Quando a experiência de compra cria comunidade. O papel do placemaking na evolução do retalho em Portugal

OpiniãoNotícias
Mário Barros
05/02/2026
20:02
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05/02/2026
20:02
Quando a experiência de compra cria comunidade. O papel do placemaking na evolução do retalho em Portugal

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Por Mário Barros, Centres Markets manager para o Sudoeste da Europa da Ingka Centres

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O papel dos centros comerciais em Portugal está a ser redefinido de forma gradual. Para além da sua função tradicional como destinos de retalho, são cada vez mais vividos como espaços onde as atividades do quotidiano se cruzam com o lazer, a interação social e momentos partilhados. Esta evolução reflete uma mudança mais ampla em direção ao placemaking: uma abordagem mais intencional ao desenho de espaços centrados nas pessoas e na forma como estes são utilizados, permitindo que os espaços físicos se afirmem como verdadeiros meeting places, que apoiam a vida em comunidade a par da atividade comercial.

No setor dos centros comerciais, esta direção não é apenas desejável – está já a produzir resultados concretos. De acordo com o estudo REDUNIQ Insights para a Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC), os centros comerciais em Portugal registaram um crescimento de 10% no volume de negócios em 2025 face a 2024. A moda representou 34% do total, seguida pelos supermercados (26%) e pela restauração (11%). O valor médio por transação situou-se nos 36,40 euros. Os fins de semana e o período pós-laboral continuam a ganhar relevância: 36% do volume de negócios é gerado ao sábado e domingo, e 38% das compras são realizadas a partir das 18h. Estes dados evidenciam uma preferência crescente por espaços convenientes, acolhedores e relevantes fora do horário de trabalho.

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Esta evolução insere-se numa tendência global. O sucesso dos grandes destinos de retalho depende cada vez mais da qualidade e relevância das experiências que proporcionam, indo muito além do tráfego de visitantes ou da compra pontual. Exemplos internacionais como o Livat Shanghai, o Hej!Workshop em Paris ou o Food Hall em Estocolmo, bem como referências nacionais como o MAR Shopping Food Experience, em Matosinhos, demonstram como a integração de retalho, restauração, trabalho, entretenimento e cultura pode gerar valor social, económico e emocional de forma sustentável.

Em Portugal, os centros comerciais refletem estes princípios de forma natural. O crescimento contínuo da restauração, dos supermercados e de serviços complementares reforçam o seu papel enquanto pontos de encontro para famílias, colegas e visitantes. Para além da oferta comercial, a programação cultural e as iniciativas de envolvimento comunitário assumem um papel cada vez mais relevante na criação de ligações emocionais com os públicos. A humanização dos espaços, apoiada por ambições de sustentabilidade e inovação tecnológica, contribui para a consolidação dos centros comerciais como plataformas de experiência e comunidade, e não apenas como locais de compra.

O futuro do setor do retalho está, assim, a ser desenhado por destinos que combinam placemaking, relevância social e uma experiência de compra diferenciada. Esta abordagem permite sustentar o desempenho comercial, mas, acima de tudo, posiciona os centros comerciais como elementos essenciais da vida quotidiana das comunidades, onde cada visita pode tornar-se um momento significativo, vivido em conjunto e ancorado em memórias duradouras.




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