Giorgio Armani, o icónico estilista italiano que faleceu na semana passada aos 91 anos, deixou instruções detalhadas no seu testamento quanto ao futuro do império de luxo que construiu ao longo de décadas. De acordo com o Financial Times, Armani nomeou os grupos LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica como compradores preferenciais para assumirem o controlo do grupo Giorgio Armani, atualmente o maior império privado do sector do luxo a nível mundial.
O testamento manuscrito, datado de Abril e tornado público na passada sexta-feira, estipula que os herdeiros, entre os quais se encontram o seu braço-direito Leo Dell’Orco e vários familiares próximos, devem vender uma participação inicial de 15% a um dos três grupos referidos. Posteriormente, deverá ser alienada uma nova quota, entre 30% e 54,9%, à mesma entidade, num prazo de cinco anos após o falecimento de Armani. Caso este processo não se concretize, os herdeiros, que irão herdar a empresa através da Fundação Giorgio Armani, deverão optar por uma entrada em bolsa.
Armani era o único acionista do grupo, que inclui marcas como Emporio Armani, Armani Exchange, Armani Privé, além de hotéis, restaurantes e uma rentável linha de cosméticos. A L’Oréal mantém, desde 1988, um contrato de licenciamento com a marca, responsável pela comercialização de produtos como o perfume Acqua di Giò. Já a EssilorLuxottica produz e distribui a linha de óculos da marca. No testamento, Armani admite ainda que outros parceiros comerciais existentes poderão ser considerados como potenciais compradores, embora os três grupos nomeados tenham prioridade.
Apesar de, numa entrevista ao Financial Times em 2023, Armani ter manifestado a sua oposição a uma aquisição por parte de conglomerados franceses também reconheceu que a identidade da empresa estava fortemente ligada à sua e que, após a sua morte, a mudança seria inevitável. Dos três grupos preferenciais, dois são franceses (LVMH e L’Oréal), sendo a EssilorLuxottica uma empresa de origem italiana mas cotada em Paris.
Embora a fundação Giorgio Armani tenha sido criada em 2016 com o objetivo de evitar a fragmentação ou venda da empresa após a sua morte, analistas e pessoas próximas do estilista sempre consideraram pouco provável que o grupo permanecesse independente a longo prazo. Apesar de Armani manter o controlo absoluto até ao fim da sua vida, as receitas do grupo estabilizaram nos últimos anos, situando-se nos 2,4 mil milhões de euros em 2024, num contexto de desaceleração no sector do luxo e com as gerações mais jovens a afastarem-se do vestuário formal que caracteriza a marca.
Leo Dell’Orco, companheiro de longa data do designer e atual responsável pela linha masculina da marca, foi contemplado com 30% do capital social e 40% dos direitos de voto, tornando-se uma figura-chave no futuro da empresa. Entre os restantes herdeiros encontram-se as sobrinhas Roberta e Silvana Armani, ambas com funções ativas na empresa, o sobrinho Andrea Camerana, membro do conselho de administração, e a irmã Rosanna.














