M.ª João Vieira Pinto
Directora de Redacção Marketeer
Já percebemos que o Turismo está para o nosso País como o Cornetto está para a Olá: veio para ficar. Basta um passeio na Baixa de Lisboa ou Porto para desconfiar. E para quem ainda tem alguma dúvida, é só uma questão de fazer as contas ou olhar aos números: nas operações turísticas, as receitas chegaram aos 27,7 mil milhões de euros em 2024, num aumento de 8,8% face ao ano anterior, sendo que a contribuição – directa e indirecta – do Turismo para o PIB é de 12,7% (2023), num valor de 33,8 mil milhões de euros.
Ora se os valores se multiplicam, equação idêntica tem feito a oferta. Restaurantes, alojamentos locais ou hotéis continuam a abrir, num desafio permanente e constante de equilíbrios. Há crise na habitação, há riscos nos empregos, há desertificação nas cidades, há o esvaziamento de valor na oferta identitária do País. Lojas centenárias fecham para que um hotel abra portas. Tascas de sempre trocam nas prateleiras as travessas de alumínio para servirem em taças de cerâmica – nada contra o artesanato – o que o português não quer, mas que o turista gosta. E bons quadros saídos de escolas hoteleiras metem-se no avião para outras geografias, que, por cá, o investimento em quadros – no sector – é parco e de baixo valor.
Só que a procura tem crescido, sim, mas reajustado o perfil, com o segmento de luxo a apresentar dados mais interessantes. Voltamos então ao mesmo: se aquela cresce, a oferta não lhe fica atrás, até porque Portugal sabe, de facto, fazer bem! O que não podemos deixar de fora desta equação é todo o restante valor que, quem paga, quer ter – os colaboradores que sabem receber, o serviço que é prestado com alma, experiências realmente autênticas e destinos que se mantenham genuínos. Se esquecermos o que ainda nos resta destas peças do tabuleiro, o risco que corremos será idêntico ao do Cornetto da Olá em dia de calor maior: derreterá em pouco e não haverá hipótese alguma de o voltar a provar!
Editorial publicado na revista Marketeer n.º 348 de Julho de 2025














