Après- Creative Studio conquista Gold Award nos International Design Awards. “O nosso trabalho é perceber o que está por trás daquilo que o cliente acha que quer”
O Après- Creative Studio, fundado em 2022 por Rita Batalha, conquistou um Gold Award na categoria de Packaging nos International Design Awards (IDA), com o projeto desenvolvido para a marca angolana de velas DJOM. A distinção reforça o reconhecimento internacional do estúdio português, que desde a sua criação tem defendido uma abordagem de branding assente em estratégia, coerência e construção estrutural de marca.
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Para Rita Batalha, fundadora e brand designer do estúdio, o prémio representa mais do que um reconhecimento estético. “É um marco muito grande. Sabemos que prémios não sustentam um estúdio nem substituem o trabalho diário, mas acabam por ser uma validação importante. Às vezes duvidamos, questionamos se estamos no caminho certo, e este tipo de reconhecimento mostra-nos que a síndrome do impostor nem sempre tem razão”, diz à Marketeer.
Criado após vários anos de experiência profissional entre Londres e Portugal, em agências de comunicação e marcas de moda, o Après- Creative Studio nasceu com a premissa de fazer branding de forma menos guiada por tendências e mais ancorada em estratégia.
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“O nosso trabalho é perceber o que está por trás daquilo que o cliente acha que quer. Questionar, aprofundar e encontrar a essência real da marca, aquilo que a torna diferente e relevante”, explica Rita Batalha.
No caso da DJOM, esse processo traduziu-se numa construção identitária que parte da ligação às raízes angolanas da fundadora, do uso do Kimbundu e de uma narrativa emocional estruturada ao longo do desenvolvimento do projeto, sendo que a estética surgiu como consequência dessa base conceptual sólida e não como ponto de partida.
“O prémio valida tanto a dimensão visual como a robustez estratégica do projeto. Visualmente é forte e destaca-se num contexto em que muitas marcas se tornaram muito semelhantes. Mas nada foi feito apenas para ser apelativo”, refere Rita Batalha.
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No projeto distinguido, o estúdio assumiu a responsabilidade integral pela construção da marca, desde a estratégia até à identidade visual, desenvolvimento de packaging, direção criativa e criação de conteúdos.
No caso do packaging, este foi pensado como uma extensão natural da identidade. Não apenas como invólucro, mas como parte integrante da experiência, tendo a escolha de materiais, a contenção cromática e o equilíbrio tipográfico sido desenvolvidos para criar um sistema coerente, sofisticado e intencional.
“A vantagem de liderar todo o ecossistema da marca é a coerência total. Conseguimos garantir que tudo fala a mesma linguagem”, sublinha Rita Batalha, admitindo que o risco passa por se poder “ficar demasiado dentro daquele mundo”, mas que o facto de se trabalhar com diversos projetos em simultâneo ajuda a manter o equilíbrio.
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Para a fundadora, a coerência transversal depende sobretudo da clareza da base estratégica: “Quando sabemos exatamente o que a marca é e o que quer dizer, as decisões tornam-se muito mais simples.”
Mercado português: “talento incrível” mas onde “tudo é para ontem”
Tendo trabalhado entre Londres e Portugal, Rita identifica diferenças na maturidade estratégica dos mercados. “Em Portugal ainda há muita urgência. Tudo é para ontem. Estratégia leva tempo, discussão, às vezes até confronto. E isso implica investimento. Mas muitas vezes perde-se mais tempo a corrigir decisões apressadas do que a fazer bem desde o início”, aponta.
Ainda assim, reconhece uma evolução clara no panorama nacional. “Portugal tem talento incrível. Cada vez vemos mais estúdios portugueses reconhecidos lá fora, e isso mostra maturidade. Ainda há caminho a fazer, mas a evolução é clara”, diz.
E num setor frequentemente associado à estética, Rita Batalha traça uma distinção clara entre forma e estrutura. “‘Bonito’ é subjetivo. Uma marca bem construída pode não agradar a toda a gente, mas vai ser relevante para o público certo. E isso é o que realmente importa”, refere.
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Para a responsável, o branding é inequivocamente um investimento estratégico que vai além da identidade visual. “É perceber onde a marca quer estar, com quem quer falar e como se quer posicionar. Muitas vezes isso obriga a repensar decisões internas e até a própria estrutura do negócio”, diz.
IA? Sim, mas com critério e pensamento crítico
Analisando o panorama atual, marcado pela democratização de ferramentas de inteligência artificial (IA), Rita Batalha defende uma utilização criteriosa desta tecnologia. “A IA já faz parte do nosso dia a dia. A questão não é ignorá-la, mas saber utilizá-la com critério. Se for usada sem pensamento crítico, pode levar à banalização. Se for usada como ferramenta de apoio, pode auxiliar o trabalho”, aponta.
Acredita também que a dimensão humana continua a ser insubstituível. “Emoção, contexto cultural, interpretação estratégica, isso não se gera automaticamente. Marcas que querem relevância procuram essa profundidade”, diz.
Perante um mercado cada vez mais digitalizado, Rita Batalha acredita que o packaging continuará a ser um ponto crítico de diferenciação. “Quanto mais digital o mundo se torna, mais valorizamos as experiências físicas. As cores, a textura, a fragrância. O unboxing é muitas vezes o primeiro contacto real com a marca”, diz.
E é precisamente essa dimensão sensorial que poderá definir a próxima fronteira competitiva. “Quando uma marca cria uma experiência completa, não está só a vender um produto, está a criar um mundo onde o consumidor pode entrar e sentir que pertence. E essa sensação de pertença é muito forte”, remata.
Para o Après- Creative Studio, o Gold Award agora conquistado é, acima de tudo, um reforço de posicionamento que espera que ajude a atrair marcas que valorizam estratégia e coerência de imagem. “Não é uma questão de volume, é uma questão de alinhamento. Queremos trabalhar com fundadores e equipas que estejam dispostos a questionar, a aprofundar e a construir algo com estrutura, não apenas algo que funcione no imediato”, conclui a responsável.