O TikTok está a reforçar a sua aposta em inteligência artificial aplicada à criatividade publicitária, ao expandir o seu ecossistema Symphony com novas capacidades de geração automática de vídeo. A plataforma anunciou a integração do modelo de vídeo “Dreamina” – baseado na tecnologia Seedance 2.0 da sua empresa-mãe ByteDance – no conjunto de ferramentas Symphony, até aqui focado sobretudo em scripting e otimização criativa.
Com esta evolução, o Symphony deixa de ser apenas um assistente de criação para passar a permitir a geração completa de vídeos publicitários a partir de inputs simples como texto, imagens ou clips de referência.
O modelo Dreamina foi desenvolvido para criar vídeos com aparência realista e consistente, garantindo que elementos como produtos ou branding se mantêm coerentes ao longo de diferentes cenas, fator crítico para reconhecimento de marca. Além disso, a tecnologia melhora a fluidez do movimento e reduz a necessidade de ajustes manuais, permitindo às marcas acelerar significativamente o processo de produção criativa.
Na prática, isto traduz-se numa mudança estrutural, com menos dependência de equipas de produção e maior capacidade de gerar múltiplas variações de campanhas em escala.
A funcionalidade já tinha sido parcialmente introduzida na app de edição CapCut e chega agora ao núcleo da oferta publicitária do TikTok, reforçando a integração entre criação e distribuição. Dentro do Symphony, os anunciantes podem continuar a controlar o output – incluindo a possibilidade de rejeitar vídeos gerados por IA – mantendo algum nível de curadoria humana no processo.
Face às preocupações crescentes com conteúdos gerados por IA, o TikTok sublinha ainda que o modelo foi sujeito a testes extensivos por equipas internas e parceiros externos, incluindo validações ao nível de propriedade intelectual e segurança. O sistema inclui ainda mecanismos como rotulagem de conteúdos gerados por IA, tecnologia de terceiros e múltiplos checkpoints de moderação.
Mas apesar das vantagens operacionais, subsistem desafios, uma vez que a geração de conteúdos hiper-realistas pode cair no chamado “uncanny valley”, criando experiências visuais que parecem quase reais – mas não totalmente – e que podem afastar os consumidores. Este risco coloca uma pressão adicional sobre as marcas para equilibrarem eficiência com autenticidade, numa fase em que a percepção do público continua a ser determinante.














