A consultora global SEC Newgate apresentou um novo relatório sobre o futuro da comunicação e dos assuntos corporativos, com horizonte temporal até 2030. Intitulado PR2030: O Futuro da Comunicação, o estudo reúne contributos de 500 profissionais do grupo em todo o mundo e oferece uma visão clara sobre como o setor deverá transformar-se para enfrentar um cenário marcado pela desinformação, polarização e desafios tecnológicos crescentes.
O diagnóstico é direto: a confiança será o recurso mais escasso e valioso nos próximos anos. Num contexto global instável — com tensões geopolíticas, emergência climática e proliferação de informação falsa —, as organizações terão de reforçar a sua legitimidade institucional através de uma comunicação ética, autêntica e resiliente.
O relatório apresenta cinco eixos estratégicos para a transformação do setor: a integração ética da transformação digital, incluindo o uso da inteligência artificial; o desenvolvimento de novas competências, com equipas multigeracionais capazes de conjugar pensamento crítico, análise de dados e empatia; a promoção de uma comunicação mais transparente e bidirecional; a preparação para crises com estratégias de resiliência mais robustas; e a evolução do papel do comunicador, que passará de relações públicas para uma consultoria estratégica centrada na reputação.
A inteligência artificial surge como uma ferramenta com grande potencial, mas também com riscos significativos. Se, por um lado, permite ganhos de eficiência e capacidade analítica, por outro, levanta questões sérias como a manipulação digital, os deepfakes e a desumanização da mensagem. O modelo proposto pelo relatório é híbrido: máquinas como apoio, humanos no comando.
Simultaneamente, a desinformação é apontada como uma das maiores ameaças à integridade da comunicação. O estudo propõe o uso de estratégias como o pre-bunking (antecipação de narrativas falsas), fact-checking em tempo real e colaboração activa com organismos de verificação. Os profissionais da comunicação deverão assumir um papel mais vigilante, como guardiões da verdade num ecossistema informativo cada vez mais vulnerável.
A evolução do sector também implicará o surgimento de novos perfis profissionais, como estrategas de informação, engenheiros de prompts, analistas de desinformação e especialistas em comunicação ética. A concorrência por este tipo de talento será intensa, especialmente face a áreas como tecnologia, ONG’s e administrações públicas.
O relatório encerra com dois cenários possíveis para 2030: um negativo, onde a comunicação se torna desumanizada e as instituições perdem credibilidade; e outro positivo, onde os profissionais do sector assumem um papel de liderança ética e se tornam construtores de confiança. A diferença entre um caminho e outro dependerá da forma como forem geridas a tecnologia, a ética e o capital humano ao longo da década.














