Eventos que marcam

Cadernos
Marketeer
28/11/2025
10:48
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Com inovação, talento e foco nas pessoas, a Europalco cria experiências que ficam na memória e que a tornaram no maior ecossistema audiovisual do país.

A os 28 anos, a empresa continua a desafiar limites e a reinventar o que é possível num evento. Pedro Magalhães (CEO), João Pereira (director de operações) e Francisco Capote (director comercial) partilham uma visão que valoriza a criatividade, a excelência técnica e o compromisso com quem faz acontecer. São quase três décadas de evolução constante, em que cada projecto é uma oportunidade para surpreender e elevar o padrão do sector audiovisual em Portugal.

Pedro, que influência teve a sua experiência como DJ no nascimento e evolução da Europalco, até chegar aos actuais 1500 eventos por ano?

Pedro Magalhães (PM) – A única coisa que de facto fez diferença foi a resiliência que ganhei ao começar como DJ, até ao que somos hoje. Acredito que é possível fazer ainda muito mais e melhor, mas, na altura, nunca me passou pela cabeça que iríamos chegar onde chegámos. Nem tinha isso como objectivo.

Não foi esse início que o puxou para este mercado?

PM – As coisas foram acontecendo. Tem de se ir fazendo mais vezes bem do que mal, e, na altura, nem sabia muito bem onde tudo isso me levava. Apenas tinha um foco, em cada festa que fazia: ser sempre melhor do que a anterior. Tudo o resto aconteceu de forma natural. O mercado já era muito difícil. Primeiro, não tínhamos acesso a recursos praticamente nenhuns, porque os que existiam eram escassos e dispendiosos, totalmente fora da realidade no início da actividade. Mas, lá estava, a vontade de querer fazer sempre melhor trouxe-nos onde estamos hoje.

Em 2023, com os dois armazéns em Sintra, passaram a dispor de 8 mil m² e houve um crescimento nos eventos corporativos e na facturação. A entrada de um investidor foi decisiva para acelerar esta expansão?

João Pereira (JP) – Colaborou para isso, mas o crescimento da Europalco vem do trabalho. Em termos de investimento, também houve aqui uma alavanca, mas, claramente, a qualidade do serviço é que nos permite posicionar-nos no mercado como estamos à data de hoje.

A Europalco afirma que “nenhuma experiência é igual a outra”. O que pode pesar mais nessa diferença: tecnologia, logística ou pessoas?

PM – As pessoas em primeiro lugar, sempre. Os equipamentos actualmente estão ao alcance de praticamente qualquer empresa. A forma como os utilizamos, sim, faz toda a diferença. Não conseguimos sem pessoas completamente focadas no que são os objectivos da empresa, em fazer diferente e todos os dias melhor. Depois entram os outros factores.

Como é que o talento, tecnologia e sustentabilidade, pilares da vossa missão, se traduzem no dia-a-dia?

PM – A Europalco tem três certificações: a primeira em qualidade; a segunda, dois anos depois, de sustentabilidade dos eventos; e agora estamos no término da de segurança. Para nós, estas certificações não são meramente um símbolo ou uma bandeira. São algo em que todas as pessoas da Europalco estão muito focadas: na qualidade que apresentamos aos nossos clientes; na sustentabilidade, com os cuidados que são necessários na reutilização dos materiais; e, sobre esta última certificação, a de segurança e saúde no trabalho, como disse, as pessoas são o maior valor que temos. É impossível não olharmos para a segurança de uma forma muito séria, porque não estaríamos a cuidar daquilo que é o nosso maior activo.

JP – Quanto à tecnologia, se não houver ambição para fazer melhor, ela não vai mudar; vamos continuar presos a uma tecnologia que já não nos serve. A ambição das nossas pessoas, em prestar um serviço de melhor qualidade, faz-nos sempre ir atrás de tecnologia e de novos métodos.

Quais são as metas da Europalco para 2030, em termos de sustentabilidade?

JP – Não trabalhamos para certificações, trabalhamos para o dia-a-dia, e a certificação é um extra. Primeiro, criamos qualidade; tendo qualidade, vamos trabalhar para a certificação. E a prova disso é que todos diziam que a de segurança dentro e fora de portas era impossível no mundo dos eventos, mas vamos provar que é possível e hoje começou a auditoria final para a certificação. Portanto, os nossos objectivos são bem claros: as nossas pessoas estarem protegidas, a qualidade dos nossos produtos e termos um mundo sustentável: para tudo o que são tecidos, temos uma reutilização, nomeadamente as licras que vão para eventos. As madeiras que retornam à Europalco, muitas vezes, têm uma segunda vida em prateleiras ou móveis internos. Este é o foco: não olhar para as coisas como desperdício.

