No ano em que assinala três décadas de presença no universo infantil português, o Canal Panda decidiu revisitar um dos seus maiores ativos emocionais: o icónico “Panda Parabéns”. Mais do que um simples momento televisivo, este formato tornou-se, ao longo dos anos, parte integrante das celebrações de milhares de famílias, atravessando gerações e consolidando uma ligação única entre a marca e o seu público.
Por Sandra M. Pinto
Agora, o desafio passa por levar esse legado para o presente e para o futuro. Com uma aposta clara no digital, na personalização e na criação de novas formas de interação, o Canal Panda procura acompanhar a evolução dos hábitos de consumo e reforçar a sua relevância junto das famílias modernas. Nesta entrevista, Jorge Ruano, diretor de Marketing e Comercial da Dreamia, explica a estratégia por detrás desta renovação, o papel do digital na transformação da marca e como o “Panda Parabéns” continua a ser um pilar fundamental na construção de uma relação emocional que atravessa gerações.
O “Panda Parabéns” é um dos formatos mais icónicos do Canal Panda. O que motivou esta renovação precisamente no ano em que celebram 30 anos?
Ao fim de 30 anos, o “Panda Parabéns” é mais do que um formato: é um ritual geracional pelo qual já passaram desde os Millennials até os Betas atuais, passando pela geração Z e pelos Alpha. No ano do nosso 30º aniversário, quisemos aproveitar este ícone para materializar aquilo que é a estratégia da marca: preservar os nossos ativos emocionalmente mais fortes e projetá-los para o futuro. A renovação nasce dessa visão – manter o momento icónico em antena e acrescentar uma dimensão digital atualizada que acompanha a forma como hoje as famílias vivem e guardam memórias.
Como é que esta evolução responde às novas expectativas das famílias e ao consumo cada vez mais digital de conteúdos infantis?
As famílias consomem conteúdos em múltiplos ecrãs, valorizam conveniência e querem guardar momentos importantes. Ao tornar o “Panda Parabéns” também um conteúdo digital personalizado, passamos de um instante em antena para um ativo que pode ser revisto, partilhado e integrado na narrativa de crescimento das crianças. A nova plataforma foi desenhada precisamente para esse contexto, com uma experiência muito simples e mobile first.
A introdução de vídeos personalizados pagos representa um novo modelo de monetização. Que peso estratégico tem esta aposta para a marca?
É uma evolução estratégica, não apenas tática. Por um lado, mesmo que não sendo o objetivo principal, diversifica receitas num formato com forte equity; por outro, abre caminho a uma relação mais direta com o consumidor, através de produtos digitais personalizados. Não estamos a transformar um momento simbólico numa lógica puramente comercial; estamos a criar valor acrescentado sobre um ritual que se mantém gratuito e acessível.
Como foi pensada a experiência do utilizador na nova plataforma para garantir simplicidade e conveniência, sobretudo num público familiar?
Partimos de um princípio muito pragmático: numa família, o tempo é escasso e a tolerância à complexidade é zero. A UX foi desenhada com fluxos curtos, linguagem clara, poucos passos e uma navegação simples. O objetivo foi que qualquer educador consiga completar o processo em minutos, sem dúvidas, e que perceba sempre “onde está” e qual é o próximo passo.
O Canal Panda sempre teve uma forte ligação emocional com o seu público. De que forma esta personalização reforça essa relação?
Quando falamos diretamente para uma criança, pelo nome, estamos a transformar uma personagem de TV num elemento da memória familiar. A personalização reforça a ideia de que o Canal Panda vê cada fã individualmente e que participa ativamente na construção de momentos de celebração. Isso tem impacto direto na profundidade da relação com a marca e a personagem.
Que insights de consumidor estiveram na base do desenvolvimento desta nova abordagem ao “Panda Parabéns”?
Três grandes insights: 1. O formato tradicional continua a ser procurado e valorizado, o que confirma a sua força; 2. Os pais registam e partilham cada vez mais em vídeo os momentos importantes dos filhos; 3. A gestão da vida familiar e a compra de serviços digitais acontece maioritariamente em mobile.
Com a nova abordagem mantemos o ritual televisivo dando às famílias uma solução atual para o prolongar e guardar.
O novo website marca uma mudança relevante na presença digital da marca. Que papel terá o digital no futuro do Canal Panda?
