Branding colaborativo: a força está na rede

OpiniãoNotícias
Marketeer
21/10/2025
20:02
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Opinião de Rita Brígido, chief Marketing Officer da Simplefy

Durante muito tempo, o modelo de franchising foi a forma principal de expandir negócios, prometia uniformidade, controlo e crescimento. Mas, mais recentemente começou a ganhar força uma nova forma de trabalhar, impulsionada pela mudança no que os clientes e empreendedores esperam: os ecossistemas de marcas colaborativas.

O branding colaborativo não é uma ideia totalmente nova – lembremo-nos do “Intel Inside” ou nos modelos “Powered by” na tecnologia. A diferença, agora, é que este modelo está a chegar a setores antes mais tradicionais e com regras mais apertadas.

A tecnologia tem sido um dos grandes motores desta mudança. Com ferramentas digitais mais acessíveis, como sistemas de gestão de clientes (CRM), ferramentas de compliance e formações online, as redes de parceiros trazem vantagens, e mantém a identidade de cada um. Este modelo valida as marcas sem as apagar. A marca principal funciona como um ‘selo de qualidade’ que traz mais credibilidade aos parceiros, sem os obrigar a mudar a sua identidade. A infraestrutura partilhada – tecnologia, formação e apoio institucional – torna-os mais fortes e permite-lhes aceder a ferramentas que de outra forma lhes seriam de difícil acesso. Este ecossistema é um palco partilhado, onde a marca principal não guarda toda a atenção para si, mas ajuda a dar voz aos seus parceiros, numa comunidade onde todos ganham.

Em Portugal, um estudo recente (Foundever e Nova IMS 2025) revelou que cerca de 48% dos consumidores valorizam cada vez mais a interação humana, e que mais de 60% antecipam (e esperam) um futuro híbrido entre tecnologia e atendimento humano. Em áreas sensíveis como finanças e crédito, estes dados traduzem-se em ‘confiança’. Dados, aliás, confirmados pelo Edelman Trust Barometer de 2024 que indicam que, nestes setores, a confiança vem da transparência e das relações pessoais. Ou seja, forçar marcas locais fortes a encaixar num modelo rígido de franchising pode estragar o que as torna especiais.

E esta mudança não é teórica — está a acontecer . Com o número de intermediários de crédito a crescer e o setor cada vez mais regulado, a profissionalização e a necessidade de digitalização acentuam-se.

Kotler diz que caminhamos para o Marketing 5.0, onde a tecnologia serve as pessoas e a criação de valor é feita em conjunto. E o branding colaborativo passa por aí: usar a tecnologia para fortalecer uma rede de marcas humanas e locais.

Não é um caminho fácil. Exige confiança nos parceiros, sistemas de apoio fortes e a capacidade de abrir mão de algum controlo. Mas os resultados em envolvimento, lealdade e crescimento de qualidade valem o esforço. O sucesso não se mede só pelo tamanho da marca, mas pela força do ecossistema que se consegue criar. O branding colaborativo não é apenas uma estratégia; é uma forma de pensar que reconhece que, hoje, a força está na rede, não em estruturas isoladas.




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