Fidelidade: Proteger não é opcional. É essencial!

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11/03/2026
09:30
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Texto: Sérgio Carvalho, Chief Marketing Officer da Fidelidade

Estamos a vivenciar uma nova realidade climática. Este novo contexto veio expor de forma clara um problema estrutural: Protection Gap, ou seja, diferença entre os prejuízos económicos causados por eventos adversos e o montante efectivamente coberto por seguros.



Estas linhas não começam, infelizmente, como gostaria. Aliás, mudei o tema deste editorial face aos recentes acontecimentos climáticos que afectaram tão severamente o nosso País nos últimos dias, com consequência dramáticas, na vida de famílias, empresas e sociedade. Os últimos tempos trouxeram-nos à memória os incêndios de 2017, as tempestades Leslie e Martinho, mas atingiram-nos com uma singularidade para a qual não estamos bem preparados. A verdade é que temos um país também ele sujeito a fenómenos atmosféricos extremos, a riscos sísmicos e não podemos apenas lidar com as consequências das ocorrências, antes sim, temos de preveni-las.

A actuação tem de ser conjunta: Estado, Sociedade, Empresas com responsabilidade activa na vida de tantas famílias e de cada um de nós, individualmente.

Assim, hoje, mais do que como marketeer, falo-vos como profissional de seguros. Com dados, não muito bons, mas numa tentativa de consciencialização, mínima que seja, para o que todos podemos e devemos fazer, no âmbito da nossa actuação enquanto cidadãos.

Portugal não é excepção. Estamos a vivenciar uma nova realidade climática. Fenómenos extremos – chuvas intensas, tempestades, cheias rápidas, ventos fortes – deixaram de ser excepcionais para passarem a ser recorrentes. Este novo contexto veio expor de forma clara um problema estrutural: o Protection Gap, ou seja, a diferença entre os prejuízos económicos causados por eventos adversos e o montante efectivamente coberto por seguros.

O Protection Gap de Portugal para riscos físicos é de 95%. Apesar da percepção de segurança associada à habitação própria e à actividade empresarial, uma parte significativa das casas e das pequenas e médias empresas em Portugal continua insuficientemente protegida contra riscos climáticos. A tempestade Kristin é um exemplo recente e bastante concreto dessa vulnerabilidade.

Em Portugal, apenas 53% das habitações têm seguro e esta não é uma protecção uniforme por todo o País. Esta protecção é menor quando olhamos para o centro e interior do nosso País e a questão ainda é mais premente quando falamos do conteúdo ou recheio das habitações.

Para além disto, sabemos ainda que mesmo as habitações que estão protegidas, muitas delas estão a infrasseguro, quer isto dizer que não têm o capital correcto para o imóvel ou o conteúdo que têm segurado. E se falarmos especificamente em cobertura de fenómenos sísmicos, os números ainda pioram: apenas 19% das habitações em Portugal têm cobertura para fenómenos sísmicos.

Se pensarmos nas empresas, menos de 50% das empresas com actividade têm seguro de multirriscos e as empresas pequenas são as mais desprotegidas.

Este défice de protecção tem consequências directas: famílias e empresas ficam mais expostas a perdas financeiras significativas, com impacto na sua estabilidade, na recuperação económica e, em muitos casos, na sua continuidade.

Da teoria à realidade

Durante anos, os fenómenos climáticos extremos foram encarados como eventos raros. Hoje, são uma realidade frequente e mensurável. A tempestade Kristin veio reforçar esta evidência, provocando danos relevantes em habitações, condomínios, comércio e empresas, sobretudo devido a danos estruturais causados por vento e queda de árvores, inundações e infiltrações, prejuízos em recheios, equipamentos e mercadorias, interrupções de actividade empresarial e mais ainda na vida de muitos concelhos do nosso País que ficaram sem energia, comunicações e água durante dias e dias.

Este tipo de eventos demonstra que o risco climático é também financeiro, social e económico.

Num contexto de maior volatilidade climática, os seguros multirriscos assumem um papel ainda mais central: protegem o património das famílias, muitas vezes o principal activo financeiro; garantem maior previsibilidade financeira em momentos de crise; permitem uma recuperação mais rápida após um sinistro e contribuem para a resiliência económica das empresas e das comunidades.

No entanto, a protecção só é eficaz quando as coberturas são adequadas, actualizadas e compreendidas pelos clientes.

