“Dupe” ou luxo? Como as imitações estão a reconfigurar o valor das marcas

Notícias
Marketeer
26/01/2026
14:10
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26/01/2026
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Em 2026, os chamados “dupes”, produtos que imitam a estética ou funcionalidade de marcas de prestígio, deixaram de ser um fenómeno marginal ou reservado ao mercado negro e tornaram-se parte do consumo aspiracional e cultural, especialmente entre a Geração Z.

Segundo o relatório Consumer Trends 2026, da Statista, esta tendência continua a crescer e está a transformar a forma como consumidores e marcas se relacionam, levantando questões sobre o verdadeiro valor do branding num mercado cada vez mais fragmentado.

Um “dupe” é uma versão inspirada ou imitativa de um produto popular, geralmente de luxo ou prestígio. Ao contrário das falsificações diretas, os dupes não copiam logótipos registados, mas procuram reproduzir características visuais, funcionais ou sensoriais do original.

O fenómeno ganhou força devido à viralização nas redes sociais, ao recurso à inteligência artificial para descobrir ou criar alternativas e à adoção por consumidores jovens, que veem os dupes como uma forma de consumo inteligente ou contestatário face aos preços elevados.

Os dupes desafiam o valor tradicional das marcas porque tornam o luxo mais acessível, dissociam o desejo pelo produto da sua compra e transformam a aspiracionalidade em estética copiável. As marcas passam assim a depender não só da sua identidade, mas também da forma como os consumidores percebem e reagem às imitações.

Os setores mais afetados incluem moda e calçado, bolsas e acessórios, perfumes e cosmética, produtos de cuidado da pele e gadgets aspiracionais, onde os dupes funcionam como uma “porta de entrada” para quem quer o estilo ou estatuto do produto sem pagar o preço total. A Geração Z, em particular, valoriza mais o acesso do que a exclusividade, considerando que um dupe pode ser tão valioso quanto o original, sendo validado por revisões, TikToks e influencers, e encarando o consumo como expressão pessoal e não como afiliação a uma marca.

Para responder a este fenómeno, as marcas podem reforçar o valor experiencial, focando-se no serviço, na comunidade e na história que não podem ser copiados; lançar linhas acessíveis que permitam participar da marca sem diluir a sua identidade.

Os dupes funcionam, assim, como um espelho: refletem o sucesso cultural da marca, mas também evidenciam lacunas de preço ou desejos insatisfeitos. A inteligência artificial aumenta ainda o alcance deste fenómeno, permitindo pesquisas por imagem, geração de prompts para alternativas low-cost ou recomendações automáticas em plataformas digitais, desafiando as marcas a otimizar a sua presença não só nos motores de busca, mas também em assistentes de compra e ambientes conversacionais.




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