Na rubrica “À descoberta de…”, Rute Gonçalves, directora de brand, marketing & conveniência da Galp, revela o que a move, o que a inspira e o que nunca dispensa. Entre uma viagem épica até Londres num Peugeot 504 cheio de família, a influência discreta mas decisiva do pai e a aventura de três anos a cruzar oceanos, Rute Gonçalves traça um retrato feito de autenticidade, ação e uma força tranquila que a acompanha em cada decisão. Uma vida guiada por ligações humanas, pela liberdade de ser e por uma palavra que a define: energia.
A melhor memória de infância?
Tive a sorte de crescer numa infância feliz, com regras claras, mas também liberdade para ser eu própria. Fazer parte de uma família enorme, 25 primos em primeiro grau, proporcionou-me as melhores memórias. Uma das mais marcantes foi uma viagem em família na Páscoa de 1984. Viajámos nove pessoas num Peugeot 504 de sete lugares, apertados, com as malas no tejadilho, um percurso cheio de risadas e descobertas até Londres.
Maior influência?
Sem dúvida, o meu pai. A sua capacidade de se dedicar ao trabalho, sem nunca deixar de estar presente para a família e amigos, continua a guiar muitas das minhas escolhas. O que mais me marcou foi a integridade e a humildade. Ensinou-me, sem palavras grandiosas, que sucesso e humanidade podem caminhar lado a lado e que a vida se mede pelas conexões e o cuidado com quem amamos.
Praia ou serra?
Praia, sem dúvida. Sinto-me em casa junto ao mar.
Música clássica ou rock?
Definitivamente rock. Reflecte a minha forma de estar: gosto de acção, de colocar ideias em prática e de avançar com energia.
Salto alto ou ténis?
Ténis. Fazem mais sentido com o meu estilo: prático e confortável.
Maior «loucura» já cometida!
Partir com o meu marido e os nossos três filhos numa volta ao mundo de barco à vela. Entre 2019 e 2022, num barco de 15 metros e com mais de 30 anos, que o meu marido restaurou, atravessámos dois oceanos e mais de 30 mil milhas náuticas, vivendo e visitando países longínquos e ilhas desertas. Para isso, fiz uma pausa na carreira, uma licença sem vencimento que se prolongou por quatro anos.
Viagem que jamais esquecerá!
A chegada à baía de Nuku Hiva, nas ilhas Marquesas, de noite, será o momento mais marcante de toda a viagem. Estávamos acordados apenas eu, o meu marido e a nossa filha mais velha. Cansados, mas com um orgulho silencioso naquele instante. Foi o culminar da mais longa travessia que fizemos: 22 dias a navegar, dia e noite, das Galápagos à Polinésia Francesa.
Ilha deserta: não pode faltar
A minha família. Para além deles, o essencial seria algumas ferramentas básicas, como a nossa catana.
Uma palavra que a defina…
Energia.
Este artigo faz parte da edição de Abril (n.º 357) da Marketeer.












