Continente: Equilíbrio à mesa

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06/10/2026
09:02
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Continente: Equilíbrio à mesa

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Mais do que seguir tendências, o Continente procura tornar a alimentação saudável uma escolha simples, acessível e adaptada a diferentes estilos de vida

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A crescente procura por produtos funcionais, alimentos ricos em proteína e fibra e soluções práticas está a transformar os hábitos de consumo e a desafiar as marcas a responder a necessidades cada vez mais diversificadas. Neste sentido, o Continente tem vindo a adaptar continuamente a sua oferta, apostando na literacia alimentar, na reformulação e na inovação dos seus produtos. Em entrevista à Marketeer, Mayumi Delgado, responsável de Nutrição do Continente, explica como a marca está a responder a estas mudanças e a promover hábitos alimentares mais saudáveis e escolhas mais informadas.

Como é que o Continente encara a sua responsabilidade na promoção de hábitos alimentares mais saudáveis?

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O Continente tem um papel muito ativo na promoção de hábitos alimentares mais saudáveis e informados, não só através da disponibilização de uma oferta variada, equilibrada e acessível, mas também através do apoio à produção de conhecimento e ao desenvolvimento de iniciativas de sensibilização. A parceria com a APN para a realização do Estudo Nacional de Avaliação da Literacia Alimentar em Adultos reflete, precisamente, esse compromisso, permitindo aprofundar o conhecimento sobre a forma como os consumidores compreendem, avaliam e aplicam a informação relacionada com a alimentação.

Os resultados demonstram que, apesar de existir um acesso generalizado à informação alimentar, persistem desafios na sua tradução em comportamentos efetivamente saudáveis e sustentáveis, reforçando a importância de continuar a criar ferramentas, soluções e contextos que facilitem escolhas mais conscientes no dia a dia e contribuam para a promoção da saúde e do bem-estar da população a longo prazo.

Como tem a Cozinha Continente respondido à crescente procura por conveniência, conciliando rapidez, sabor e equilíbrio nutricional?

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A conveniência tem vindo a assumir uma importância crescente nas escolhas dos consumidores, mas acreditamos que uma solução conveniente também pode ser nutricionalmente equilibrada. É esse o caminho que procuramos seguir na Cozinha Continente: facilitar o dia a dia sem obrigar o consumidor a escolher entre praticidade, sabor e equilíbrio nutricional.

Um exemplo concreto é a sopa, um prato tão tradicional da alimentação portuguesa, nutricionalmente muito interessante e, simultaneamente, uma solução prática para aumentar o consumo de hortícolas no dia a dia e cuja gama temos vindo a reforçar.

A par destas opções mais tradicionais, temos vindo também a inovar com soluções funcionais, desenvolvidas por chefs e nutricionistas. A oferta da Cozinha Continente contempla diferentes formatos, desde o take-away e restaurante a refeições prontas a consumir ou a finalizar em casa, procurando conciliar a qualidade dos ingredientes, sabor, conveniência e equilíbrio nutricional sem recorrer à adição de corantes, conservantes, intensificadores, aromas artificiais e gorduras hidrogenadas.

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O objetivo é demonstrar que uma alimentação equilibrada pode também ser prática e saborosa, adaptando-se às necessidades e aos ritmos de vida atuais. Neste momento, continuamos a apostar na inovação e no desenvolvimento de receitas que acompanhem tendências de consumo e as necessidades de consumidores cada vez mais informados.

A Cozinha Continente lançou uma gama de refeições funcionais, desenvolvidas em conjunto por chefs e nutricionistas. O que motivou esta aposta?

