A responsabilização, a empatia e a capacidade de resolver problemas estão no topo das prioridades dos colaboradores portugueses quando avaliam um líder. As conclusões fazem parte do novo relatório global da Marco, que analisou as competências de liderança mais valorizadas em sete mercados – Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, México e Brasil – num total de 4.598 inquiridos.
Os resultados mostram uma mudança clara nas expectativas das equipas, com menos foco em discursos visionários e uma maior valorização de líderes próximos, humanos e capazes de gerar impacto real no dia a dia. Em Portugal, a responsabilização surge como a qualidade mais valorizada, com uma classificação média de 9 pontos numa escala de 0 a 10. Seguem-se a capacidade de resolução de problemas e a transparência (8,8 pontos), bem como a empatia e as competências de comunicação (8,7 pontos).
Estes resultados revelam uma preferência por modelos de liderança centrados nas pessoas, alinhados com países do Sul da Europa e da América Latina, pois tal como no Brasil, México, Espanha e Itália, os portugueses valorizam em grande medida a inteligência emocional, reforçando a tendência para estilos de gestão mais humanos e colaborativos.
A nível global, o padrão repete-se, com a responsabilização (8,5 pontos), a resolução de problemas (8,3 pontos) e a comunicação (8,3 pontos) a liderarem o ranking das competências mais desejadas, enquanto características tradicionalmente associadas à liderança – como ambição (6,9 pontos) ou pensamento visionário (7,5 pontos) – surgem com menor relevância.
“Os resultados mostram que os colaboradores valorizam cada vez mais, líderes próximos, transparentes e capazes de gerar impacto real no dia a dia das equipas. Hoje, liderar já não passa apenas por definir uma visão, mas sobretudo por criar relações de confiança, comunicar com clareza e responder de forma concreta aos desafios das organizações”, diz Diana Castilho, head of Portugal na Marco, citada em comunicado.
Liderança personalizada: 90% querem gestores que adaptem a abordagem
O estudo revela ainda uma forte valorização de modelos de gestão flexíveis e personalizados, com 90% dos inquiridos a considerar importante que os líderes ajustem a sua abordagem às características individuais de cada colaborador.
Além disso, mais de metade dos participantes atribui pontuações de 9 ou 10 à inclusividade e à colaboração, reforçando a ideia de que estas competências deixaram de ser um diferencial para passarem a ser expectativas-base da cultura organizacional.
Os resultados demonstram que “os colaboradores esperam cada vez mais líderes capazes de promover ambientes de trabalho colaborativos, transparentes e orientados para o bem-estar das equipas, encarando estas competências não como um fator diferenciador, mas como uma expectativa-base da cultura organizacional”, refere-se em nota de imprensa de divulgação do estudo.
Os resultados reforçam também uma “transformação na perceção da liderança eficaz”, pois embora características como visão estratégica e a ambição continuem a ser relevantes, os colaboradores “privilegiam cada vez mais líderes orientados para a ação, capazes de resolver problemas e gerar resultados concretos”.
Esta mudança “reflete uma preferência por modelos de liderança mais pragmáticos, responsáveis e emocionalmente inteligentes, onde a credibilidade se constrói não apenas através das ideias, mas sobretudo pela capacidade de execução e pela relação estabelecida com as equipas”, conclui-se em comunicado.














