Crianças portuguesas passam até 3h21 diárias em frente a ecrãs, o triplo do recomendado

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11/09/2025
16:40
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O regresso às aulas sem ecrãs é cada vez mais urgente. O uso excessivo destas tecnologias tem vindo a causar ansiedade, depressão, défice de atenção, obesidade e isolamento social, ameaçando criar uma geração ansiosa, sedentária e dependente, alerta a SalusLive.

Dados nacionais revelam que as crianças portuguesas passam muito mais tempo em frente a ecrãs do que o recomendado internacionalmente:

Crianças em idade pré-escolar (3 a 5 anos): cerca de 2h34 por dia

Crianças do ensino básico (6 a 10 anos): até 3h21 por dia

A SalusLive, referência nacional em intervenção pediátrica, destaca que as recomendações internacionais aconselham no máximo 60 minutos diários para os mais pequenos e até 2 horas para as crianças mais velhas. A maioria das crianças portuguesas ultrapassa largamente estes limites.

Consequências para a saúde mental, social e física

O uso excessivo está associado a ansiedade, depressão, défice de atenção e dependência digital. Socialmente, conduz ao isolamento, dificuldades na comunicação e menor empatia. Fisicamente, promove sedentarismo, obesidade, distúrbios do sono, problemas de visão e postura. Estes efeitos agravam-se quando o tempo de ecrã substitui brincadeiras, convívio familiar e descanso adequado.

“Estamos a assistir ao crescimento de uma geração menos sociável e com maiores dificuldades emocionais. Se nada mudar, dentro de 5 a 10 anos teremos jovens com mais problemas de saúde mental, menor adaptação escolar e profissional, e doenças crónicas associadas ao sedentarismo e uso inadequado da tecnologia”, alerta Raquel Cunha, diretora clínica da SalusLive.

Idades mais críticas

0–2 anos: o uso de ecrãs prejudica a linguagem, vínculo afetivo e sono — totalmente desaconselhado.

2–5 anos: afeta a atenção, autorregulação emocional e substitui brincadeiras fundamentais.

6–10 anos: interfere na aprendizagem, sono e relações sociais.

+11 anos: aumenta risco de ansiedade, depressão e dependência digital, sobretudo pelo uso intensivo das redes sociais.

O papel dos pais e das escolas

Para a SalusLive, a intervenção de pais e escolas é crucial:

Pais: devem dar o exemplo, criar zonas sem ecrãs (como durante as refeições ou no quarto), negociar regras e propor alternativas offline, como jogos de tabuleiro, atividades ao ar livre ou leitura partilhada.

Escolas: devem limitar o uso de telemóveis nos intervalos, promovendo socialização, movimento e descanso digital.

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Criar zonas livres de ecrãs nos recreios, com supervisão positiva.

Disponibilizar materiais que estimulem o jogo cooperativo (cordas, bolas, jogos de chão).

Promover dinâmicas que incentivem participação e empatia.

Organizar rodas de conversa para estimular o diálogo entre pares.

Envolver os alunos na criação de brincadeiras, dando-lhes voz ativa.

O impacto social de uma geração digitalmente dependente

Sem intervenção, Portugal arrisca-se a formar jovens menos sociáveis e com maiores dificuldades emocionais e profissionais, menos preparados para cooperar, liderar e resolver conflitos — com impactos individuais, sociais e económicos a médio prazo, alerta Raquel Cunha.

Recomendações oficiais

Segundo a Sociedade Portuguesa de Pediatria:

0–2 anos: evitar totalmente

2–5 anos: máximo 1 hora por dia, sempre com supervisão

6–10 anos: até 2 horas por dia

+11 anos: idealmente 2–3 horas por dia (excluindo uso escolar)




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