Porque é que continuamos a comprar equipamento desportivo como há 20 anos?

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Francisco Gonçalves, marketplace manager da Boomfit
01/08/2026
20:02
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Francisco Gonçalves, marketplace manager da Boomfit
01/08/2026
20:02
Porque é que continuamos a comprar equipamento desportivo como há 20 anos?

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Há uma pergunta que me acompanha há vários meses. Porque é que continuamos a comprar equipamento desportivo como comprávamos há 15 ou 20 anos, quando a forma de praticar desporto mudou completamente?

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Se um clube precisar hoje de pavimento desportivo, material para boxe, tecnologia de recuperação muscular e equipamentos de Pilates, provavelmente terá de falar com vários fornecedores, gerir diferentes propostas, entregas e contactos. O mesmo acontece com um ginásio, uma clínica ou até com quem procura equipar um espaço de treino em casa.

Durante muito tempo aceitamos esta realidade como normal. Mas, na minha opinião, deixou de fazer sentido.

O desporto evoluiu. A forma de comprar nem tanto.

Nos últimos anos, a forma como entendemos a performance mudou profundamente. O treino continua a ser essencial, mas já ninguém olha para o rendimento sem falar de recuperação muscular, crioterapia, pressoterapia, treino cognitivo, wearables ou tecnologias de monitorização.

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O universo do fitness tornou-se muito mais completo. E, paradoxalmente, quanto mais evoluiu, mais fragmentada ficou a experiência de compra.

Ao mesmo tempo, também o consumidor mudou. Hoje procura conveniência, rapidez e confiança. Quer comparar soluções, descobrir novas marcas e resolver diferentes necessidades num único local, sem perder horas entre dezenas de fornecedores.

Foi isso que aconteceu na eletrónica, nas viagens ou na moda. Acredito que está agora a acontecer no fitness.

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O futuro passa por ecossistemas

Por isso acredito que o futuro do retalho desportivo não passa por vender mais produtos. Passa por criar ecossistemas.

Quando falo em ecossistemas, não me refiro a plataformas onde cabe tudo.

Refiro-me a espaços onde diferentes soluções convivem de forma coerente e fazem sentido em conjunto. Onde um treinador encontra equipamentos de força e recuperação, um fisioterapeuta descobre novas tecnologias e um clube consegue responder às necessidades de várias modalidades sem começar sempre do zero.

No fundo, trata-se de simplificar. Porque a verdadeira inovação nem sempre está em criar algo novo; muitas vezes está em tornar simples aquilo que durante anos foi desnecessariamente complexo.

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A confiança será o verdadeiro fator diferenciador

À medida que a oferta cresce, acredito que o verdadeiro desafio deixa de ser disponibilizar mais produtos e passa a ser ajudar as pessoas a fazer melhores escolhas.

Num mercado cada vez mais especializado, a curadoria, o conhecimento técnico e a capacidade de integrar soluções tornam-se fatores de diferenciação. Não basta oferecer variedade. É preciso criar confiança.

Na minha perspetiva, o consumidor do futuro procurará menos catálogos intermináveis e mais experiências de compra capazes de simplificar decisões e responder às suas necessidades de forma integrada.

Da teoria à prática

Esta é também a visão que tenho procurado aplicar no desenvolvimento de um marketplace especializado para o setor do fitness.

Ao acompanhar esse processo, confirmei uma convicção: o desafio já não está em reunir o maior número possível de marcas ou produtos. Está em construir um ecossistema onde diferentes soluções façam sentido em conjunto, permitindo que profissionais e consumidores encontrem, num único lugar, respostas para necessidades que antes estavam dispersas por vários fornecedores.

Mais do que uma tendência tecnológica ou comercial, acredito que esta mudança representa uma nova forma de pensar o retalho especializado: menos centrada na quantidade e mais focada na relevância, na curadoria e na experiência de quem compra.

O que vem a seguir

Acredito que esta transformação está apenas a começar.

O fitness continuará a evoluir, impulsionado por novas modalidades, novas tecnologias e uma visão cada vez mais integrada da performance. Nesse contexto, o verdadeiro desafio deixará de ser encontrar produtos: será ajudar pessoas, clubes e profissionais a encontrar as soluções certas.

Mais do que acompanhar esta evolução, o retalho especializado terá de se reinventar para responder a um consumidor que já não procura apenas um produto, mas uma solução completa.

Porque acredito que o futuro do fitness não passa apenas pelo equipamento, mas pela capacidade de criar ecossistemas que tornem a experiência de compra mais simples, mais especializada e mais útil para quem vive o desporto.






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