O lançamento da gama de refeições funcionais, no final de 2025, surgiu no âmbito deste nosso compromisso com a promoção de um estilo de vida saudável e com a disponibilização de soluções que contribuem para uma alimentação equilibrada. Desenvolvidas em conjunto por chefs e pela equipa de nutricionistas do Continente, estas refeições têm como objetivo cumprir um propósito funcional, potenciando o bem-estar. As refeições são desenvolvidas a partir de ingredientes frescos, clean label e inspiradas na Dieta Mediterrânica. Disponíveis em diferentes variedades, todas as receitas incluem fontes de proteína, hidratos de carbono, lípidos e fibra. Paralelamente, contam com vários micronutrientes, como vitaminas e minerais, que são escolhidos para contribuírem com benefícios funcionais concretos.

A alimentação saudável continua associada a um custo mais elevado. De que forma é que o Continente procura contrariar essa perceção e tornar estas opções mais acessíveis?

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No Continente, procuramos contrariar essa perceção, apostando na literacia alimentar e na desmistificação da crença de que comer melhor carece de alimentos mais sofisticados. Muitas vezes, os produtos com melhor densidade nutricional e baixo custo por refeição são também os mais simples, como leguminosas, ovos, arroz, massa, batata, aveia, leite ou iogurte natural, fruta e hortícolas da época, alguns congelados simples e conservas como atum ou sardinha. Para além de já serem presença habitual na rotina de muitas famílias, estes alimentos integram também a Roda da Alimentação Mediterrânica, uma das principais referências para uma alimentação saudável em Portugal.

Nos últimos anos tem aumentado a procura por produtos ricos em proteína. Como é que o Continente acompanha estas mudanças sem cair apenas nas tendências do momento?

Procuramos acompanhar a evolução de tendências de consumo, tendo sempre como base os fatores essenciais para uma alimentação equilibrada. Nesse sentido, apostamos no desenvolvimento de produtos inovadores, que apresentam benefícios reais para os consumidores. De forma a garantir a qualidade e a inovação dos nossos produtos, contamos com o Co-Lab, o centro de co-inovação do Continente, onde equipas internas, fornecedores e parceiros trabalham em conjunto no desenvolvimento, teste e otimização de novas receitas.

Com mais de 200 produtos, a gama Continente Equilíbrio é igualmente uma das nossas grandes apostas e demonstra o nosso compromisso com a disponibilização de produtos que pretendem dar resposta a diferentes necessidades e preferências alimentares, com soluções pensadas para vários momentos de consumo e para diferentes perfis dentro da família.

A reformulação de produtos para reduzir sal, açúcar ou gordura é hoje uma prioridade para muitas marcas. Como é que o Continente trabalha este processo nas suas marcas próprias e quais são os principais desafios?

A reformulação é feita de forma criteriosa e, muitas vezes, progressiva, porque melhorar o perfil nutricional de um produto não pode significar comprometer o sabor, a textura, a segurança ou a sua aceitação pelo consumidor. Este trabalho pode assumir diferentes níveis de intervenção: nos iogurtes líquidos, por exemplo, a redução do teor de açúcar foi realizada de forma gradual, tendo sido possível, em muitos casos, reduzi- lo para cerca de metade. Já nas polpas de tomate foi possível ir mais longe e eliminar totalmente o sal adicionado, tendo em consideração que se trata de um produto utilizado maioritariamente em confeções nas quais o consumidor poderá posteriormente adicionar sal.

Também na Cozinha Continente, e seguindo as recomendações da Direção-Geral da Saúde, temos vindo a reduzir progressivamente o teor de sal, tendo igualmente implementado a utilização de azeite em todas as nossas receitas.

O maior desafio está precisamente em encontrar este equilíbrio, ou seja, conseguir uma melhoria nutricional e de composição relevante sem deixar de responder às expectativas do consumidor em termos de sabor, qualidade e preço, nem comprometer a segurança e a viabilidade tecnológica do produto.

Como conseguem responder às necessidades de perfis tão distintos como famílias, idosos, crianças, desportistas ou consumidores que seguem dietas específicas?

Uma alimentação equilibrada assenta em princípios comuns, mas as necessidades nutricionais, os estilos de vida e os momentos de consumo são diferentes ao longo da vida.