O digital é um pilar estratégico através do site, CRM, Social Media, e-commerce, Youtube, entre outros. O novo site é a base de um ecossistema onde personagens, conteúdos e serviços convivem de forma integrada e onde a relação com as famílias pode ser contínua. É no digital que conseguimos testar novos formatos, aumentar a interação e trabalhar personalização de forma mais fina. Em termos de futuro da marca, o digital é decisivo para reforçar relevância e proximidade e a IA será uma pedra angular deste desenvolvimento.
Como equilibram a manutenção de um formato gratuito, que faz parte da memória coletiva, com a introdução de uma oferta premium?
De uma regra simples: o formato tradicional gratuito no canal é intocável. Continua a ser acessível a todas as famílias e a cumprir o seu papel de ritual coletivo. A oferta premium é uma opção adicional, claramente comunicada, para quem quer um registo mais elaborado e permanente. Não estamos a substituir um modelo por outro, estamos a aumentar o valor em torno de um mesmo ícone.
A experiência mobile foi destacada como prioritária. Que tendências de consumo justificam esta decisão?
Os dados são claros: a maior parte do tráfego, das interações e das compras em serviços digitais familiares acontece em smartphone. E é também no telemóvel que os pais registam e partilham o dia a dia das crianças. Se quisermos que o “Panda Parabéns” esteja verdadeiramente integrado na rotina das famílias, temos de estar onde elas já estão. Daí o foco em mobile, em termos de design, performance e ergonomia.
De que forma esta nova plataforma prepara o Canal Panda para futuras evoluções e novos serviços digitais?
Desenhámos uma plataforma flexível e escalável, que não é apenas uma solução para o “Panda Parabéns”, mas uma base para serviços digitais futuros. É um investimento estrutural na capacidade da marca de inovar em digital e que faz parte de outros projetos que estão também em desenvolvimento.
Qual foi o papel da Dreamia e da UPGRADE na construção desta nova fase e que desafios encontraram no processo?
Relativamente à plataforma Panda Parabéns, a Dreamia liderou o projeto end to end, desde a estratégia e posicionamento até ao conceito e experiência de utilizador, garantindo alinhamento total com a marca Canal Panda e com as expectativas das famílias. A UPGRADE foi o nosso parceiro tecnológico no desenvolvimento do novo site e trabalhou connosco de uma forma integral, desde a estratégia e definição funcional, sendo responsável pela arquitetura, a implementação e pela robustez da plataforma. O desafio é sempre trabalhar uma marca com uma enorme notoriedade e ligação emocional junto das famílias portuguesas, criando uma plataforma divertida para as crianças, intuitiva para os adultos e robusta para acompanhar a evolução do canal.
O “Panda Parabéns” chega a mais de 10 mil crianças por ano. Como avaliam o impacto deste formato na construção da marca ao longo do tempo?
Por vezes não somos conscientes do impacto tão elevado que tem, mas estamos a falar de dezenas de milhares de momentos por ano em que o Canal Panda está presente em celebrações familiares. Isso constrói memória coletiva e uma relação transgeracional: pais que hoje inscrevem os filhos cresceram com o Panda. Em termos de marca, o “Panda Parabéns” é um dos principais ativos de equity emocional e um dos grandes responsáveis pela fidelidade que a marca mantém ao longo das décadas.
Num mercado cada vez mais competitivo e fragmentado, como se mantém a relevância de uma marca como o Canal Panda junto das novas gerações?
Mantemos relevância combinando três dimensões: conteúdos de qualidade, segurança e confiança para as famílias, e proximidade com o nosso público. O Canal Panda tem uma presença muito forte tanto dentro como fora do ecrã, através dos eventos, a música, brinquedos, entre outros, mas não podemos viver apenas desse legado; temos de o atualizar permanentemente, tanto no canal como no digital, e estar onde as crianças e as famílias estão hoje, com propostas que façam sentido para as famílias portuguesas.
Que outras novidades ou iniciativas podemos esperar no futuro próximo no âmbito desta estratégia de inovação e proximidade com as famílias?
Esta renovação é apenas uma das iniciativas de uma transformação mais ampla, onde a inteligência artificial vai ter um papel central. A IA será um dos principais catalisadores da próxima fase de desenvolvimento do Canal Panda, com impacto transversal: na forma como personalizamos experiências, otimizamos conteúdos, gerimos a relação direta com as famílias e operamos o próprio canal. Sempre ao serviço da proximidade e da qualidade da experiência, nunca o contrário, sobretudo num canal dirigido ao público infantil, onde os cuidados devem ser extremos.