É neste contexto que soluções como o Fidelidade Casa Mais e o Fidelidade Condomínio, para clientes individuais, ganham particular relevância. São soluções que respondem às novas exigências de protecção, através de coberturas alargadas e ajustáveis às diferentes tipologias de habitação, protecção contra fenómenos naturais e eventos climáticos extremos, f lexibilidade na personalização da apólice, através de várias opções, e serviços de assistência que fazem a diferença no momento do sinistro.

Da mesma forma, a solução Multirriscos Empresas da Fidelidade e também o seguro de Perdas de Exploração podem ser determinantes para salvaguardar a recuperação económica e financeira das empresas em momentos críticos, com impacto positivo também na vida dos seus colaboradores e famílias, e no tecido empresarial português.

A tempestade Kristin

A verdade também é que os seguros ajudam e muito, são essenciais, mas, às vezes, como no caso da tempestade Kristin, temos de ir mesmo mais além. E é neste momento que se torna visível a importância de, além dos seguros, disponibilizarmos e estarmos preparados para uma resposta ágil e célere através de um modelo de distribuição omnicanal, que hoje cruza digital e atendimento presencial e que nos permite responder rápido. Quando um dos canais pode não ser a solução ideal, temos a outra. Por exemplo, as plataformas digitais e telefónicas para os nossos clientes que não tinham rede de comunicações, nem electricidade, não foram muito relevantes, mas dispomos da maior rede de distribuição do País.

Presentes desde o primeiro momento

As nossas agências e os nossos mediadores, mais uma vez, estão a ser peça-chave no apoio e acompanhamento de todos os nossos clientes. Estamos de portas abertas, com presença activa no terreno, e a agilizar aberturas de processos e indemnizações, para que a reconstrução de casas e empresas recomece o mais rápido possível, permitindo à população o retorno à normalidade tão breve quanto possível.

E a verdade é que é bom saber que no terreno temos tantos e tantos profissionais que estão localizados nas principais cidades dos concelhos mais afectados, mas também nas zonas mais afastadas, porque assim conseguimos chegar mais facilmente a todos os que precisam.

A nossa rede de peritos foi de imediato para os locais mais afectados pela tempestade Kristin – Leiria e Coimbra – para agilizar peritagens e dar seguimento aos processos. Mais do que isso, decidimos simplificar procedimentos e prescindir das peritagens físicas para sinistros até 5.000 euros, para que tudo seja mais célere e fácil para os nossos clientes.

Para que a vida não pare

Para além disto e porque os seguros e serviços associados não resolvem tudo, temos muito presente, como habitualmente, a nossa missão de responsabilidade social e, por isso mesmo, em parceria com a REN, disponibilizámos cerca de 31 mil metros quadrados de lonas, o equivalente a quatro campos e meio de futebol, destinadas à protecção provisória de infra-estruturas danificadas pela tempestade, nomeadamente telhados de habitações e estabelecimentos comerciais, enquanto não for possível avançar com as reparações definitivas desses edifícios.

Os materiais foram entregues nas autarquias de Leiria, Pombal e Coimbra, áreas particularmente afectadas pelo mau tempo, que irão coordenar a sua distribuição tão cedo quanto logisticamente possível junto das freguesias e das populações, permitindo uma resposta rápida e mitigando riscos adicionais resultantes da exposição às condições meteorológicas adversas.

Decidimos também, através da cobertura de Medicina Online da Multicare, disponibilizar o acesso gratuito a apoio psicológico e às consultas MGF 24/7 a toda a população dos concelhos em Estado de Calamidade, mesmo que não sejam clientes Fidelidade ou Multicare. Além disso, estamos a analisar medidas excepcionais de apoio através de parcerias com entidades que já estão no terreno, de forma a tornar a nossa contribuição mais eficaz, seja ela de natureza financeira ou material.

A redução do Protection Gap exige um esforço conjunto. Implica maior literacia sobre riscos climáticos e protecção financeira, revisão regular das coberturas e capitais seguros, soluções mais adaptadas à realidade actual e uma contínua proximidade, transparência e confiança na relação com os clientes. Porque num mundo, como o que temos hoje, cada vez mais exposto a fenómenos climáticos extremos, proteger não é opcional, é essencial.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Seguros”, publicado na edição de Fevereiro (n.º 355) da Marketeer.




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