Por isso, mais do que procurar uma solução única para todos, o nosso objetivo é disponibilizar uma oferta diversificada para que cada consumidor possa fazer escolhas adequadas às suas necessidades.

É também nesse sentido que temos vindo a desenvolver diferentes segmentos da nossa oferta, apostando no reforço das nossas marcas próprias e exclusivas, como Continente Equilíbrio, Continente do Bebé, Continente Seleção, Cozinha Continente, Way Up, entre outras. A gama Continente Equilíbrio, por exemplo, integra produtos com características nutricionais distintas, como opções com maior teor de proteína ou fibra, com redução de açúcar, sal ou gordura, permitindo responder a diferentes objetivos e momentos de consumo.

Em Continente do Bebé, a nossa gama cumpre critérios rigorosos de qualidade, eficácia, nutrição e sustentabilidade, tendo sido desenvolvida em parceria com diferentes especialistas, para proporcionar a melhor experiência para pais e filhos. No fundo, queremos que o equilíbrio nutricional esteja presente nas nossas marcas e atuamos de forma transversal em todas as categorias, dando prioridade aos produtos mais procurados pelos consumidores.

Sustentabilidade e alimentação saudável são hoje temas cada vez mais próximos. De que forma é que o Continente procura integrar estas duas dimensões?

Mais do que temas fundamentais, a sustentabilidade e a alimentação saudável são tópicos complementares e que devem ser trabalhados de forma interligada. No Continente, as duas dimensões são sempre integradas no processo de desenvolvimento da oferta alimentar.

Para ligar as duas vertentes, guiamo-nos pelos princípios definidos pela Dieta Mediterrânica, que promove o consumo de alimentos essenciais e com alto valor nutricional e de produtos sazonais.

Adicionalmente, vemos ainda o combate ao desperdício alimentar como uma prioridade, salientando a importância do planeamento de refeições e da elaboração de listas de compras conscientes.

Para o Continente, a diversidade da oferta é crucial. Contudo, é igualmente valorizada a disponibilização de produtos da época, respeitando os ciclos naturais dos alimentos e evitando o recurso a alternativas artificiais e mais danosas para o meio ambiente.

Também por este motivo, estabelecemos relações de parceria com produtores de qualidade. Através do Clube de Produtores Continente, apoiamos a agricultura nacional e damos às famílias a oportunidade de consumir produtos frescos e com origem 100% portuguesa.

Que tendências acredita que vão transformar a alimentação saudável em Portugal e como é que o Continente se está a preparar para responder a essa evolução?

Acredito que vamos assistir menos a uma única tendência de alimentação saudável e mais a uma exigência crescente sobre várias dimensões em simultâneo.

O consumidor procura produtos com melhor perfil nutricional, mais proteína ou fibra em determinados contextos, menos açúcar, sal e gordura saturada, ingredientes mais simples e informação mais transparente, mas não está disposto a abdicar do sabor, da conveniência ou da acessibilidade.

Um exemplo é o impacto crescente dos medicamentos GLP-1 nos padrões de consumo.

Mais do que uma tendência associada à perda de peso, estamos a assistir a alterações na forma como alguns consumidores comem e escolhem os alimentos, com maior procura por porções ajustadas, alimentos nutricionalmente densos e soluções com proteína e fibra.

É um fenómeno que temos vindo a acompanhar com atenção, não propriamente para criar produtos dirigidos a um tratamento específico, mas porque pode antecipar mudanças mais abrangentes nas expectativas dos consumidores em relação à alimentação.

O desafio passa por responder a esta evolução sem seguir tendências de forma acrítica. Nem tudo o que ganha notoriedade corresponde a uma melhoria nutricional.

Nesse sentido, continuaremos a apostar na reformulação dos produtos de marca própria, no desenvolvimento da gama Continente Equilíbrio e da Cozinha Continente e na inovação suportada por critérios nutricionais e pelo conhecimento das necessidades dos consumidores.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Alimentação Saudável” da edição de Setembro (n.º 362) da Marketeer.




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