Exposição “Imperfeita“ 1.2 regressa ao Coletivo 284

“Nunca pinto sonhos. Eu pinto a minha própria realidade”, Frida Kahlo.

Há um ano, a mulher, e a figura de Frida Kahlo em particular, deram o mote para o projecto “Imperfeita”, no Coletivo 284. Recebeu 6000 visitantes, bem no meio da pandemia, o que levou a querer criar uma trilogia, seguindo com o tema para 2022 e 2023.

Agora,  numa homenagem à mulher, no mês que é dela, a exposição regressa ao espaço das Amoreiras. A ideia é, através de diversas linguagens artísticas, cortar com estereótipos e exaltar o feminino.

“Apropriando-se da figura de Frida Kahlo como elemento central dessa reflexão, a exposição ‘Imperfeita’ apresenta-se para além de uma simples homenagem. Através dela, pretende-se aprofundar a discussão acerca das alegrias e aflições femininas, privilegiando o olhar da mulher sobre o objecto. Há obras de autoria masculinas, enaltecendo ainda mais o projecto ‘’Imperfeita'”, informa a organização.

A data escolhida claro que não podia ser outra que não 8 de Março. Haverá tarde de autógrafos, com o  lançamento do livro “Somos F*das”, que ficará a cargo de Catarina Coelho, apresentadora da Rede Conexão Mulher e organizadora da obra, uma compilação de textos escritos por mulheres que narram as suas conquistas. O lançamento oficial será acompanhado por depoimentos in loco em formato de entrevista, conduzidos pela comunicadora diante das escritoras. Já à noite, os convidados poderão experienciar as obras dos trinta e oito artistas com Realidade Aumentada – ferramenta testada e aprovada aquando da exposição do ano passado –, bem como a interpretação da actriz Carlota Crespo que representará Frida Kahlo, num monólogo composto pelo escritor Tiago Lima. Por fim, haverá a apresentação da guitarra de Luís Espírito Santo com o tema “La Llorana’’, acompanhado pela voz de Carolina Martins.

E porque este Coletivo 284 gosta de exaltar os cinco sentidos, juntou-se ao restaurante Siesta para que os convidados possam ter uma degustação de sabores da tradicional cozinha mexicana.

A abertura ao público em geral acontecerá dia 11, com especial curadoria musical de Indiara Nicoletti, artista também participante da “Imperfeita”. Já dia 20, ocorrerá o projecto “Imperfeitinha” – um upclycling workshop, evento em que crianças serão convidadas pelo artista José Victor a criarem esculturas de Frida a partir de materiais recicláveis. Na sexta-feira, 25, os trabalhos serão abertos pelo arquitecto Ricardo Zuquete e o artista plástico Luís Espírito Santo, que ilustrarão ao vivo analogias entre os universos da arquitectura e das artes visuais, acompanhados pela performance musical de Joana Anta Lobo.

No dia seguinte, será a vez da poetisa Ana Matias apresentar “Frida Kahlo Corpo de Mulher” e, a 30, o artista Alireza Karini realizará releituras das obras de Van Gogh.

Mas o calendário continua e dia 2 de Abril, pelas 21 horas, será realizada uma leitura encenada da peça “Mulher de Lot”, também escrita por Tiago Lima. O último fim-de-semana da exposição “Imperfeita” inicia-se a 8 de Abril com um jantar temático inspirado nas preferências culinárias de Frida Kahlo.

A “Imperfeita” encerrará a 10 de Abril com a apresentação da agência True Sparkle – Actors de uma mini-peça encenada de autoria de Sofia do Espírito Santo. Será um preview da edição “Imperfeita” 2023, onde Frida Kalho convidará outra grande mulher, que enfrentou e venceu preconceitos e limites.

O que é o Coletivo 284?

O Coletivo 284 é um espaço diferenciador e imersivo, onde se acede através de uma garagem, numa passagem do mundo exterior para o interior que começa desde logo por despertar alguns dos cinco sentidos. Porque essa é, de resto, uma das vontades dos seus responsáveis, Adriana Scartaris e Paulo André fundadores e directores criativos do Coletivo 284.

Se não, leia a forma como o próprio se apresenta: «Imagina um espaço aberto, imponente, ‘underground’, confortável, com sabor a casa. Um organismo vivo, com capacidade de adaptação, de partilha energética, com um sistema auto-sustentado. Um espaço com partições variáveis, de fácil acesso, numa cidade moderna, aberta, cosmopolita. Onde se trabalha, pensa, cria, partilha, expõe, testa e apresenta.» É tudo isto, o Coletivo 284, onde se procura enormes sinergias entre a arte e o design, onde se investe na acústica, onde há aromas que chegam de jardins verticais ou de pratos confeccionados na cozinha aberta, e onde há peças que se destacam pela forma e o material.

Depois, o Coletivo é um espaço vivo, o que se traduz numa enorme versatilidade e adaptabilidade tanto para eventos digitais como presenciais ou híbridos, sendo que nasce, inicialmente, da ideia de Paulo de tentar fazer um showroom das peças de 25 marcas de mobiliário e decoração por si representadas. Mas um showroom que também fosse agregador de outras artes e onde quem lá fosse pudesse viver e trabalhar o espaço.

No meio da vontade, numa feira em Milão, conhece Adriana – artista plástica brasileira – e mesmo com um oceano pelo meio juntam-se neste projecto. Seria também o passado e o mundo de Adriana que haveria de trazer muito da arte ao Coletivo.

Design e Arte assumem-se então como os grandes pilares deste espaço que abre portas em 2019, mesmo antes de se ver obrigado a fechar com a pandemia, com o desígnio, ainda, de cruzar artistas e designers dos dois lados do Atlântico. Ou não fosse também característica intrínseca do Paulo o gosto e vontade de fazer pontes, entre quem faz, quem compra, quem comunica ou vende.

Há um ano, quando podem, abrem com a exposição “Imperfeita”… que agora regressa.

Texto de M.ª João Vieira Pinto

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