O YouTube continua a aumentar o volume de visualizações, mas evidencia sinais de fragilidade ao nível da retenção de audiência, com impacto direto nas receitas.
A conclusão é de um estudo recente da Metricool, que analisou 799.718 vídeos publicados por 71.177 contas em todo o mundo, comparando o desempenho entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026.
De acordo com os dados, as visualizações de vídeos longos registaram um crescimento de 76% no último ano. No entanto, a duração média de visualização caiu 37% e o engagement recuou 45%, refletindo uma quebra significativa na capacidade de manter a atenção dos utilizadores.
Esta tendência tem consequências económicas: as visualizações monetizadas diminuíram 59% e as receitas estimadas de publicidade caíram 55%. O estudo conclui que o aumento de audiência já não se traduz automaticamente em maior retorno financeiro.
Os Shorts assumem-se como o principal motor de descoberta na plataforma. Em 2026, este formato registou um aumento de 127% nas visualizações. Ainda assim, o tempo médio de visualização caiu para 16 segundos, face aos 48 segundos registados no ano anterior. Atualmente, 61% das visualizações orgânicas do YouTube têm origem no feed de Shorts, superando os subscritores (11%) e a pesquisa (9%).
Apesar da menor retenção, os Shorts contribuem para o desempenho do vídeo longo: canais que publicam cerca de cinco Shorts por mês registam um aumento de 46% nas visualizações deste formato. Contudo, o excesso de publicações tende a anular esse efeito, com quebras de desempenho a partir das 35 publicações mensais.
No que diz respeito à frequência de publicação, o estudo aponta para um ponto de equilíbrio entre duas a quatro publicações semanais de vídeo longo. Ritmos mais elevados traduzem-se em ganhos marginais, com aumentos de apenas 6% nas visualizações mensais.
Outro dos dados em destaque prende-se com o ciclo de vida dos conteúdos. Cerca de 83% das interações ocorrem nos primeiros dez dias após a publicação, embora os vídeos possam continuar a gerar visualizações durante períodos prolongados, ao contrário do que sucede noutras redes sociais.
Em termos de crescimento, o YouTube posiciona-se como a segunda plataforma onde mais contas evoluíram em número de seguidores em 2026, com 10,08% a subir de categoria. O TikTok lidera este indicador, com 16,47%. As contas entre os 2.000 e os 10.000 subscritores foram as que registaram maior progressão.
O estudo evidencia um cenário em que o crescimento em escala não é acompanhado pela mesma eficácia na retenção, colocando novos desafios a marcas e criadores de conteúdo.