PM – Isto já vinha de um princípio muito antigo de reutilização e teve impacto económico na empresa. Outra coisa importante: produzimos muitas peças à medida, habitualmente exclusivas de determinado evento, mas a maior parte dos clientes aceita que sejam doadas, vão para instituições do concelho. No caso das alcatifas, provavelmente o produto que mais consumimos, reutilizam-se em pintura para fazer protecções e temos uma campanha interessante que transforma alcatifas em sacos para senhoras, o que fica supergiro.

Trouxeram tecnologia de som imersivo, usada em eventos como o da Generali Tranquilidade, na MEO Arena. De que forma estas inovações melhoram a experiência do público e acrescentam valor às marcas?

PM – O som nos eventos é o parente pobre. O vídeo vem sempre em primeiro lugar, a luz em segundo, e o som vinha quase sempre em terceiro. Quando olhamos para as tecnologias disponíveis e queremos ter todas as áreas quase ao mesmo nível, temos de investir. Para esse evento, propusemos utilizar esta nova tecnologia no áudio, que era, de facto, uma experiência pouco comum em eventos corporativos. E, claro, as pessoas sentiram toda a diferença.

O nosso foco é surpreender, fazer sempre algo diferente. Normalmente, dizem, “ouve-se, percebo, está tudo bem”, mas há muito para além disso. Isto é áudio imersivo e tracking: quando temos um orador que se desloca da esquerda para a direita no palco, o sistema, de forma automática, reconhece essa deslocação e balanceia. Isso traz naturalidade, o habitual é estarmos sempre a ouvir o som vindo de frente, independentemente de onde está o orador. Com esse equilíbrio entre os olhos e a percepção auditiva, a experiência é muito melhor e a atenção das pessoas é completamente diferente.

Que outras novidades estão para chegar?

PM – Não há exactamente uma expectativa daquilo que podemos esperar que a tecnologia nos venha a oferecer. Prefiro pensar de outra forma. Gosto muito de sair fora do nosso sector, olhar à volta e perceber o que existe e como é que, de alguma forma, conseguimos trazer para o nosso sector.

Depois, é conseguir automatizar esses sistemas para que fiquem compatíveis com tudo o que temos. Se queremos que um robô industrial, que normalmente vemos nas linhas de montagem de automóveis e em outras áreas de negócio, faça um movimento específico num determinado momento, criamos integrações entre os sistemas para que funcionem em harmonia.

A vossa equipa conta com mais de 180 pessoas. Como atraem e retêm talento num sector tão competitivo?

PM – Bem, a atracção é o início de tudo, e conseguimos ter essa capacidade. Começa logo no recrutamento, tem de ser uma boa experiência, independentemente de a pessoa vir a integrar os quadros. Medimos o nível de satisfação tanto na fase de recrutamento como na de acolhimento, porque queremos perceber se estamos a seguir um bom caminho. Existem diferenças que são tão simples como dar uma resposta, mesmo sendo negativa, é algo superimportante. E procuramos explicar o porquê, nem sempre é possível, mas tentamos.

Quando a pessoa já está a ser integrada nas equipas, garantimos que é acompanhada por um tutor, para que a integração seja o mais suave possível. Quando se entra numa organização com tantas pessoas, se não houver esse cuidado, a pessoa sente-se completamente deslocada e perdida.

JP – Tenho quase 20 anos na indústria e nunca vi uma empresa em que havia um tutor atribuído. É uma das práticas muito diferenciadoras: entrar aqui e, passe a expressão, não ser atirado aos lobos. Ter alguém ao lado que acompanha, explica o dia-a-dia e integra na empresa faz toda a diferença.

PM – Depois, a partir desta fase, criamos as melhores condições possíveis. As pessoas que estão no escritório têm todo o conforto, ar condicionado… Quando olhamos para os armazéns, isso costuma ser esquecido. Armazéns climatizados, limpeza, organização, todas estas coisas ajudam na retenção das pessoas.

E que competências serão chave nos próximos anos?

PM – O mercado não consegue formar a quantidade de pessoas necessárias. É sempre um desafio, porque, quando se pensa neste sector, associa-se a cargas horárias exageradas, outro desafio que a Europalco também superou com nota máxima, porque temos esse cuidado. Isso não acontece aqui.

