O bem-estar digital de crianças e adolescentes está em declínio, com mais de 60% dos jovens entre os 16 e os 17 anos a registarem níveis considerados baixos, segundo um novo estudo da Aura. Entre os mais novos (8-15 anos), esse valor fica abaixo dos 40%, o que coloca em evidência uma deterioração progressiva à medida que aumenta a autonomia no uso de dispositivos.
A investigação, baseada num índice próprio que avalia 17 dimensões da vida digital, conclui que pontuações mais baixas estão associadas a maiores níveis de stress, pior qualidade de sono e estados de humor mais negativos. Um dos principais insights do estudo é que o impacto negativo não depende apenas do tempo passado online, mas sobretudo da forma como os dispositivos são utilizados.
Entre os jovens com menor bem-estar digital, destacam-se padrões como uma verificação do telemóvel até sete vezes mais frequente, o envio de cinco vezes mais mensagens, uma alternância entre aplicações três vezes mais elevada e um maior uso intensivo durante a noite e maior dificuldade em desligar.
O estudo revela também uma mudança significativa nas dinâmicas de pressão social, com quase metade dos jovens (44%) a admitir sentir pressão para estar online, naquele que é um valor superior ao registado para comportamentos como fumar (31%), faltar às aulas (28%) ou consumir álcool (24%).
Além disso, 1 em cada 2 jovens já se sentiu excluído por não estar em determinadas plataformas ou grupos digitais, enquanto 56% dizem sentir-se sobrecarregados com a quantidade de informação online. Mais de metade (55%) recorrem também mais aos dispositivos quando enfrentam stress social.
É perante este cenário que a Aura lança o “Digital Wellbeing Score”, um indicador que analisa padrões de utilização dos dispositivos e os compara com comportamentos associados a níveis mais elevados de stress ou cansaço. Integrada na app Aura Parents, a ferramenta estabelece uma base de comportamento ao longo dos primeiros dias e acompanha a evolução através de uma média contínua, permitindo identificar tendências de melhoria ou agravamento.
A empresa sublinha, no entanto, que este sistema não tem caráter clínico nem substitui diagnósticos de saúde mental, funcionando antes como um sinal de alerta para hábitos potencialmente problemáticos.












