A Fundação Galp aposta na literacia energética desde o 1.º ciclo, com programas educativos que envolvem escolas, famílias e parceiros, como o livro “Esperança e Jacinto”, criado para inspirar comportamentos mais sustentáveis desde cedo.
Com uma abordagem inovadora que a lia storytelling, música e envolvimento familiar, a Fundação Galp tem vindo a reforçar o seu compromisso com a educação para a sustentabilidade. Sandra Aparício, directora executiva da Fundação, destaca o papel da literacia energética como motor de transformação social e ambiental, desde os primeiros anos de escolaridade.
O regresso às aulas marca um momento simbólico na vida de muitas famílias e a Fundação Galp tem contribuído activamente para levar a literacia energética às escolas. Que iniciativas destes programas educativos gostariam de evidenciar e como têm contribuído para a estratégia da empresa ao longo destes anos?
Acreditamos no poder transformador da educação. Na Fundação Galp, temos a convicção de que a educação é uma das ferramentas mais poderosas para construir um futuro mais próspero e sustentável. Por isso, há mais de uma década que promovemos o acesso à educação e o sucesso académico, desenvolvendo competências para o futuro e fomentando o conhecimento em literacia energética.
Promover a literacia energética nas escolas tem sido um compromisso da Fundação Galp. Entre 2010 e 2024, através do programa Future Up, conseguimos envolver mais de 2,2 milhões de estudantes e professores, em mais de 21 mil escolas espalhadas por todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas. Este programa promoveu o conhecimento sobre energia, as profissões ligadas ao sector e a importância de um consumo responsável dos recursos.
Ao longo deste percurso, foram dinamizadas mais de cinco mil aulas Energy Up, conduzidas por mais de 750 voluntários Galp, que se dedicaram com entusiasmo e sentido de propósito à missão de inspirar as novas gerações para os desafios da transição energética.
A nossa ambição de levar a literacia energética além das salas de aula e chegar ao seio das famílias ganhou uma nova dimensão, com o lançamento do livro “Esperança e Jacinto”, desenvolvido em parceria com a Porto Editora.
Este livro inspirou a criação de um novo programa educativo dirigido ao 1.º ciclo do ensino básico, mantendo a colaboração com a Direcção-Geral da Educação, a Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a Agência para a Energia (ADENE) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Estes parceiros são fundamentais para assegurar que o programa responde aos desafios do currículo escolar, com estratégias nacionais de educação ambiental e cidadania e contribui para o desenvolvimento das competências das nossas crianças, preparando-as para um futuro mais consciente e sustentável.
Mantemos uma actuação nos restantes ciclos do ensino básico e secundário, levando a literacia energética às escolas das comunidades onde a Galp está presente, através da Rota da Energia, em parceria com a Agência para a Energia (ADENE), e outras iniciativas desenvolvidas com os nossos parceiros sociais na área da educação.
Em que consiste, a quem se destina e com que propósito e missão foi lançado esse programa educativo?
Inspirado no livro, o programa educativo “Esperança e Jacinto, uma história sobre energia” foi criado com o propósito de promover a literacia energética e ambiental junto dos alunos do 1.º ciclo do ensino básico, através de uma abordagem inovadora e envolvente. O programa utiliza o storytelling e a música como ferramentas pedagógicas para tornar o tema da energia mais acessível e cativante para os mais novos.
A nível pedagógico, em colaboração com o nosso parceiro pedagógico Betweien, desenvolvemos uma metodologia de trabalho inovadora que permite o desenvolvimento de diferentes áreas de competência, integrando nas histórias conceitos científicos e problemáticas actuais, disponibilizando ferramentas de trabalho para os professores e aos voluntários que “contam” a história em sala de aula. Este ano já promovemos 110 sessões, envolvendo 2750 alunos e professores.
O nosso objectivo é claro: inspirar comportamentos mais conscientes e sustentáveis, contribuindo para o desenvolvimento de uma cidadania activa desde os primeiros anos de escolaridade. E paralelamente, promover a leitura, uma dimensão tão importante em particular nestas idades.
Que papel assumem as personagens Esperança e Jacinto no livro infantil?
A Esperança e o Jacinto são os protagonistas da história. Através de Esperança, uma menina de seis anos, feliz e repleta de sonhos, aprendemos, ao mesmo ritmo que o Jacinto, um ser gigante que vive em sua casa com terríveis hábitos como deixar luzes ligadas ou a porta aberta quando está frio, que todos temos um papel fundamental na preservação do planeta.
Ao longo desta aventura, a Esperança dá exemplos práticos que todos podem adoptar. Sempre confiante, a criança relembra que ainda é possível garantir um futuro melhor e mais sustentável: “Porque o melhor do nosso planeta ainda está por vir e juntos fazemos a diferença.”
Que temas e valores são abordados no livro?
Sob o mote “Uma história para acordar”, o livro “Esperança e Jacinto” desperta a curiosidade das crianças e convida-as a reflectir sobre o seu papel na utilização consciente da energia e dos recursos naturais.
Através de uma narrativa envolvente, promove a literacia energética, incentivando a descoberta do mundo da energia e o seu impacto no dia-a-dia. Paralelamente, transmite valores essenciais como a cidadania activa, a responsabilidade ambiental e a adopção de hábitos saudáveis.
A leitura do livro é o ponto de partida para conversas significativas em sala de aula, estimulando o pensamento crítico e a empatia, e reforçando a importância de pequenas acções no quotidiano que contribuem para um futuro mais sustentável.
Como foi o processo de criação do livro, com texto de Rita Ferreira e ilustrações de Rita Almeida? Foi um processo muito desafiante ou, pelo contrário, correu de forma muito fluida e célere?
