A mais recente campanha da American Eagle, protagonizada pela atriz Sydney Sweeney, está a gerar polémica nas redes sociais e nos meios de comunicação dos Estados Unidos. O motivo? Um trocadilho entre “genes” e “jeans” que, segundo muitos críticos, evoca referências problemáticas associadas a discursos eugenistas e de supremacia branca.
A campanha apresenta Sweeney, conhecida pelas suas participações em Euphoria e The White Lotus, vestida com um conjunto de ganga da marca, acompanhada da frase: “Sydney Sweeney has great jeans” (Sydney Sweeney tem uns ótimos jeans). Num dos vídeos, vê-se ainda a atriz a colar essa imagem num painel publicitário, onde o texto original “Sydney Sweeney has great genes” é riscado e substituído por “jeans”.
No entanto, o maior foco da controvérsia surgiu após a publicação, entretanto removida, de um vídeo em que a atriz, loira, de olhos azuis, afirma: “Os genes são passados dos pais para os filhos e determinam características como a cor do cabelo, da personalidade e até dos olhos. Os meus jeans são azuis.”
A referência aos “genes” físicos da atriz, como os olhos azuis e cabelo loiro, misturada com um trocadilho sobre ganga, levou a acusações de conotações eugenistas, reavivando debates sobre representações raciais, especialmente no contexto histórico do nazismo, onde a estética ariana era idealizada.
Nas redes sociais, o desagrado foi imediato. Comentários como “Isto soa a propaganda subtil da Alemanha dos anos 30” e “campanha com olhar lascivo sobre o corpo da atriz” dominaram os tópicos, levando a American Eagle a remover o vídeo mais polémico e a emitir um comunicado oficial.
Num post publicado no dia 1 de agosto, a marca afirmou: “Esta campanha é, e sempre foi, sobre jeans. Vamos continuar a celebrar como cada pessoa usa os seus AE jeans com confiança, à sua maneira. Bons jeans ficam bem em toda a gente.”
Apesar da defesa da marca, a discussão levantou questões relevantes sobre a responsabilidade criativa, a sensibilidade cultural e os limites do humor e da ambiguidade na comunicação de moda.
De acordo com a American Eagle, a campanha visava apenas capturar uma energia leve e divertida. Descrita como “atrevida e cheia de charme”, a produção posicionava Sydney Sweeney como a protagonista perfeita para transmitir uma atitude descontraída e irreverente. Ainda assim, o episódio evidencia como o contexto cultural e a leitura pública de campanhas podem desafiar até as intenções aparentemente inofensivas. E, num panorama onde marcas são cada vez mais chamadas a prestar contas pelas suas mensagens, o equilíbrio entre criatividade e responsabilidade torna-se essencial.