E, apesar de já darmos formação constante, actualmente pensamos criar uma escola de formação interna, uma academia, para conseguir formar mais pessoas capazes de progredirem na carreira. Esse é um dos maiores desafios.

Em relação à tecnologia e à IA, o nosso sector é sempre muito lento em comparação com outros. A imagem que se passa para fora é que nos audiovisuais e nos eventos se trabalha com tecnologia de ponta. Não é verdade. Parece, mas não é. Somos o último sector a receber estas grandes inovações, que já estão presentes em indústrias como a automóvel e a aeronáutica. Por outro lado, isso é confortável, porque quando chegam, já vêm experimentadas. Mas serão essenciais no futuro.

Por exemplo, na MEO Arena, um técnico de som só o ouve na sua posição. Com inteligência artificial, instalamos inúmeros microfones espalhados pela sala e teremos um sistema a analisar a qualidade do áudio, reproduzindo a melhor experiência para todos os espaços.

Já este ano, produziram a Convenção Renault com soluções inovadoras de luz e cenografia. Como nascem estas ideias?

PM – Na maior parte das vezes, não trabalhamos directamente com as marcas, mas sim com agências. Passam-nos um briefing com o que pretendem do evento e a partir daí tudo começa: cenografia, iluminação, som, vídeo, tudo pensado em função do objectivo.

Há clientes mais conservadores. Outras marcas têm disponibilidade para surpreender e querem o melhor evento do ano, então trabalhamos nesse sentido. Percebem a importância de um efeito “uau” quando se entra na sala.

Podemos ter um cenário básico, mas o que acontece? Temos de reduzir o tempo do evento. Todos sabemos que, ao fim de 45 minutos, o nível de atenção começa a cair, por isso provocamos experiências. Algumas marcas investem e obtêm resultados muito melhores; outras não investem tanto e, a determinado momento, as pessoas já não estão concentradas nos temas em debate. A nossa preocupação é sempre transmitir esta mensagem aos clientes: é importante investir, porque assim se garante o retorno do investimento.

E têm estratégias para lidar com imprevistos, como o blackout ibérico?

PM – A questão da perda de energia foi um desafio para todas as empresas. Na Europalco, há muitos anos que os equipamentos audiovisuais funcionam todos em redundância. Nesse dia, estávamos com três eventos a decorrer em live, além de outras tantas montagens. Todos esses eventos pararam, mas não pelos audiovisuais, foi porque não havia catering ou condições de segurança asseguradas. Quando acontecem estas situações, pensamos que, sendo um corte de energia, em cerca de uma hora se resolve. E assim, garantíamos que teríamos condições de manter, dentro dessa limitação.

Quem analisou aquilo que se passou retirou conclusões, e percebe que, daqui para a frente, eventos com alto nível de responsabilidade vão precisar de geradores para assegurar a continuidade da mensagem. Alguns não tiram conclusões e repetem erros. Mas também não pode ser aquela euforia a que se assistiu nos dias a seguir, comprando geradores de forma precipitada. É preciso analisar, perceber e tomar decisões.

JP – É importante referir que, mesmo dentro de casa, conseguimos ter o gerador ligado na área de produção, que faz a cenografia. Houve preocupação, mas não podíamos parar. Maioritariamente, é estarmos preparados para qualquer situação. Costumamos dizer: se o treino for difícil, os jogos são mais fáceis.

E como vêem a Europalco daqui a cinco anos, em Portugal e no estrangeiro?

Francisco Capote – Com a entrada de investidores e a minha contratação, a ideia é expandir. E com as novas aquisições de empresas que já fizemos, vamos crescer de uma forma sustentável, por exemplo, geograficamente: este ano já inaugurámos um armazém no Porto e em breve vamos ter um no Algarve. Assim ficaremos com mais material localmente, sem ter de o transportar desde Sintra, o que reduz custos para o cliente e é mais sustentável.

Vamos também apostar na internacionalização, estar mais próximos de parceiros e ajudaremos na promoção de Portugal, mostrando que é o sítio ideal para eventos. Prevemos crescimento sustentável, mas sempre mantendo o que fazemos aqui e dando confiança às pessoas fora de Portugal para continuarem a usar os nossos serviços.

Este artigo faz parte da edição de Outubro (n.º 351) da Marketeer.




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