Foi sem dúvida uma parceria de sucesso com a Porto Editora e que também só foi possível graças aos enormes contributos da Rita Ferreira e da Rita Almeida, que transformaram conceitos em magia para os mais novos. A ambição era grande e o desafio não era fácil, mas estas sinergias contribuíram para que todo o processo fluísse da melhor forma.
Como tem sido a aceitação do mesmo pelos mais novos?
O feedback que temos recebido, tanto dos pais e professores como dos mais jovens, tem sido bastante positivo. Até agora, já foram distribuídos gratuitamente cerca de 2750 exemplares do livro nas escolas que receberam o programa educativo, e mais de 3 mil livros com experiências educativas destinados a crianças. A obra está também disponível no mercado livreiro, através da Porto Editora. Sentimos que a história do livro é de facto cativante, passando as mensagens de forma clara tanto para quem a lê, como para quem a ouve. A leitura em contexto de sala de aula tem aumentado o envolvimento dos alunos, despertando a sua curiosidade, levando-os a querer “levar para casa” a missão do consumo de energia sustentável.
Porquê a escolha da Porto Editora como parceira?
A Galp é hoje uma referência e, como tal, procuramos sempre outras referências em todos os projectos onde nos envolvemos. Pretendíamos que as mensagens do livro ultrapassassem os limites das escolas, chegando ao seio das famílias, o que temos conseguido. E tal só seria possível com parceiros com a experiência e dimensão da Porto Editora.
Como é que este livro complementa, ou expande, os projectos que já instituíram nas escolas? O livro faz parte de um plano mais alargado de recursos educativos, ou será uma peça única?
O livro “Esperança e Jacinto” é uma peça central de um programa educativo da Fundação Galp mais alargado, pensado para enriquecer e expandir os conteúdos educativos que a Fundação leva às escolas das comunidades onde está presente.
Para além da leitura em sala de aula, o programa também inclui todo um conjunto de recursos complementares que tornam a experiência ainda mais dinâmica e envolvente: um videoclip musical, que acompanha a história e apoia as sessões de sensibilização, um quiz interactivo, fichas de trabalho e guiões pedagógicos para os professores, permitindo que os temas possam ser explorados de forma contínua e integrada no currículo.
Adicionalmente, foi também criada uma “carta” para os pais, promovendo a ligação entre escola e família e incentivando a adopção de comportamentos mais sustentáveis em casa. Esta abordagem multidimensional reforça o impacto da mensagem e contribui para uma aprendizagem mais significativa e duradoura.
Como surgiu a ligação ao Instituto de Apoio à Criança, e o que representa essa vertente solidária neste projecto?
É uma ligação que decorre do ADN da Fundação Galp, onde em todos os projectos procuramos promover a transformação sustentável, justa e inclusiva das comunidades onde a Galp está presente, nomeadamente através da promoção do acesso à energia, educação, redução das desigualdades sociais e preservação dos recursos naturais. Assim, para além da promoção da literacia energética, quisemos adicionar uma vertente solidária ao projecto através do Instituto de Apoio à Criança: por cada exemplar vendido, 1 euro reverte para esta instituição que, desde 1983, trabalha para garantir os direitos das crianças, promovendo o seu bem-estar e protecção.
Além do impacto nas escolas, o envolvimento das famílias pode acelerar a mudança de comportamentos sustentáveis?
Sim, acreditamos que o envolvimento das famílias é essencial para acelerar a mudança de comportamentos sustentáveis.
Este livro foi pensado para ser mais do que uma leitura em sala de aula – é um ponto de partida para conversas em casa, envolvendo pais e filhos numa missão comum: o consumo consciente e responsável da energia, especialmente num contexto marcado por desigualdades no acesso a recursos e por padrões de consumo excessivo.
Que impacto esperam alcançar com esta nova abordagem junto das famílias portuguesas?
Na Fundação Galp acreditamos que a energia transforma o mundo e que a educação é a chave para um futuro mais sustentável. O lançamento deste livro é precisamente mais um passo nesse sentido, onde temos a ambição de despertar consciências e inspirar principalmente as crianças a tornarem-se agentes de mudança.
Queremos também reforçar a importância da literacia. Os resultados do PISA 2022 mostraram-nos que a literacia das nossas crianças e jovens está a cair – e isso é um desafio que não podemos ignorar. Uma criança que lê melhor compreende o mundo, faz escolhas mais informadas e torna-se mais autónoma. Esta é uma missão das escolas e dos pais.
Por isso, “Esperança e Jacinto” não é apenas um livro sobre energia. É um livro que ensina a pensar, a reflectir e a agir. Queremos que as crianças sintam que fazem parte da mudança, que as suas acções contam – e que percorram esse caminho em família.
É, acima de tudo, um livro que nos convida a imaginar e construir um futuro melhor. Tal como o bilhete que o Jacinto deixa à sua amiga: «Esperança. Sentimento de que alguma coisa boa se vai realizar. Confiança no futuro.»
O que podemos esperar do futuro deste programa? Há planos para novas histórias, materiais ou adaptações digitais?
Esta história sobre energia não ficará por aqui! Este Verão já lançámos um encarte de actividades em parceria com o “Expresso”, estivemos na Feira do Livro de Lisboa com um atelier para crianças, e já estamos a preparar mais novidades para o próximo ano lectivo – com novos materiais, desafios e recursos educativos.
O nosso objectivo é estar presente em 100% das escolas do ensino básico localizadas nas comunidades onde a Galp tem instalações industriais e escritórios em Portugal. E, quem sabe, talvez em breve o “Esperança e Jacinto” atravesse fronteiras e chegue também ao nosso país irmão.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Regresso às aulas”, publicado na edição de Agosto (n.º 349) da Marketeer.














