Por Tiago Almeida Nogueira, e-Commerce Services coordinator na Worten
Ao longo dos últimos anos, sempre que se falava em visibilidade digital, tal era encarado como uma questão técnica: keywords, estrutura e links. Contudo, esta lógica está a mudar. Num mundo em que a IA Generativa é uma buzzword e hot topic, a visibilidade já não se baseia em meros algoritmos, mas sim no reflexo da experiência, por parte das marcas, sempre com foco no utilizador humano.
Os motores de pesquisa atuais já não se focam apenas em avaliar páginas, mas sim em compreender padrões. As organizações que estão melhor preparadas são aquelas que constroem sistemas de confiança e não apenas pontos de contactos refinados. Atualmente, esta visibilidade é moldada por três dimensões:
• Sinais da marca: reconhecimento pelos utilizadores, a sua autoridade e a consistência naquilo que faz;
• Sinais de experiência: conteúdo com qualidade e substância, e não apenas um conjunto de informações técnicas;
• Sinais de comportamento: profundidade de navegação na jornada, ações realizadas, retenção dos utilizadores e o seu envolvimento.
Durante vários anos, a disciplina de SEO focou-se em descobrir possíveis lacunas e otimizações ao algoritmo e suas atualizações, antes que a concorrência o fizesse. De dia para dia, há uma maior proliferação do conteúdo “mais ou menos”, aquele que é criado para encher a vista. A diferenciação destes conteúdos face a outros? Provavelmente é nenhuma.
Mas deixem-me deixar bem claro a minha posição: a Human Experience Optimization (HXO) não é uma substituição ou evolução do SEO. É uma ampliação do mesmo. Isto porque enquanto o SEO se foca na aquisição, com uma intenção extremamente qualificada desse tráfego, a HXO foca-se em muito mais do que isto. Foca-se na vertente da experiência e usabilidade através da disciplina de UX, com foco em aumentar a clareza e reduzir a fricção nos diferentes touchpoints de interface. Aponta em força para a disciplina de CRO com o objetivo de passar da confiança à ação, sem nunca descorar da importância da marca, no que diz respeito ao posicionamento e valor percecionado pelos consumidores. Pois só através da consistência e da coerência é que conseguimos incrementar a credibilidade junto das nossas audiências.
O foco? É muito claro:
1. Aumentar o tráfego e reduzir o CAC (custo de aquisição de clientes);
2. Escalar a nossa autoridade nas novas ferramentas de IA Generativa;
3. Incrementar o retorno direto e orgânico através de um shift nos canais de aquisição.
Num mundo onde os LLM (Large Language Models), como o ChatGPT ou o Gemini, são a nova moeda de troca, capazes de trabalhar qualquer informação pública, o diferencial está na ownership sobre dados, bem como testes e casos em primeira mão, propriedade da organização, tornando aquela informação em algo único e com valor acrescentado. Como refere a McKinsey, passa por aprofundar o conhecimento num domínio específico, fornecendo informação altamente valiosa. A probabilidade de citação por parte das ferramentas de IA, como o ChatGPT, será substancialmente maior, bem como o aumento da credibilidade e confiança por parte dos utilizadores. Há um shift claro em que o conteúdo deixa de se focar apenas na disciplina de “content marketing”, mas passa também ele a ser “content proof”. Da experiência que tenho tido na utilização destas ferramentas, posso afirmar, claramente, que as mesmas valorizam consistência. Não se focam apenas numa “boa página” como exemplo, mas sim um sistema que é capaz de dar uma boa experiência de forma constante.
Por que é que, segundo dados do Promptwatch, o Reddit tornou-se a segunda fonte mais citada pelo ChatGPT em janeiro de 2026, tendo ficado apenas através da Wikipedia? Citado 34,7% das vezes. É por isso que os subreddits estão cada vez mais inundados com “falsas questões”, publicidade disfarçada de conselhos, bem como conversas altamente artificiais e forçadas. Mas a questão é esta: por que é que o Reddit consegue rankear tão bem? Porque a IA valoriza aquilo que nós, humanos, valorizamos: conversas autênticas e opiniões e experiências honestas.
É aqui que as empresas que se destacam na nova forma de pesquisar. Todas se focam em experiências que tenham como objetivo alguma utilidade constante para o utilizador, de uma forma constante. A visibilidade é uma consequência, mas não é a meta. Mais do que pequenas fancy words e “chavões”, é o momento para as organizações colocarem diferentes silos a trabalhar sobre a mesma responsabilidade e os mesmos indicadores de performance: visualizações de página de produto, profundidade de leitura, conversões sem foco promocional e por aí adiante. As promoções não podem ser fator primordial de conversão.
O SEO não está morto, e provavelmente nunca irá estar. A verdade é que está em metamorfose, o que são boas notícias, pois é a oportunidade ideal para nos destacarmos de grandes tubarões que sempre fizeram tudo da mesma forma. É altura de incorporar coerência naquilo que fazemos a longo prazo e apostar na confiança da marca, porque confiança é sinónimo de visibilidade, no mundo digital.














