e consistente. Essa simplicidade não acontece por acaso: é construída, sustentada e protegida por quem garante que tudo se liga. Mesmo quando ninguém vê.




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